Archive for janeiro, 2011

27/01/2011

69 :: COMER SEU PRIMEIRO, SEGUNDO…

por 1000 coisas para fazer antes de morrer

…TERCEIRO, CORNETTO EM ROMA

Croissant, media luna ou cornetto para os romanos – minha versão preferida, um sonho atiçado por uma reportagem que tinha lido, ponto para as reportagens de viagens bem escritas.
Nomes diferentes para uma coisa bem parecida, um clássico folhado de padaria.

Na mordida percebe-se aqueles furinhos tão característicos da massa levemente amanteigada, folhada por dentro e crocante por fora.
O simplezinho, sem nenhum recheio, já satisfaz, lógico. Porém, meu preferido é o recheado com Nutella.
Antes de espalhar (e derreter) pela sua boca, preenchendo cada cantinho com uma mistura incrível de calorias felizes pode-se dizer que ocorre uma sequência de experiências quase espirituais.
Pense num massa fresquinha, delicada, pouco resistente. Agora se imagine mordendo esta coisa boa.
Ouve-se o barulhinho de “creck” da camada crocante da danada cedendo, depois a leve nuvem de açúcar de confeiteiro paira por segundos em frente ao nariz. Logo em seguida vem a travessia da massa folhada macia, levemente amanteigada.

Os dentes e a língua atingem o creme de avelã que, sem prática, pode fugir para os cantinhos da boca – apenas mais uma detalhe para fechar o cenário quase infantil de migalhas e açúcar espalhados pela roupa.
Precisa-se prática para acertar a mordida sem esta sujeira toda e para se conseguir a prática nada melhor que treino. Treina-se também em outras versões  igualmente deliciosas: massa integral com mel, recheado de geleia de diversos sabores, chocolate amargo, creme…

E me lembro do meu primeiro cornetto em um boteco perto do meu Bed and Breakfast numa ruazinha nos arredores do Coliseu – que era só bed e o dono ranzinza dava um vale breakfast para este café da vizinhança. Saímos ganhando, era um lugar bem interessante. O nome? Não sei. Uma foto? Não deu tempo. Talvez, vendo no google? Achei ó: este é o link com a foto meio de lado do bar, onde tem aquela letra T.

É bem provável que em outro boteco meio encardido, num charmoso café ou em um pastifício chiquetoso tenha um bom cornetto te esperando, pronto para ser mordido com…gula? Não, não é este o pecado capital associado a ele. Luxúria cai melhor, muito melhor.


Anúncios
11/01/2011

68 :: AGRADECER, MUITO, SEMPRE…

por 1000 coisas para fazer antes de morrer

…E FAZER BOM USO DA SUA VIDA

Há um ano eu estava passando uma aflição danada em que muitas questões na vida foram colocadas na mesa. Sonhos, planos…
A vida do meu marido, meu companheiro de tantos anos, poderia ser interrompida assim, de uma hora para outra, por um problema agudo de saúde.
Neste momento é inevitável a gente dar um mergulho de cabeça na pieguice e pensar: o que vale a pena na vida de verdade? E resposta vem rapidinho: viver.

Este sempre foi um dilema conjugal, as vezes causava uns arranca rabos. De um lado era eu achando que respirar é pré-requisito, que é o mínimo para viver. Do outro ele defendendo que respirar era tudo, era o suficiente, que era só isso mesmo. Acordar, respirar e pronto, estava feito.

Não há como negar que durante esta experiência fomos agraciados com uma sequência de bençãos. Uma sequência de coincidências felizes começaram a acontecer e nos levaram a um final feliz. É lógico que tudo isso nos fez sentir especiais, abençoados, mesmo sem ter feito nada especial para merecer.


Qual o saldo disso? Ah, aí fica a grande lição. O meio termo das duas opiniões parece ser o ideal, como quase tudo na vida.
Viver o HOJE, sempre é essencial, e eu estou aprendendo a fazer isso. Acordar e dar valor por ter esta grande oportunidade, abrir a janela e ver o céu e dizer obrigado. E daí? Acabou? Continuo achando que não. Acho que tem que viver bem, com qualidade, com intensidade. Brigo comigo mesma, todos os dias, para desfocar das minhas frustrações e desviar meus sentimentos para o resto, que no fim é a maioria das coisas.

E ali estava eu, na linha fina do possível fim da minha história a dois (minha história de amor) e fazendo a inevitável retrospectiva do que tinha valido a pena. As questões que disputamos? Os bens que juntamos? Ter bens materiais é bom, sem dúvida. Não são muitos mas nos dão segurança. Ter uma casa própria nos dá segurança, por exemplo. Mas definitivamente não são coisas essenciais.
As questões discutidas nos fazem crescer, sem dúvida, mas a gente não precisava ter perdido tanto tempo nelas, menos teimosia sempre é melhor. Passamos por coisas lindas e outras difíceis. Nos apoiamos em momentos dolorosos, passamos por perdas e passar por isso também tem sua beleza na vida a dois.

Mas não posso negar, nas minhas lembranças ficariam um lugar especial, muito especial, para as coisas que curtimos juntos, a viagens que fizemos, as risadas que demos de nós mesmos.

Ganhei uma coisa bem boa. Tenho uma enorme consciência de que somos mortais, que não precisa existir necessariamente um problema de saúde para tudo terminar. E isso me faz viver, no melhor sentido da palavra.

Então, posso dizer com certeza, uma opinião muito particular. Não me arrependo das apertadas no orçamento para viajar. Das coisas mais dispensáveis que abri mão para…adivinha? Passear ou, adivinha de novo. Viajar!
Nestes quase 20 anos de casamento demoramos mais tempo para realizar algumas coisas mas se tudo tivesse terminado poderíamos ter dito: do nosso jeito, tivemos uma VIDA juntos.

Obrigada Deus, por ter o privilégio de um ano depois, poder dizer isso com tanta alegria. Muito obrigada mesmo.

 

09/01/2011

67 :: ANDAR (E COMER) NO MERCADO…

por 1000 coisas para fazer antes de morrer

… LA BOQUERIA, EM BARCELONA

O La Boqueria é bonitão, barulhento, divertido e fica na Rambla que por si só já é bem alto astral.

Tudo bem, é um programa manjado, mas é dos bons para quem gosta de mercadão, de ver comida e tal.

As mercadorias muito bem organizadas, expostas com primor.

Coisa bonita de ver. Limpinho. Os pescados são muito frescos! Nenhum vestígio de cheiro ruim.

Será que eles vendem tudo isso no mesmo dia? Acho que sim, né?

Uma infinidade de tipos de cogumelos.

Frutas variadas, docinhos…

Paraíso dos gourmets e para quem gosta de jamón.


Ah, levamos lascas para fazer piquenique no quarto, a noite.

Enfim, o La Boqueria é mesmo um programão. Se for na hora do almoço, melhor.

Bem que tentamos comer no Pinotxo, bar bem frequentado (Ferran Adriá dá a pinta por lá) mas a comida tinha acabado (tarde demais para o almoço, cedo demais para o jantar…coisas da Catalunha).

É. Não foi uma troca injusta, não consigo imaginar quanto poderia ter sido melhor no bar famoso.
O nome do lugar? Vixe. Não lembro. Olhando com muito esforço e boa vontade na foto tem um “Bon App…” gravado no prato. Não sei se tem a ver com o nome do lugar ou uma saudação educada. Meu Deus, quanta bobagem! Achei o bar. É o Kiosko Universal. Tem até o mapinha do danado, é o 691, bem no pé do mapa.

Bom apetite?! A gente já estava babando com aquele aspargo fresquinho sendo grelhado ali na nossa frente, apenas com sal grosso, com uma tampa de panela por cima, crocante e perfeito. Mais uns peixinhos, camarões (que eu não curto muito não) e uma coisa que eu morria de vontade de comer desde que tinha visto numa foto da Suz, do Segura em desemprego: a navajas, um molusco compridinho e delicioso.

Ah, o cardápio não foi escolhido, era o que tinha. Não tenho do que reclamar.

Almoço sensacional, não chega a ser nenhuma pechincha mas é quase baratinho…hehehe.

O La Boqueria é um prédio histórico simpático (não tão bonitão quanto o Mercadão de São Paulo).
Fica do lado direito, quase no meio da Rambla, para quem desce. E tem o site, né? boqueria.info
Eu iria antes de morrer. E a Espanha é um daqueles destinhos que sempre tem uma promoção ou passagem baratinha.

04/01/2011

66 :: FOTOGRAFAR UMA NOIVA…

por 1000 coisas para fazer antes de morrer

…NA PLAÇA CATALUNYA EM BARCELONA

Eu acho tão romântico ver noivos sendo fotografados ao livre, em praças, monumentos, jardins…
Em plena segunda feira, no meu primeiro dia de viagem em Barcelona, vi este casal simpático sendo fotografado.
Eles pediram uma ajudinha para dar um susto nas pombas, pra foto ficar mais animada. Ajudamos – e fotografamos.

1, 2, 3 E JÁ!!!

Esta foi de minha autoria, em película, em um único clique (que só vi o resultado depois de uns 30 dias).

Não sei se a fotógrafa conseguiu o resultado desejado.
Tive pena de não ter o e-mail dos noivos, eles iriam gostar desta imagem que tenho deles, em um momento tão especial, congelado.

 

 

02/01/2011

65 :: ANDAR POR ALHAMBRA…

por 1000 coisas para fazer antes de morrer

…EM GRANADA, ESPANHA

A MELHOR VISTA E ALHAMBRA, DO BAIRRO JUDEU

Pátios assombreados, brisas frescas, romãzeiras em flor.

PALÁCIO NAZRID, NO ALHAMBRA

Poderia ter sido em Contos de Alhambra – livro de Washington Irving que nunca terminei de ler – mas quem embalou o enredo ao encantado mundo mouro foi o livro Sombras da romãzeira, do paquistanês Tariq Ali.
O história se passa no fim do século XV, a data final dos últimos muçulmanos na Espanha, história que terminou em vermelho-sangue. Vermelha também é a granada, romã em espanhol e da mesma matiz é Alhambra, que é uma derivação da uma palavra árabe que significa vermelho.

Não sei se a cidade murada descrita no livro existiu literalmente. É sim, factível. O que posso dizer com certeza é que as imagens vistas – em sites e revistas – de Alhambra, serviram de referência para minha imaginação literária e virou a minha cidade particular, meu cenário. Pessoas se refrescando naqueles jardins em noites enluaradas, amores escondidos e quem sabe até proibidos…

ARTE MOURISCA

A beleza do Alhambra justifica muito bem o título de Patrimônio Histórico da Humanidade e sem dúvida alguma é algo para se fazer antes de morrer. No meu caso foi quase isso. Fiz esta visita aos trancos e barrancos, muito gripada e com dor em todos os ossos. Mas valeu a pena. É um ambiente único, histórico e poético.

O BARULHINHO DE ÁGUA É CONSTANTE

Para ser bem sincera não vou saber explicar em detalhes cada visita às quatro partes do Alhambra. Além de já fazer algum tempo eu não estava na minha melhor forma. Então o que ficou foi a experiência, as sensações, o frescor do passeio. Não, não vou escrever que foi uma sinfonia de cores, sons e aromas. Mas foi! Hehehe.

Palácio Nazrid última criação mourisca. Não dá para visitá-lo a hora que bem entende. No ato de validar o ingresso comprado pela internet (é bom fazer isso se a viagem estiver programadinha) eles te avisam qual teu horário para a visita ao Palácio. Tem uma fila e-nor-me. Muito cuidado na hora de comprar o ingresso pela internet, pagamos o mico de comprar para a data errada (sabe-se lá porque) e na hora não foi possível validar para aquele dia. Tivemos que comprar outro, prejuízo de alguns euros. Ainda bem que não era alta temporada, senão…vai saber se teríamos conseguido. Para o dia todo fica 12 euros mas dá para comprar por partes. Algo como 6 euros para ver apenas os jardins. Melhor consultar o site, sempre.

Generalife meu preferido, não é atoa que a maioria das fotos deste post são dele.
Era o palácio de verão, cheio de jardins e fontes.

Alcazaba fortaleza militar cujas muralhas são vistas de longe

Palácio Carlos V palácio renascentista, diferente das outras coisas que se vê por lá. Abriga museus, foge um pouco do clima. Eu não chegaria ao extremos de dizer que não vale a pena ver, mas gastaria mais tempo nas outras partes.

Para quem quiser uma visita guiada particular, para seus amigos, família, igreja, etc…tem que dá para fazer um orçamento.