51 :: CHEGAR EM FES…

por 1000 coisas para fazer antes de morrer

…TARDE DA NOITE (DE ÔNIBUS, SEM NINGUÉM PARA TE BUSCAR, ETC, ETC, ETC…)

Enfim, chegamos.
Foi sem querer. Chegar em Fes quase meia noite e sem nenhum apoio para o traslado não estava no programa. A gente pensava em um pouco de estrutura na nossa estreia no mundo islâmico. Mas 45 horas após o horário programado de chegada, perdemos um pouco o controle, o que fazer neste caso?

Bom, fizemos o que estava ao nosso alcance.

Depois de ligar para o riad [riad é um tipo de hospedagem marroquina, compare os preços de se hospedar num riad ou em um hotel] descobrimos que os donos não estavam lá para reorganizar nossa chegada – nunca estiveram em Fes mas sim em Londres, onde moravam e nunca comentaram nada.
Meu marido improvisou. Me colocou de castigo num cantinho, sentada em cima das malas e saiu com o endereço na mão a procura de um táxi. Eu fiquei lá quietinha – vestindo regata e uns jeans que estava caindo de tão largo, figurino um tanto deslocado para um país islâmico – e sem menor coragem de colocar um casaquinho em cima do meu corpo suado.
Fui examinada por todos os pares de olhos que passaram, sensação estranha.

Não sei quanto tempo passou, mas demorou. Eu comecei a me preocupar com o destino do meu marido.
Imaginei bandidos sequestradores e nele esquartejado em algum canto sujo e escuro. A coisa mais leve que pensei foi num roubo seguido de surra. Que agonia.

A RUA DO NOSSO RIAD E SUA PORTA

Depois de um tempão ele aparece super confiante, acompanhado de um moço.
Sem dar muitas explicações diz: “Pronto, resolvi tudo. Este cara me emprestou uma moeda, fiz uma ligação de uma cabine, peguei algumas indicações, ele tem um táxi, vai nos levar lá.”
Certo, não tive forças para resistir, não tinha uma opção melhor mesmo. Sem contar que eles já estavam melhores amigos, quase separados ao nascer. E lá fomos nós pela noite de Fes, pagando 150 dirhams, cerca de € 15 (que depois soubemos ser um absurdo de caro) para um desconhecido, aparentemente suspeito, nos levar sabe Deus para onde.

Saímos da cidade nova e entramos na medina que por acaso era o lugar que eu fiz questão de ficar hospedada, para sentir mais o clima do lugar blá, blá, blá.
Para a gente se perder foi coisa de cinco minutos, eu passaria a eternidade vagando por aquelas nove mil e tantas ruas (como eles gostam de enfatizar repetidamente) se ele me largasse lá sem um mapa – e com um mapa também. Quando a coisa estava feia e eu estava começando a pensar que tudo aquilo era um castigo por criticar turismo na Favela da Rocinha o carinha para o carro, solta um “wait, please” e larga a gente sozinho.
Foi aí que comecei a entregar minha alma para Deus e pedir perdão por todos os pecados, maledicências, pelo cinismo, pelas vezes em que peguei o pedaço de bolo maior deixando menor para meu marido que ama doces.

UM CLOSE

Mas olha que coisa fofa o rapazinho marroquino de inglês britânico. Ele tinha descido pra achar uma lan house (engraçado uma lan house ali) para acertar direito a localização do riad. Sensacional, muito moderno isso.
E depois ficamos sabendo que, de verdade, não corremos risco nenhum ali. Não tem nada a ver com o perigo do Brasil, a coisa é bem pacífica.

Depois de umas erradas aqui e ali – e de inclusive bater numas duas portas erradas – ele bateu na porta que eu torcia para ser a minha desde a hora que entramos na rua.
A porta se abre, aparece uma moça baixinha e diz, ao mesmo tempo em que um cheiro gostoso e uma luz quente vazavam do ambiente aconchegante logo atrás dela: “Good night, my name is…Marikà, nice to meet you.”

ARE BABA! NÃO, ISSO DE OUTRA NOVELA, HEHEHE…

Enfim, o Marrocos versão “O Clone” (sim, a novela da Globo) começava ali.

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