… E SOBRE OS PASSOS DE MAIMÔNIDES, DE CÓRDOBA
Córdoba não foi meu sonho, foi emprestado do meu marido (um leitor voraz de romances históricos).
Como outras cidades do sul da Espanha, Córdoba tem um bairro judeu; e este bairro traz uma particularidade, em suas ruas andou Maimônides, o maior filósofo da idade média – o médico do livro “O médico de Sefarad”.
Entre uma história e outra o autor do livro, César Vidal, goteja pensamentos da cultura judaica e do próprio personagem.
“…começar bem o caminho, compreender que a sabedoria procura sobretudo organizar a vida e preocupar-se principalmente em ser fiel a ela sem dar importância aos aplausos ou insultos dos demais são passos indispensáveis para continuar no caminho que conduz à sabedoria. Talvez por isso não devêssemos estranhar tanto o grande número de estúpidos que encontramos ao longo de nossa breve existência.”
Ou.
“…não podemos construir nosso presente e nosso futuro sobre o passado. Aquele tempo que não voltará nunca como agora nos vem ao coração, e a falsa aura com que o envolvemos só tem como efeito real o de nos impedir de desfrutar o presente e de afastar-nos de um futuro que poderia ser feliz. Trata-se de um tributo demasiado alto, pago em troca de matéria decomposta.”
Isso poderia estar escrito na Bíblia ou na Torah. Porém, eu estava nas ruas de Córdoba, parte do cenário onde o enredo do livro se desenvolve. Não dava para não curtir o momento, pensar naquele livro, na história, no sofrimento deste povo reproduzido na figura de um homem tão sábio e enfim seguir meu marido na procura pelo ponto onde existia o busto do filósofo onde se lia as incrições:





