Archive for agosto, 2010

27/08/2010

46 :: DESISTIR DE ALGO…

por 1000 coisas para fazer antes de morrer

…AS VEZES É NECESSÁRIO  (E NÃO TEM NADA DEMAIS NISSO)

E hoje eu li no blog Alhos e passas & Maçãs algo dolorosamente bonito.

“no instante da partida, há sempre uma demora, não do tempo — da vida”.
Do poeta português Jorge de Sena

As vezes vem a constatação de que um sonho precisa ser deixado para trás para viver, apenas viver.
Hoje, como todos os outros dias, começa outra parte do resto da nossa vida. Então, que venham novos dias, com novos sonhos, novos destinos e objetivos.
Talvez eu deva apenas pensar em uma viagem, fazer uma massagem ou comprar uma saia vintage e usá-la com uma sandália de salto alto muito sexy – e apenas respirar bem devagarinho.

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15/08/2010

45 :: CONHECER PERÚGIA…

por 1000 coisas para fazer antes de morrer

…NA ÚMBRIA, A (MINHA) CIDADE MAIS AFRODISÍACA DO MUNDO

Mesmo sem ser envolta em sonhos uma viagem pode virar “aquela” viagem. Assim aconteceu com a minha visita à Perugia, na Úmbria – a irmã menos célebre da Toscana.

Dica: a Perúgia é uma cidade universitária, do chocolate Baci Perugina (aquele que vem embalado com uma mensagem de amor) e da arquitetura com becos de pedra no estilo dos manjados filmes de época de Russell Crowe e Mel Gibson. É também a alternativa para hospedagem cara de Assis, a cidade que de Franciscana nada tem, apenas o nome.

E assim também fomos apresentados a esta cidade, rapidamente e sem muitos detalhes.

A chegada foi meio bagunçada, com chuva.

PARECE OU NÃO UM COMERCIAL DE CARRO? TOCAVA FELICITÁ NO CD

Sem reservas, tivemos um pouco de dificuldade em encontrar nossas opções de hospedagem. Achamos que era um lugar, não era. Achamos que era outro, também não, era uma casa e meu marido teve teve que multiplicar seu italiano para falar pelo interfone.
Acabamos batendo na porta de um hotel 3 estrelas muito jeitoso, fora da cidade histórica e um pouco fora do nosso orçamento, o I Loggi. Sem site (ã?), vai um link do google. A janelinha é exatamente a do nosso quarto).
Em cinco minutos de papo sobre a Fiorentina, Edmundo e sobre o futebol brasileiro o gerente não deixou a gente ir embora. Por sugestão dele ficamos pelo preço que iríamos pagar em outro lugar mais básico, o nosso preço.

I LOGGI

Malas ao quarto (que era um micro AP, com cozinha e tudo) e pegamos o caminho para a rua. Rumo? Cidade histórica, linda lá no alto da colina.

Tivemos uma linda noite em Perúgia. Andamos a pé para conhecer um pouco a pequena cidade para onde estudantes de toda a Itália se mudam para estudar, deve ser divertido morar lá.

Jantamos deliciosamente no Caffè di Perugia, um trio de café, restaurante e vinoteca.
A escolha foi pizza de presunto de parma (frio, colocado depois do forno, como deve ser), salada de rúcula com lascas de pecorino, peras escaldadas em algo doce que não tenho certeza do que é (já criei uma versão caseira com mel e aceto balsâmico), um mítico suflê de castanha do tamanho de uma avelã, quase sem gosto e que nos custou preciosos euros e…e…não lembro o 3º prato, nem a sobremesa. Quem sabe a foto dá a dica, vou ver.

É, ACHO QUE ERA ISSO MESMO: PIZZA, SALADA E O MICRO SUFLÊ

Andamos de mãos dadas, como dois namoradinhos, debaixo de frio e chuva. Paramos para comprar e dar Baci (beijos em italiano). Paramos muitas vezes para ajeitar nosso guarda chuva verde vagabundo (comprado de um camelô) que teimava em virar do avesso a cada rajada de vento.

CENTRO HISTÓRICO, O BACI E A PONTA DO NOSSO GUARDA CHUVA VERDE

O vento e o nosso guarda chuva nos venceram, achamos mais negócio voltar para o hotel, para nosso quarto de pedra (cuja salinha tinha vista para uma colina de oliveiras) para nossa cama, travesseiros e edredons fofíssimos. Encerramos nossa noite no maior estilo romance-barato-de-banca-de-jornal mas não perdemos a hora para o café da manhã (regado a todas as variações possíveis de Nutella) e para a visita à Universidade da Perúgia, com seu lindo horto medieval de ervas e sua basílica de São Pedro, com obra de arte de artistas famosos, como Rafael.

UNIVERSIDADE PERÚGIA

O que estava escrito no nosso papelzinho do bombom? Não lembro. Mas devia ter algo a ver com noite italianas inesquecíveis ou com situações extremamente afrodisíacas. Deve ter sido isso, dizem que o chocolatinho sempre acerta.

01/08/2010

44 :: TER UMA EXPERIÊNCIA GASTRONÔMICA…

por 1000 coisas para fazer antes de morrer

…E EMOCIONAL EM UM RESTAURANTE NOS ALPES

Em verdade vos digo que nem só de piquenique se vive. E digo mais! Uma experiência em um bom restaurante num lugar agradável e com pessoas queridas não pode ser desprezada, nem esquecida.
O La Clusaz, no Valle D’Aosta, Itália, é um bom lugar para para isso.

O dia já tinha sido perfeito depois de acordar na casa da famiglia italiana em Morgex, tomar um café da manhã demorado, conversar à mesa e fazer uma linda caminhada no Parco Nazionale Gran Paradiso, debaixo de um céu absurdo de azul e de um frio danado.

Bem que a gente podia encerrar a noite com um jantar substancioso e quente. Eu tinha pensado no Luca cozinhando, mas foi diferente.

Cansados, cheios de picão nas calças e tênis de caminhada, paramos o carro em frente a uma fachada nada promissora, comunzinha de tudo. Era umas oito da noite, fazia quase zero grau e o Luca e a Serena (nossos anfitriões) tinham reservado, de um jeito meio misterioso, este jantar para comemorarmos nosso reencontro, agora em terras italianas. Um parêntese aqui (acho que preciso explicar melhor quem são eles e a tal famiglia italiana, é uma longa história, mas fica assim só por hoje: a Serena é mais ou menos uma irmã mais velha que eu tenho, uma irmã queridíssima, personagem de uma história de 37 anos de separação e alguns poucos outros de reencontro, mais ou menos como seria numa péssima novela mexicana, com final feliz e tudo).

Assim que atravessamos a porta do restaurante entramos numa atmosfera aconchegante, com iluminação quente. Meu casaco deslizou suavemente do meu corpo para as mãos delicadas de um rapaz que o pendurou em um armário lateral (por um minuto me senti constrangida por estar suja de mato e terra e descabelada, mas passou logo).
O lugar tinha pé direito baixo, decoração rústica com toques de design moderno. Bom gosto.
Fomos silenciosamente conduzidos à nossa mesa com copos recém servidos de prosecco, soltando bolhinhas. E sala era tão bonita, parecia uma gruta.

Eles nos sugeriram um menu desgustação da cozinha típica das montanhas.
Não me pergunte o que comi, nem me lembro mais de tantos detalhes. Foram uma série de comidinhas (massas, sopas, frios) e vinhos tão gostosos que abraçavam meu estômago, tudo em pequenas e lindas porções e em diferentes formatos, texturas e tamanhos de pratos, todos brancos. Delicado isso.

Normalmente eu não bebo mas me empolguei nos vinhos e saí de lá levinha, quase flutuando. Meu marido, que também não bebe, bebeu, muito, mas não a ponto de ficar bêbado. Estava tão feliz e engraçado falando italiano alto (a bebida tem um efeito desinibidor de idiomas nele) que rimos disso até hoje.
E nosso anfitrião e motorista também bebeu bem e nos levou para casa tarde, naquelas estradas íngremes, cheias de curvas, pontes e precipícios dos Alpes. Fomos nos braços de Deus (que tem misericórdia das pessoas que nunca bebem e fazem isso só as vezes e sabem que não se deve dirigir depois de muitas taças de vinho) cantando Caetano Veloso, Pino Daniele e músicas italianas de gosto duvidoso (estas últimas sob protestos do Luca). Enquanto isso Bianca, minha sobrinha, cantava a temperatura do mostrador, torcendo para nevar. Una vera famiglia italiana.

Além de restaurante o La Clusaz é pousada, um charme.
O restaurante fecha as terças o dia todo e as quartas apenas no almoço.
Os preços são bem amigos, muito menos do que se gastaria em São Paulo em um restaurante do mesmo nível, sem neve em estradas alpinas com vista para cidades fofas.
La Clusaz – Locanda Ristorante – Gignod AO
Inn Restaurant – Gignod – Aosta Valley (Italy)
Tel. +39 0165 56075 – Fax +39 0165 56426
info@laclusaz.it