Archive for ‘Fazer antes de morrer’

03/11/2012

87 :: Dizer algumas coisas…

por 1000 coisas para fazer antes de morrer

…que ninguém diz sobre a infertilidade

Este post também poderia se chamar “Como manter a sanidade mental
quando você esqueceu de passar na fila da fertilidade antes de nascer”.

Veja se te soa familiar?
– Tem namorado? Não? Ah, tá.
– Tem? Hum, que bom. Quando casa?
– Casou? Parabéns! E quando chega o herdeiro?
– Tem filho? Que legal. Não vai ficar com um só, né? Quem tem um não tem nenhum…

Pare na parte do “tem filho?” e fica repetindo anos e anos. Rá, esta sou eu! Esta ladainha faz parte da vida de quem não quer ou não consegue engravidar, da mesma maneira que outras pessoas passam por outras mazelas quando as coisas fogem um pouco dos padrões, sejam eles quais forem.
Eu tenho 42 anos, não tenho filhos e vou falar sobre coisas que vocês nem imaginam. Ou imaginam?

A fofoca é uma coisa i-rre-sis-tí-veEEEllll, não é? E perigosa…
São tantas versões da mesma história e uma delas acaba dando a volta e caindo (adivinha?) no nosso ouvido. Já me incomodei e tive que aprender a abstrair. Mesmo assim posso saciar a sede de fofoca de algumas almas fuxiqueiras que (com sorte) lerão isso repassarão a versão oficial – e, não por acaso, verdadeira. Vamos lá.

Nunca fui louca pela maternidade e não sou do tipo que ama criança. Gosto de umas e de outras não, do mesmo jeito que gosto de uns adultos e de outros não. É difícil entender isso? Não, né?
Casei com 21 anos e não quis filhos no início. Com 28 anos parecia que estava na hora (a biologia, pelo menos) e logo nos primeiros meses já deu pra perceber que não seria fácil engravidar. Isso durou mais ou menos 3 anos e foi bem estressante, lógico. Cansei, me dei um tempo, voltei a tomar pílula, mudei de trabalho e fiz coisas que queria fazer antes de voltar a pensar na enorme responsabilidade que é criar outro ser humano. E este período não foi nada ruim e até decidi que filho não era pra mim.
Sem querer, aos 32, engravidei e descobri apenas quando tinha abortado. Foi um susto mas não houve drama e quase ninguém soube. O acontecido me alertou para o fato de ter algo errado com minha saúde mas, mesmo assim, não fiquei tentando loucamente engravidar, deixei rolar enquanto procurava respostas para as terríveis dores que eu tinha todos os meses.
Só aos 35 descobri que tinha endometriose em estágio avançado e fui pra cirurgia sabendo que tinha que tomar uma decisão para o tratamento pós-cirúrgico, que era engravidar ou não. Pensei muito e só dei a resposta no dia seguinte, que era: “Sim, quero engravidar”.
Desde então, e isso foi há 7 anos, o desejo de ser mãe só cresce. E, infelizmente, no meu caso engravidar não é fácil. Fiz uma inseminação e uma fertilização in vitro e nada. Por fim engravidei naturalmente, mas com 6 semanas a gravidez parou e foi a coisa mais triste da minha vida. Pirei, pirei muito. Mas, como não sou do tipo de gente que senta e chora, reorganizei minha cabeça e parei de sofrer. Hoje sou, junto com meu marido (e amigo, amor, namorado…) uma adotante esperando seu filho chegar. Seria muito bom ter sido uma grávida com todas as coisas que acontecem junto com a gravidez, mas descobri que mais que ser grávida eu quero ser mãe e a maternidade aconteceu no tempo certo dentro de mim e tomou a forma que tinha que ter, de muito amor. Simples assim.

Por mais bem intencionado que seja, as pessoas deveriam nos poupar e parar de indicar receitas infalíveis para engravidar. É até fofo mas isso é coisa que só se faz com alguma intimidade – e, mesmo assim, com o tempo, vai perdendo a graça. É um saco as comadres que deduzem que você está precisando de uma forcinha e tocam a indicar aquele chá milagroso, o médico que fez gêmeos pra uma amiga, cirurgias espirituais, gurus, simpatias…Alguém indicaria um pai de santo para surdos, mudos, cadeirantes? Não, né? E eles vivem muito bem sem as pernas, ouvidos ou olhos.
E, por Deus, não manda a gente relaxar. É como dizer que você não engravida porque não quer. Já basta toda a pressão que a gente passa durante este período. O próximo que falar isso está arriscando ouvir um palavrão. Mesmo.
E as frases do tipo?: “Adota que logo você engravida”, “Legal adotar, mas tenho certeza que você vai ter o “teu”.”
Isso é feio demais! Filho adotivo não é um passaporte, não é um trampolim, não é um objeto que você usa para conseguir o que quer. Filho adotivo é… filho. E é da gente sim.
Então, estamos conversados. Ajudar, pode. Mas a regra é clara: tem que ser com tato, com bom senso, num momento íntimo… E tem limite.
Eu já decidi que quando não estiver a fim de ouvir, vou mudar de assunto rapidinho. Olha o passarinho!

Começo com a pergunta mais delicada: “Não-grávida tem inveja de grávida?”.
E respondo por partes a pergunta mais delicada de todas. Sabe porque? Porque depende.

• Eu desejo ser grávida? Sim.
Eu desejo que só eu, exclusivamente, fique grávida? Não.
Eu tenho raiva de quem fica grávida? Não.
Eu já vi uma grávida e desejei estar grávida igualzinho ela? Ló-gi-co que SIM! kkk
Eu já achei injusto outra mulher engravidar e eu não? Sim, sim, sim!!!
Infelizmente, gente do bem tem sentimentos ruins – e se Deus quiser, passageiros.
Se este desejo durar muito vá para o quarto orar porque você não é tão legal como pensa que é.
Mas gente de bem não almeja exclusivamente para si o que é genuinamente do outro, nem deseja o mal do outro. Ponto final.
Então, se ter inveja é querer igual, eu tive. Se ter inveja é querer ter o que o outro tem e ainda querer que ele não tenha, não tive, não tenho e não terei.
• Só que as vezes, a gente acaba de menstruar, está num bode danado e não consegue pular de alegria com a gravidez alheia na hora que é anunciada. Mas passa…tudo passa, minha gente.
Se for a 3ª gravidez da Angélica, tanto faz. Se for da sua amiga querida você vai participar da alegria dela, lógico. E se for um desafeto você fica bem fula e pensa como Deus escolheu aquela bandida em vez de você (a mulher super legal – como se você fosse perfeita e as regras fossem assim). Mas também passa, principalmente se você tiver muito o que fazer – e agradecer – da vida, como eu.
É claro, que quem não engravida e vê uma mulher ter três filhos seguidos, as vezes até sem querer, as vezes fica cabreira. E a gente pensa, sim, em como deve ser bom engravidar rapidinho, sem suspense. E apenas queria que acontecesse com a gente também. E se pergunta porque acontece com todos, menos com a gente – o que já mostra como a gente pira, porque não é mesmo tão fácil engravidar e tem muitas coisas (boas e ruins) que acontecem com um e com outro não.
Vou contar um causo pra ilustrar. Eu tinha acabado de fazer a tal fertilização in vitro e tinha dado errado. Estava jogada no sofá, morrendo de tristeza, quando, de repente, o telefone toca e…Surpresa! Uma amiga me liga, feliz da vida, para contar que estava grá-vi-da e ela queria me contar de primeira mão. Ahhhhh… Neste dia eu me senti tão pouco querida por Deus e, admito, fiquei de bode com a grávida também, por mais que ela não tivesse a mínima culpa. Pensei que era crueldade demais, eu achava que não merecia aquilo tudo de uma vez. Se eu tivesse mais sorte ela poderia ter engravidado dali um um mês, quando eu estivesse melhor. A indisposição que senti por ela passou, claro. Me senti péssima por ter pensado assim. No fim, comprei um presentinho pro bebê e vivemos felizes e amigas até hoje, espero que ela nem tenha percebido, tadinha. Sobrevivi ao episódio, mas admito que até hoje acho que foi um momento de cinismo da parte de Deus…

• E tem a inveja ao contrário. Tem gente que fica feliz em ver a gente sofrer, acredita?! Gente que diz o famigerado “Coitada, tem de tudo mas não pode ter filhos, de que adianta?”. Isso é, de certa forma, um tipo de inveja. Um regozijo no fracasso alheio.
Pra estes já vou logo dizendo. Tire este sorrisinho do rosto porque… Nãnãninãnão, a vida de quem não engravida não é uma merda. É uma parte da vida bem difícil que as vezes fica pior (ou melhor) e tem até horas que a gente nem pensa nisso. A gente acorda, escova os dentes, toma banho, vai trabalhar, sente alegria, felicidade, fala mal dos outros, fala bem também, pega trânsito (as vezes de bom humor e as vezes de mal), se diverte, viaja, chora e ri… É igualzinho aos outros problemas da vida.
E, antes que eu me esqueça, faça-me o favor e vá lavar um tanque de roupa, tá?

Este capítulo é ba-fo! E complementa o anterior. Dava pra escrever um livro mas vou escolher alguns exemplos para ilustrar a danação que é lidar com seres humanos, ainda mais mulheres cheias de hormônios.

• Na época que abortei algumas mulheres ao meu redor estavam grávidas e, em meses, as crianças foram nascendo, lógico. Como lidei com isso? Foi, mais ou menos, de acordo o comportamento de cada uma delas. Com as mulheres que foram solidárias comigo também fui com elas visitando seus bebês chorões e rindo do martírio das noites sem dormir e dos peitos rachados mesmo que as vezes fosse difícil não pensar que eram meus peitos que estariam rachados naquela hora.
As que me evitaram eu evitei. As que foram más (sim, elas existem) eu afastei da minha vida com jeitinho. E as que não sabiam bem o que fazer comigo eu também fiquei sem saber o que fazer com elas.

• Eu tinha uma amiga que ficou grávida logo depois que eu tive o aborto. Fiquei sabendo que a bandida andou falando aos ventos que eu me afastei dela depois que ela teve sua bebezinha. Bom, eu me afastei dela sim mas não pelo motivo que ela imagina. O meu distanciamento tem mais a ver com a distância dela, dos abraços que eu dava em torno de seu corpo grávido e ela se encolhia, dos almoços e cafés que apenas eu convidava, das mensagens de Natal e Ano Novo ignoradas e também porque ela nem se deu ao trabalho de avisar quando sua bebê nasceu. Meu Deus, o que eu poderia ter feito de ruim? Colocado olho gordo? Matado as duas? Jura? Percebi ali a fragilidade daquele relacionamento. Foi difícil abrir mão da amizade mas ela não devia ser tão amiga assim. Já sarei, êêêêêêêhhhh ;D

• Outra boa. Eu tenho uns 40 primos, mais ou menos. Todos tiveram filhos. Eu fui a sorteada entre tantos para muitas coisas boas e também para a infertilidade. Assim é a vida.
E, me diz, qual a família que não adora uma falação? Pior que estas coisas sempre chegam no ouvido do alvo da fofoca porque este mundo é muito pequeno mesmo. Eu não sou de dar muita bola e seria este meu melhor conselho pra quem passa por isso. Mas alguns casos, de tão bizarros, ainda me surpreendem. Eis um caso dos bons!
Eu e uma prima engravidamos quase juntas e, infelizmente, as duas abortamos na mesma época também. Rolou uma solidariedade, lógico. Em pouco tempo ela engravidou novamente. No início ela me mandava ultrassons e estas coisas que mães orgulhosas fazem. Eu estava ainda muito abalada com a perda do meu bebê mas segurei a onda recebendo e respondendo estes e-mails, crendo que era apenas falta de noção e supostamente (hoje duvido muito) uma tentativa de  me alegrar, incentivar e ter esperança.
Os meses passaram. Neste mesmo período meu marido sofreu um infarto (aos 49 anos!) e quase morreu, mergulhei na recuperação pós-cirúrgica dele e minha prima deu uma sumida, cada uma com suas prioridades para cuidar. Como não éramos super chegadas e a única coisa que tínhamos em comum foi esta gravidez, interrompida em dupla, acabamos nos distanciando novamente. Nossos encontros voltariam ao patamar anterior, aos raros eventos da nossa família e encontros casuais na casa dos meus tios na frequência de uma vez a cada dois ou 3 anos, como sempre foi.
E nasceu a menina da minha prima. Atrapalhadamente não fui ao hospital, o que nesta parte da minha família é super normal, somos meio distantes mesmo. Eu até me esforço para mudar isso mas é assim. Pra meu azar também acabei faltando ao aniversário de um ano da menininha e meus irmãos também não foram. Mas sobrou pra mim.
Parece que a conclusão dela foi que eu não estive presente por não ficar confortável em face à sua felicidade maternal e completou dizendo que compreendia, afinal, perdemos o bebê juntas e tal. Sim, pior é que ela ainda fez a compreensiva.
Comentário infeliz, egocêntrico e maldoso. Quem diz uma coisa dessas, no mínimo se baseia em sua própria maneira de agir. Quem diz isso é mau. Quem diz isso quer fingir que é bom.
Já pensou se eu fosse evitar todas as mulheres que estiveram grávidas quando eu queria estar ou quando minha gravidez foi interrompida e elas tiveram seus bebês? Eu perdi as contas de quantas visitas de nascimento e festas de aniversário eu fui no último ano ou dois (meu filho teria 2 anos agora…). Sinceramente, não me lembro mais porque não fui ao aniversário da filha desta prima, da mesma maneira que não lembro o motivo pelo qual dei alguns inevitáveis furos em alguns nascimentos e aniversários. As vezes não dá, simples assim. É muita coisa pra fazer e não dá pra agradar a todos. Com o tempo escasso a gente dá prioridade as pessoas mais próximas, presentes e que fazem diferença na nossa vida. Certamente ela não devia estar no topo desta lista, não é?
Os seres humanos ainda conseguem me surpreender, ainda mais quando é gente do próprio sangue. Me senti uma palhaça por ter sentido culpa de não ter tido tempo de ir ao hospital entregar o vestido fofo – que comprei com semanas de antecedência ao nascimento da menina, e que acabei dando para outro bebê depois de imaginar que não serviria mais.
Essa daí, com certeza, continuará restrita aos esporádicos eventos familiares, quando muito. Se existia algum desejo de ampliar a intimidade e a presença dela em minha vida, morreu aí.
Tudo que me falta em fertilidade tenho de sobra em culhão. E tenho dito.

Tem um tipo de amor que eu não dispenso. É o amor feminino, de amigas, de irmãs, de primas, de tias… Este amor nunca é demais, uso sem moderação.

• Eu tenho uma comadre. Estivemos grávidas juntas quando eu tive o primeiro aborto. Foi uma pena mesmo, teria sido bom criar nosso filhos juntos. Ela faz parte da minha vida e este seu filhinho é uma das minhas crianças preferidas. Esta amiga é daquelas que reza por mim quando passo por aflições, ela me ofereceu suas economias para fazer (mais) tratamentos para engravidar, se eu precisasse. E ela meu deu seu segundo filho como afilhado mesmo sabendo que eu não posso batizá-lo por não ser católica. E quando fiquei grávida pela segunda vez, disse que tinha guardado (por anos e em segredo) todas as melhores roupinhas dos seus filhinhos para mim e torcia pra eu não ser fresca, e que fosse um menino. Óim.

• Eu tenho primas, muitas.
Tem uma que é uma pessoa de oração dedicada. Eu sei que estou em suas orações. Ela ora pelo meu bebê, natural ou adotado. Ela sempre esteve presente na minha vida e eu na dela. E espero que seja assim pra sempre.
Tenho outras duas primas que são irmãs. Crescemos juntas. A gente tomava Leite Moça na lata, uma delas cortou minha trança pela metade quando eu era criança, outra me acompanhava nas noites insones de alergia. Fizemos tantas artes juntas…
Há alguns anos uma delas me ofereceu sua barriga emprestada! Era pra eu aproveitar antes antes dela ficar velha demais. Afinal, a gravidez dela é ótima, nem enjôos tem. Ela faria isso com o maior prazer. Não é de chorar de tão bonito? Tem gente que é assim, generosa. A segunda irmã teve um bebê depois de ter dois filhos grandes. Foi um acidente daqueles! Falamos tanto ao telefone, ela estava desesperada por já ter um menino que necessita de cuidados especialíssimos. E nasceu o bebê mais fofo do mundo. Sempre falo pra ela que vou roubá-lo porque ela já tem três. Ela ri, não vê maldade. E eu falo sem maldade.

• Eu tenho três irmãs. Uma tem um filho e não quer sonhar com outro, outra também tem um e engravidou a duras penas. E tem a parideira, mãe de 3 filhos. Ela sempre foi doida pra me dar a tal barriga emprestada, igualzinho a minha prima generosa. Como ela me encheu por conta disso…

No caso da barriga de aluguel, admito que quase aceitei a ajuda delas mas penso que não poderia colocar ninguém numa situação dessas, acho que seria muito sofrimento para quem parisse, por mais que elas digam que estão preparadas. Amo estas mulheres e as admiro por isso, eu não teria esta coragem que elas tiveram.

Na nossa vida rolam muitas histórias, boas e ruins. E, para o bem o para o mal, este mundo é feito de gente, de amor, maldade, hormônios femininos, tristeza e felicidade.
Não conceber pode ser uma coisa angustiante. Por isso, podemos chorar quando for necessário mas acima de tudo vai ter uma hora que o único remédio será a nossa própria força. E se não podemos garantir o DNA perpetuado no sangue dos nossos filhos ainda podemos ter outras missões e alegrias. Escolha as suas para não desperdiçar a vida.
E escolhi ter filhos do coração que, com sorte, irão prosseguir com minha melhor herança: a fé, o amor, os ensinamentos, as receitas de família e algumas manias (as boas, espero).
A gente não pode garantir nada disso com filhos biológicos nem com os adotivos.
Mas é o que peço. Amém.

22/05/2011

80 :: VENCER UMA FOBIA…

por 1000 coisas para fazer antes de morrer

…NEM QUE SEJA AOS 40 ANOS – NUNCA É TARDE

Medo de aranha, barata, rato. Medos inexplicáveis.

Como uma pessoa pode ter medo de uma coisa pequena, menor (muito menor) que um ser humano? Ou de algo que não representa um risco real? Isso se chama FOBIA. Em algum momento da sua infância, ou quem sabe no útero ainda, este medo foi desencadeado e pronto, tá feito.

Eu sempre fui uma cagona. Tinha tanto medo daqueles reguinhos de água que meu pai sempre me pegava no colo para dar um pulinho. Tinha medo de altura, subia nas árvores e não dava conta de descer.
E sempre morri de medo de aranha, o que está sendo vencido aos poucos; afinal, acabei vindo morar no lugar de maior concentração de aracnídeos do Brasil, a Serra do Japi. Aqui também é o lugar de maior incidência de queda de raios do MUNDO. Acabei descobrindo isso sem querer. (Pense: o Brasil é o país com maior atividade elétrica do mundo e a Serra do Japi a maior do Brasil. É só raciocinar… Ainda bem que não tenho tanto medo de raios assim).

Mas o que quero falar aqui é de um medo estúpido: medo de voar. Tem coisa mais caipira? Não, né? Pois eu sofri por conta disso por anos e dedico meu octogésimo (8% da minha lista) à vitória de não mais sofrer deste mal.

{montras}

Minhas histórias de avião são óóóótimas. Mesmo no auge da fobia eu ria de mim mesma depois que descia do avião.
Eu entrava na sala de embarque olhando para a cara das pessoas e pensando como elas ficariam depois de mortas, ou que tipo de reação elas teriam antes da queda, se a gente iria desmaiar antes de cair ou se ia ser, assim, a seco mesmo.
Como não andei de avião na infância fui adiando este momento até onde deu. Fiz uma viagem rodoviária Aracaju-São Paulo sozinha, as 17 anos. Já tinha ido de ônibus, com umas amigas, e o combinado era voltar de avião, sozinha. Pois eu voltei de ônibus, não avisei minha mãe que estava voltando e cheguei em casa de surpresa. Não precisa dizer que esta viagem fui uó! Chuva o tempo todo, tigrões caindo matando na menininha sozinha. Um perigo.

{noites...}

Meu primeiro voo foi com meu marido, duas amigas e minha irmã pequena para a Flórida – e foi péssimo. Voo horroroso, um dos piores da minha vida. Tempestades, raios, muitas turbulências e um ciclone passando sobre o Caribe não nos ajudou muito. Até os bagageiros abriram com as chacoalhadas. Muito medo.
Na volta, no voo curto entre Orlando e Miami houve um incidente. Eu estava comendo meu Oreo e um yogurte de morango quando soou uma sirene forte e o filme saiu do ar. Estressei na hora. Meus queridos companheiros de viagem riram. Eu agarrei na minha Bíblia. Olha a cena…
Dali a pouco, com a maior calma do mundo, os comissários pediram para colocarmos as poltronas em posição vertical. Minha melhor amiga me olha e diz que foi bom me conhecer e caiu em uma risada histérica. Minha irmãzinha de 10 anos, super calma, já tinha dito que tinha um mau pressentimento daquele voo. E pensei que tristeza meus pais perderem duas filhas ao mesmo tempo, a primogênita e a caçula… Dali pra frente não lembro de mais nada. Saí do ar. Me contaram que uma das turbinas pifou, o avião deu uma baixada brusca, um som abafado parecido com uma explosão… Mas pousou bonitinho.
Tomei 2 Dramins para encarar o outro voo, igualmente horroroso com chuva, mas os comprimidos só me fizeram delirar e ver coisas que nem estavam acontecendo. Cheguei em São Paulo doente.

{tem coisas que só uma janela de avião pode te dar...}

Ouvir a turbina do avião sempre foi o meu horror. Era sentar na poltrona e começar a chorar baixinho e dizer a clássica frase: “O que eu estou fazendo aquiii?” E não adianta dizer que o avião é o meio de transporte mais seguro e blá, blá, blá. Eu concordava, mas o medo era maior. Cheguei a extremo de achar que se eu andasse durante o voo, o avião poderia se desestabilizar e virar de lado!!! Absurdo, estou rindo sozinha escrevendo tudo isso.

{waw!}

Um dia, uma amiga me disse que eu estava sofrendo à toa e que era pra pedir um remedinho pro meu médico.
O primeiro me indicou 3 gotas de Rivotril, foi ótimo mas só resolveu na primeira viagem. Depois fui aumentando as gotinhas para 7, 9 e parei no 15 com medo de entrar em coma dentro do avião. Uma vez, em um avião novinho da Royal Air Maroc, quase infartei achando que as tvs baixando eram as máscaras de oxigênio – neste caso eu mereço um desconto, se eles cuidam da manutenção do avião do mesmo jeito que cuidam do país…sei não.
O segundo médico passou Lexotan. Tomava 2 e não apagava.
Enfim o terceiro me indicou Frontal. Sensacional. Tenho que admitir que ele dava uma leve amnésia mas eu não ficava grogue, só dormia, se fosse voo noturno. Pulava do avião novinha e feliz da vida. Mas ainda tinha um inconveniente, ficava sem condições de cuidar 100% bem dos meus pertences. Meu marido se encarregava disso.

Nunca tinha voado sozinha e isso era uma limitação, sem dúvida. Voar, só com companhia? Puxa…odeio dependência.

{usei esta foto para dizer que um novo tempo nasceu para mim...entendeu?}

Psicoterapia – e alguns miligramas de remedinhos diários, admito. Esta foi uma das soluções. Não fui lá para isso mas acabei descobrindo que o medo de avião não era medo de avião mas sim uma necessidade de controlar tudo. E depois que meu marido infartou e foi diagnosticado errado por 2 anos seguidos e no fim foi ter uma parada cardíaca bem na frente de uma das melhores equipes cardiológicas do Brasil saquei que não é a gente que controla, nadinha. As coisas acontecem e ponto.

Meu primeiro voo quase sadio foi Caracas-Los Roques, num bimotor de 8 lugares, vai entender…

{azul escuro, Caracas; azul claro Los Roques}

{dando os primeiros passos para a vida adulta}

O primeiro sadio mesmo foi para o Rio, em outubro de 2010. Percebi que estava dando…
E aconteceu algo impensável! Fui para Curitiba, sozinha. Tinha que ir, não tinha jeito. Mas fui segurando, bem forte, um comprimido de Frontal. Mas meu marido me ajudou no check-in porque eu estava meio dispersa, ansiosa demais. Na volta já foi melhor, peguei o táxi, entrei no aeroporto, fiz check-in, comprei umas coisinhas em uma loja muito simpática, liguei para meu marido da sala de embarque e voei com meu comprimido na sacolinha das compras. Na volta, meu marido ficou me vendo retirar minha bagagem da esteira e quando saí no desembarque me abraçou e me deu boas vindas ao mundo adulto ;D

Semana passada dei meu passo decisivo. Tive que voar sozinha, de novo. Deixei o ansiolítico em casa, entrei na sala de embarque como gente grande e fui lendo um livro da Danuza Leão (oi?) e dando umas cochiladas. A volta foi de dia, melhor ainda porque não gosto de voar a noite. Fiz meu check-in eletrônico e me senti tão, tão, tão…adulta! A pessoa mais civilizada, moderna e independente do mundo inteiro.

Quem nunca passou por isso nunca vai entender mas quem já passou sabe muito bem do que estou falando.
Que venham muitos voos, muitas viagens lindas e que sejam, em sua maioria, acompanhadas do meu melhor companheiro de viagens, meu marido, que por tantos anos me cedeu seu braço, em cima do apoio da poltrona do avião, para eu fincar as unhas.
Se cair, caiu.

11/01/2011

68 :: AGRADECER, MUITO, SEMPRE…

por 1000 coisas para fazer antes de morrer

…E FAZER BOM USO DA SUA VIDA

Há um ano eu estava passando uma aflição danada em que muitas questões na vida foram colocadas na mesa. Sonhos, planos…
A vida do meu marido, meu companheiro de tantos anos, poderia ser interrompida assim, de uma hora para outra, por um problema agudo de saúde.
Neste momento é inevitável a gente dar um mergulho de cabeça na pieguice e pensar: o que vale a pena na vida de verdade? E resposta vem rapidinho: viver.

Este sempre foi um dilema conjugal, as vezes causava uns arranca rabos. De um lado era eu achando que respirar é pré-requisito, que é o mínimo para viver. Do outro ele defendendo que respirar era tudo, era o suficiente, que era só isso mesmo. Acordar, respirar e pronto, estava feito.

Não há como negar que durante esta experiência fomos agraciados com uma sequência de bençãos. Uma sequência de coincidências felizes começaram a acontecer e nos levaram a um final feliz. É lógico que tudo isso nos fez sentir especiais, abençoados, mesmo sem ter feito nada especial para merecer.


Qual o saldo disso? Ah, aí fica a grande lição. O meio termo das duas opiniões parece ser o ideal, como quase tudo na vida.
Viver o HOJE, sempre é essencial, e eu estou aprendendo a fazer isso. Acordar e dar valor por ter esta grande oportunidade, abrir a janela e ver o céu e dizer obrigado. E daí? Acabou? Continuo achando que não. Acho que tem que viver bem, com qualidade, com intensidade. Brigo comigo mesma, todos os dias, para desfocar das minhas frustrações e desviar meus sentimentos para o resto, que no fim é a maioria das coisas.

E ali estava eu, na linha fina do possível fim da minha história a dois (minha história de amor) e fazendo a inevitável retrospectiva do que tinha valido a pena. As questões que disputamos? Os bens que juntamos? Ter bens materiais é bom, sem dúvida. Não são muitos mas nos dão segurança. Ter uma casa própria nos dá segurança, por exemplo. Mas definitivamente não são coisas essenciais.
As questões discutidas nos fazem crescer, sem dúvida, mas a gente não precisava ter perdido tanto tempo nelas, menos teimosia sempre é melhor. Passamos por coisas lindas e outras difíceis. Nos apoiamos em momentos dolorosos, passamos por perdas e passar por isso também tem sua beleza na vida a dois.

Mas não posso negar, nas minhas lembranças ficariam um lugar especial, muito especial, para as coisas que curtimos juntos, a viagens que fizemos, as risadas que demos de nós mesmos.

Ganhei uma coisa bem boa. Tenho uma enorme consciência de que somos mortais, que não precisa existir necessariamente um problema de saúde para tudo terminar. E isso me faz viver, no melhor sentido da palavra.

Então, posso dizer com certeza, uma opinião muito particular. Não me arrependo das apertadas no orçamento para viajar. Das coisas mais dispensáveis que abri mão para…adivinha? Passear ou, adivinha de novo. Viajar!
Nestes quase 20 anos de casamento demoramos mais tempo para realizar algumas coisas mas se tudo tivesse terminado poderíamos ter dito: do nosso jeito, tivemos uma VIDA juntos.

Obrigada Deus, por ter o privilégio de um ano depois, poder dizer isso com tanta alegria. Muito obrigada mesmo.

 

07/11/2010

57 :: FAZER AMIGOS EM VIAGENS…

por 1000 coisas para fazer antes de morrer

…AMIGOS MESMO, DE VERDADE

A conhecemos em março de 2006, em Fernando de Noronha…

…em uma trilha chamada Caieira-Atalaia – que é mais uma maneira de fazer uma coisa fácil de um modo mais difícil mais muito mais legal – em vez de ficar na fila esperando por horas os 15 minutos de banho na piscina de Atalaia resolvemos fazer o caminho inverso e andar 6 km (e algumas horas) debaixo de um sol escaldante, pisando num chão de pedrinhas redondas de origem vulcânica, curtindo lindas vistas e piscinas mais lindas que a famosa do destino final.

TRILHA SOFRIDA, QUENTE E...LINDA

Pausa. Foi nesta trilha que eu e meu marido decidimos que este tipo de programa com ele nunca mais. Ele odeia isso, eu adoro – melhor, nem sei se adoro tanto, faz tempo que não faço e não sei se tenho tanto pique.

No nosso grupo formado por trekkeiros havia uma mulher sozinha. Depois de meia hora já deu para perceber que ela era de longe a pessoa mais interessante da turma, super moderna e com um pique de dar inveja em qualquer um. Ótimo papo e companhia.

Dali emendamos mais um programa muito legal com parte da turma: mergulhar com tartarugas na Baía do Sueste.
Agarramos num papo com nossa nova amiga. Depois de terminado o programa o assunto não tinha acabado, fomos ver o pôr do sol a três. E como o papo ainda não tinha acabado marcamos um passeio de barco para o dia seguinte. Neste passeio ficamos conversando coisas do mundo, do outro mundo, de tudo. Descobrimos que somos de religiões muito diferentes mas acreditamos nas coisas de um modo muito parecido. E conversando mais, decretamos: somos almas gêmeas.

De lá para cá mais nos desencontramos que encontramos mas continuamos nos achando soul mates.

Uma oportunidade de emendar um evento do trabalho + passagens super baratas para o Rio (onde ela mora) foi perfeita para passarmos um tempo juntos (eu, ela e meu marido) e falarmos das coisas profundas que habitam nosso coração, coisa de velhos amigos que nunca se veem.
Passeamos bastante no estilo carioca: caminhadas com vistas de cartão postal, exposição no CCBB, massagem, gafieira no happy hour, noites no Iate Clube e conversas deliciosas na sala de seu apartamento tão carioca, cheio de plantas.

O RIO DE JANEIRO QUE EU VI COM ELA

O assunto? Todos, principalmente suas viagens loucas e seus amores.

Descobrimos, juntas, mais afinidades. Muitas afinidades.
Descobri, com meu marido, que ela é a anfitriã ideal. Que te recebe com uma comidinha perfeita e jura por Deus que o quarto que você está dormindo não é o dela (mas eu sei que é). Por outro lado não deixa de ir à sua meditação e ginástica, essenciais em sua vida. Enquanto isso nos deixa livres para viver.
Nos buscou no aeroporto por julgar muito ruim não ser recebido pelo amigo na primeira vez que vai a sua casa, não precisava.

ASSIM SÃO AS FOTOS DE PESSOAS SUPER ATIVAS, FAZER O QUE?

Antes de ir embora, em agradecimento ao carinho, fiz um jantar bem gostoso.

E no dia seguinte pedimos um táxi bem cedinho para nos levar ao aeroporto e ela continuar dormindo um soninho bom. Novos encontros já estão prometidos e acontecerão.

É isso. As amizades deveriam ser tão simples quanto esta história. Creio que elas são formadas de um pouco de cada coisa, mas acima de tudo de um encontro especial marcado na agenda de Deus.

04/10/2010

54 :: ESCREVER UMA CARTA…

por 1000 coisas para fazer antes de morrer

…PARA SEU FILHO OU FILHA, ANTES MESMO DE O CONHECER

Cada dia é um passo em tua direção, meu filho, minha filha.
Tenho, de todas as formas, te trazer para mim – por algum motivo misterioso isso não tem dado muito certo, você sempre vai embora de alguma forma.
Não tenha medo, não há motivos para tanto. Viver já é um risco considerável mas tem lá seus encantos, não precisamos nos preocupar demais com os detalhes que envolvem esta existência.
Os tombos virão, galos na cabeça também. Talvez (espero que não) algum osso quebrado e as raladas nos joelhos serão inevitáveis. E além do mais meu querido, minha querida, você terá muito amor. Já te amamos sem te ver, já sonhamos com você sem saber como será, de onde virá, como virá e quando virá.

Eu já sou uma mãe, teu pai já é um pai, só falta você. As amoreiras da nossa casa te esperam, lotadas de amoras.

Há muito tempo sabemos que queremos trocar o sossego e a arrumação do nosso lar pelo barulho, pelas risadas, brinquedos e fraldas (argh). Troco, numa boa, minhas manhãs de enrolação na cama pela tua presença feliz e amorosa e pelos teus beijos. E troco (isso sim é uma declaração de amor, você entenderá mais tarde) minhas viagens pelas tuas – no mínimo pelas nossas, a três, em tempos e destinos diferentes dos de hoje. Mas espero mesmo que você goste de estar ao nosso lado quando voltarmos a Roma, nosso destino mais querido. Prometo te deixar comer muitas pizzas e gelatos. Afinal, as férias são para isso mesmo.
O nosso Atacama será mais perfeito ao teu lado e a Califórnia, junto com a tia Márcia, será inesquecível com mais parques que os programados hoje. Lisboa, com teu avô materno, será a maior viagem, acredite ele é muito legal mesmo. Pena que o avô paterno deu o fora e vai ficar pra uma outra parte da tua vida, a eterna. Mas a nonna vai dar um jeito de te amar por dois e é bem capaz que vocês façam boas viagens juntos. A outra avó vou ter que segurar um pouco, ela vai te deixar fazer tudo e isso não será muito bom para você – e pode querer te levar pra alguma excursão para Ibitinga, para comprar bordados.
E eu quero deixar registrado aqui que por você até topo encarar um resort e, quem sabe, até mesmo um cruzeiro, pro caso de estar precisando mesmo de férias muito calmas. Dizem que crianças dão um trabalhão enorme, vai saber.
Destinos menos vaporosos – e não menos divertidos – te aguardam. Zoológicos, parques e – muitos – piqueniques. Espero que você não tenha vergonha da gente por isso.

Um dia te darei esta carta, mas enquanto isso espero que saiba deste amor quando estiver de castigo, quando ouvir um não e principalmente quando tomarmos alguma decisão errada. Pode ter certeza, a gente queria mesmo era acertar, sempre.

Vamos viver um dia de cada vez. O dia de hoje nos basta e viajar pela Anhanguera, todos os dias, também.

Uma música para você.

TEU PAI ACHA ISSO CHATO – ELE DIZ QUE O PATO FU ASSASSINOU ESTA MÚSICA, JUNTO COM OUTRAS DO MESMO CD. EU NÃO POSSO DIZER QUE ACHO BOM MAS OUVI E ME EMOCIONEI.
AH, EU CANTO MELHOR (NÃO MUITO, MAS CANTO) ESPERO QUE VOCÊ PUXE ESTE TALENTO, SE NÃO FOR DO SANGUE QUE SEJA DA ALMA. MAS SE NÃO PUXAR TUDO BEM TAMBÉM, EU TE AMO MESMO ASSIM.

 

 

 

 

02/10/2010

53 :: PLANTAR UMA ÁRVORE…

por 1000 coisas para fazer antes de morrer

…ESCREVER UM LIVRO E TER UM FILHO

Eu já plantei uma árvore, estou escrevendo um blog (se é que escrever um blog pode ser interpretado como escrever um livro) e pretendo ter um filho, estou até escrevendo uma cartinha para ver se apresso a vinda dele ou dela.
Achei a iniciativa do site alemão Kaufda uma coisa legal: “My blog is carbon neutral”.
Segundo eles, o blog publica o selo da causa e eles plantam uma árvore em troca, neutralizando as emissões de carbono advindas dele.

Pode não resolver o mundo mas mal é que não faz!

27/08/2010

46 :: DESISTIR DE ALGO…

por 1000 coisas para fazer antes de morrer

…AS VEZES É NECESSÁRIO  (E NÃO TEM NADA DEMAIS NISSO)

E hoje eu li no blog Alhos e passas & Maçãs algo dolorosamente bonito.

“no instante da partida, há sempre uma demora, não do tempo — da vida”.
Do poeta português Jorge de Sena

As vezes vem a constatação de que um sonho precisa ser deixado para trás para viver, apenas viver.
Hoje, como todos os outros dias, começa outra parte do resto da nossa vida. Então, que venham novos dias, com novos sonhos, novos destinos e objetivos.
Talvez eu deva apenas pensar em uma viagem, fazer uma massagem ou comprar uma saia vintage e usá-la com uma sandália de salto alto muito sexy – e apenas respirar bem devagarinho.

17/07/2010

41 :: OBSERVAR PESSOAS…

por 1000 coisas para fazer antes de morrer

…NAS RUAS, NO SHOPPING, EM UM RESTAURANTE, EM QUALQUER LUGAR – E SE POSSÍVEL FOTOGRAFÁ-LAS

Shopping Bourboun, Pompéia, cidade de São Paulo. Estou sentada numa poltrona em frente a Livraria Cultura, lendo.

Da livraria sai uma dupla esquisita: um menino alto parecido com o Garibaldo (nerd, nerd…) e outro lindo, descolado com cara de inteligente. Se sentam, cada um lendo seu livro recém comprado. Dali uns cinco minutos chega mais um garoto, com cara de bem mais novo, pequeno e moreninho. E em quinze são uma turma de cinco garotos, que provavelmente estudam juntos. Ninguém combina com ninguém, por algum motivo astral, esotérico e misterioso eles são amigos – íntimos. Dá para perceber a cumplicidade da turma.
Por último chega uma garota: morena, cabelo longos e enrolados, magrinha e brava com eles por alguma suposta idiotice que tinham feito dentro da loja. Mais um pouco estão todos rindo de alguma piada que só eles entendem.

Cena esquisita e familiar. Era eu há uns 20 anos com meus amigos do colegial.
Deu uma saudade boa, feliz e reconfortante, até afundei mais na minha poltrona de shopping.

Esta foi um dos devaneios que tenho vendo o comportamento alheio.
Eu adoro observar as pessoas, lembrar de história, inventar outras, fantasiar.
Eu me distraio ouvindo os papos da mesa ao lado no restaurante, crio histórias pra gente que não conheço e fotografo as cabeças no meio da multidão. Eu já sabia que foco é um conceito burguês, mas uma amiga me contou que isso já tinha sido inventado, fazer o quê?

+ People’s lives

04/07/2010

40 :: FAZER 40 ANOS…

por 1000 coisas para fazer antes de morrer

…OU 30, 0U 50, OU 60…

ou ODE AO CORPO JOVEM
ou QUERO UM CLOSET DE CINEMA
ou FILHOS, FILHOS, MELHOR NÃO TÊ-LOS MAS SE NÃO TÊ-LOS COMO SABÊ-LO?

Hoje faz um mês que tenho 40 anos. Agora eu tenho alguma vivência no assunto, já dá para falar um pouco sobre a coisa.

Ter 30 ou 40 ou qualquer outra idade na prática não faz a menor diferença, não até agora. Vou soltar um clichê mas o negócio é: viver muito bem cada fase, simples assim. Isso afasta as chances de se olhar para trás com algum arrependimento de coisas não feitas, o pior dos arrependimentos. Eu realmente gosto muito mais de mim hoje entrando na casa dos 40 do que antes, entrando na casa dos 30. Os 30 e poucos foram bem bonitos, foram o belo ensaio pra mulher que me tornei no seu fim e me sinto muito mais bonita do que antes. É bem capaz que não seja a realidade mas acho meu corpo melhor do que aos 20 – menos os peitos, que por melhor que sejam (e ainda são) não são os peitos dos 20, não serei hipócrita. O que quero dizer é que hoje sou bem mais segura com minha aparência, mesmo sabendo que algo mudou. Mas não fico perdendo tempo em frente ao espelho colocando defeitos onde não existem (ou existem). Penso que estou bem para 40 e praticamente sem ginástica (se eu fizesse algo a respeito poderia estar melhor, sem dúvida). Procuro me cuidar um pouco, sem pirações e sou bem mais vaidosa hoje. O EU de 20 anos não poderia imaginar nada disso… Enfim, hoje sei de mais coisas, conheço muitas outras, sou mais equilibrada (só o suficiente), confio mais em minhas decisões e enfim aprendi que sou forte mas não preciso aguentar tudo por causa isso.

E sim, eu tenho um pouquinho de medo da velhice, um tiquinho só. Me sinto tão jovem, sei que isso pode continuar a ser assim mas gostaria mesmo que o corpo acompanhasse e estivesse sempre ágil, rápido e pronto pra tudo. Mas deve ter alguma beleza na desaceleração da idade. Confio nisso. Tenho uma sombra de medo de ter inveja das mulheres jovens quando for velhinha e enrugadinha. Sabe aquele viço que só a juventude tem, que por mais descolada que você seja não terá aos 75 anos? Eu achava que teria inveja das meninas de 20 quando tivesse 40 e hoje penso que elas não imaginam o que está por vir, anos melhores ainda. Junto com este segundo medo tenho um tiquinho de medo da perda da juventude da pele, do corpo. Não da perfeição, esta não existe, mas aquele contorno ainda jovem porém maduro de mulher. O de hoje. Aquele que te coloca no alvo de homens com 15 anos de diferença (para menos e para mais) mesmo que isso não te interesse e você já tenha um ótimo par há muito tempo.

Se falta alguma coisa nesta fase da vida? Sim, um closet de revista de decoração onde eu guarde meus sapatos de maneira perfeita e…filhos. A espera (não a do closet, lógico) me empata, me faz não pular de fase com tanta naturalidade, me prende aqui, com bolas de ferro nos pés, assistindo a passagem dos anos. Por mais que eu ame minha vida como ela é – e eu a amo – dói.

Tirando isso o resto vai bem, muito bem. É reconfortante constatar que eu não trocaria minha vida como ela chegou até aqui por nada. Não trocaria tudo o que sei e sou (e as viagens de “não-mãe” que fiz até agora) pelos peitos de 20 anos mais filhos crescidos.

Como é mesmo que se diz e eu jurei que nunca diria isso? A vida começa aos 40! (?)

12/06/2010

34 :: FAZER COISAS BREGAS…

por 1000 coisas para fazer antes de morrer

…NO DIA DOS NAMORADOS

Ai, o Dia dos namorados…é brega mesmo, né? E necessário, pra aliviar as tensões.
É um dia onde alguns conceitos tiram férias e algumas coisas são permitidas.
É o dia, em que o amor – e todas as coisas necessárias (ou não) que o acompanham – nos fazem colocar em prática, mais descaradamente e sem vergonha, coisas fofas como flores, bombons, cartões, filas em restaurantes “românticos” ou um jantar com velhos e novos amigos, para festejar o conforto da tampa (nem que for tortinha) da panela…

Ao meu amor uma música.
Sim, eu posso ser muito brega se quiser. A melhor parte é a do gelo pegando fogo!

Mais um vídeo, destes que fãs gravam em shows, com gritos de uhúúúúúúúúúú ao fundo.
Mas não é esta a questão, a questão é: tem tensão sexual aí?

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