10 :: A EXPERIÊNCIA DE UM HAMMAM…

por 1000 coisas para fazer antes de morrer

…OU O BANHO MAIS BEM TOMADO DO MUNDO

Hammam, este nome sempre me deixou meio excitada.

Esta palavrinha me levava à ambientes mágicos, com teto em forma de cúpula, com furinhos em formato de estrelas dando vista diretamente pra um céu mais estrelado ainda…

Crédito: Mossaiq/Guillén Pérez, Flickr

Crédito: Carolina Naftali/Flickr

…grandes balcões de mármore quente e banho coletivo lógico.

 Crédito: la_imagen/Dietmar, Flickr

Tudo isso embalado por uma trilha sonora das arábias.

Este seria meu The Truman show.
Eu só tinha um micro medinho do lance do choque térmico (o banho quente e frio, frio e quente, aparentemente uma coisa tradicional) e de cair num Hamam nada “de família”, mas não parecia tão fácil evitar, e não é mesmo.

O mais perto que tinha chegado foi na Andaluzia mas uma gripe muito forte adiou os planos. Mas, uma vez no Marrocos, porque não experimentar?  Em Marrakesh fiquei sapeando uns dias, uns panfletos aqui, outro ali…medo. Tudo parecia meio suspeito. Mas finalmente, depois de um banho de chuva fenomenal em um final de tarde, resolvi aceitar a sugestão do Antoine da Riad Aguerzame e fazer um Hamam num lugar indicado por ele, o Riad 107 que fica no número (adivinha?) 107 da rua.

Ele me levou até lá, já que depois das nove da noite não pega muito bem uma mulher sair sozinha na rua. Nem fiquei surpresa quando a porta (numa rua feinha que dói) se abriu e apareceu um pátio bonito, meio moderno mas com inspiração árabe, com um tanque para banhos. Só achei muito…como vou dizer? Muito Spa. Lounge demais pra mim.

Vou pegar umas fotos do site deles, não fotografei.

Conversei um pouco com a dona do lugar, que logo me mandou para um quarto lindo, trocar minha roupa pelo biquini.

De lá fui levada pro lugar do banho, privado (?).

Era uma sala pequena, com paredes, balcões e bancos de cimento queimado branco, muito bonito mas nem de longe se parecia com o Hamam tradicional que sonhei. Desapeguei e resolvi curtir a coisa, que aliás era muito bem paga por aquelas bandas, o equivalente a 50 euros (!).

A saga, propriamente dita, começa mesmo quando chega a mulher que vai me “dar” o banho. É isso. Sabe que eu nunca tinha pensado neste ponto? Alguém vai te dar um banho e desde uns 5 anos de idade que isso não acontecia, a gente perde o costume não é?
E a mulher (vestida de bermuda ciclista e camiseta) chega animada, dando um banho pra valer, me ensaboando inteira. Éramos nós duas,  naquele calor do caramba, suando hor-ro-res! Foi nesta parte que comecei a entrar em conflito sobre a situação social dela e que provavelmente ela ganhava muito mal pra me dar aquele banho de madame. Me senti estranha, principalmente nas horas que ela reclamava do calor absurdo e de como aquele banheiro não tem ventilação.

Mas ela parece ter um certo gosto naquilo. Ela parece gostar de esfregar. É sabão, esponja, esfrega, esfrega, esfrega.
Quando você já se sente a pessoa mais limpinha do mundo pra ela a coisa só está começando e vai ficando cada vez mais constrangedora e dolorosa.
Depois a mulher saca de um pote com uma pasta arenosa e manda ver numa esfoliação hardcore – eu já disse que até aí a parte de cima do biquini já tinha ido? Muito a contra gosto, mas foi.
Quando sua pele está toda vermelha e fininha como papel ela vem e…adivinha? Te suja (ã?) com um banho de lama, lambuzando cada centímetro quadrado de pele exposta. E eu me agarrando ferozmente a minha última peça de roupa, a calcinha do biquini. Eu segurava e ela puxava, dizendo em “mimiquês” que assim não dava, que um bom banho só pode acontecer pelada mesmo. Me despedi de minha calcinha me sentindo a pessoinha mais vulnerável do globo terrestre e me entreguei pro banho de lama.
Mas ela não estava feliz. Aumentou a temperatura e me mandou deitar na laje quente e esperar um pouco.
Nem o vapor úmido foi capaz de evitar que aquela argila toda começasse a retrair e repuxar minha pele e me fazer pensar o que seria de mim se ela me esquece lá.
Mas ela não esqueceu e na volta veio com uma esponja mais light, pra ela lógico, porque pra minha pele aquilo era o máximo das agressões. Mas admito que estava relaxada…ou quase isso.
Banho de novo, enxagua, esfrega, lava mais uma vez (com um sabão ambar, muito comum no Marrocos que me lembra alguma coisa da infância mas não consigo me lembrar o que e acabei esquecendo de perguntar pra alguém).
Enfim veio o enxague com algo cheiroso, macio, morno e calmante.
Ela termina enxaguando minhas roupas e me entregando junto com os objetos de tortura, um souvenir (eu falei que ela até passou uma pedra nos meus pés? Ficou parecendo pé de recém nascido, juro. Tenho a pedra, feita de tijolo, pra provar)

Enquanto ela me enfia num roupão fofo pergunto do banho frio (aquele que deveria ser no tanque, no centro do jardim) e ela responde com um ar de malícia (tudo isso em mímica): “Não, isso poderia te deixar doente ou te matar!”

Então tá.

E minha experiência termina com um chá, almofadas e uma massagem muito boa com óleo de laranja, morno e refrescante ao mesmo tempo. Tudo empacotado com laços de cetim cor de rosa de uma música em estilo árabe.

Mais umas fotinhos do site.

Antes de sair dei tchau pra Donaesfregadeiracomgosto (quase não a reconheci vestida a la Marrocos, com lenço e tudo) e voltei pra jantar com Antoine e meu marido, feliz, flanando pelos becos vazios de Marrakesh…

…me sentindo limpa, leve e nascida de novo (e escorregando dentro da roupa e chinelos de tão lisinha que fiquei).

Não foi o que eu esperava mas foi uma experiência para se ter ANTES DE MORRER.

9 Comentários to “10 :: A EXPERIÊNCIA DE UM HAMMAM…”

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  3. Hi there

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  4. Adorei o Lugar!! Lindo!! Mas sei nao a respeito desta dita me dar banho hahahahaha

  5. Assim como o Emerson, o banho eu passo. Me senti estranho só de ler… rsrsrs :)))

  6. Fantástico. Minha esposa ia adorar esse banho, ela só não ia gostar de Marrocos porque odeia calor e sol escaldante.

    Já eu gosto de calor, e gostaria muito de conhecer Marrocos, só que o banho está fora da lista, eu mesmo me lavo.

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