Archive for fevereiro, 2011

27/02/2011

73 :: COMER TAPAS NO BAR LAS TERESAS…

por 1000 coisas para fazer antes de morrer

…NO BARRIO SANT CRUZ, A ANTIGA JUDERIA DE SEVILHA

Adoro as comidinhas da Espanha – as comidonas também.
Me acabei nas tapas, as porçõezinhas para se comer antes do tardio almoço espanhol, acompanhada de uma bebidinha…

Nossa estreia com estas porçõezinhas  foi numa conhecida casa de tapas, a Tapa Tapa, em Barcelona.
Foi gostosinho e tal mas me senti no – Mc Donalds, seria demais – Bob’s das tapas. Eu queria algo mais, aquele lugarzinho com cara de tradicional. Acho que é mania de paulistano que adora um boteco fake, copiado dos tradicionais botecos cariocas. Vai entender…

O bar Las Teresas, em Sevilha, foi um prato cheio (oi!), literalmente. Tropeçamos nele meio por acaso mas era aquilo mesmo que a gente queria.

A comida era boa, gostosa. Não lembro se era excepcional mas indicaria como algo honesto, foi honesto sim.
E, não posso esquecer que desta experiência trouxemos algo para o cardápio da nossa casa: pimentões assados em tiras longas e largas, servidos com queijo de ovelha (a gente adapta a falta do queijo certo :d).

Porém, o legal deste bar é a atmosfera, o enredo, a rua estreita no Barrio Sant Cruz, o ambiente de decoração pesada de madeira e ladrilhos, o cardápio sem fim – daqueles que dá náuseas só de pensar que terá que fazer escolhas – e os garçons que te tratam com casca e tudo.

Enfim, a Espanha clássica.

Anúncios
22/02/2011

72 :: TOMAR UM CHÁ DE AMÊNDOAS…

por 1000 coisas para fazer antes de morrer

…EM UM SALÓN DE TÉ EM CÓRDOBA

Sempre digo que costumo imaginar algumas as coisas bem melhores do que elas realmente poderiam ser. Não custa repetir, quem sabe tomo vergonha e perco o hábito.

Um exemplo clássico: noite em Córdoba, pouca vontade de jantar e uma oportunidade para fazer uma daquelas coisas que estava na listinha de turista: tomar um chá em uma teteria andaluz, com doces árabes, clima incrível, odaliscas, véus esvoaçantes, tambores de tribos espanholas nômades falando um raro dialeto marroquino, enfim…minhas viajadas.

Na manga, o Salón de Té, um lugar super bem indicado. Vale a pena entrar no site, a música é tão bonita…

Bem, o lugar era mesmo bonito, tinha uma linda carta de chás e sucos exóticos.
Pena que faltou a música, as dançarinas, os véus, o clima. Faltaram as pessoas também e a boa educação do cara que atendeu. Uma outra coisa que faltou foi o tal suco de romã que meu marido pediu, feito com um tipo de groselha (oi?) mais artificial impossível. Os doces eram assim-assim, normais. Nem de doces árabes eu gosto…mas ele adora, tadinho.

Bem, o chá. Fomos lá para tomar chá, certo? Pedi um chá de amêndoas.
Foi o melhor chá de todos os tempos, de todos os chás conhecidos no mundo mundial. Era o mesmo que encher a boca com uma cápsula morna de amêndoas liquidas. E  o aroma? Divino. Nunca pensei em gastar tantos adjetivos em ervas que ficam de molho em água quente.

O resto foi uma grande roubada. Ainda bem que nosso humor estava estratosférico e tivemos um acesso de risada que custou a passar. Cada puxada de canudinho no suco fake de groselha feita na China (não vi, mas tenho certeza que era feita na China) que meu marido dava era um acesso de risada mais descontrolado, e besta, daqueles de quem não sai de casa só para se dar bem.

Com tudo perdido tiramos muitas fotos (ruins, com dá para perceber) sem vergonha de ninguém já que não tinha ninguém de quem sentir vergonha.

E, pensando bem, esta música do site, que deixei em background, está me deixando enjoada.

 

21/02/2011

71 :: IR DO AEROPORTO, COM UM PIT STOP…

por 1000 coisas para fazer antes de morrer

…NO HOTEL, DIRETO PARA MONTJUÏC, EM BARCELONA

Jogar as malas sobre a cama, se trocar (ou não) e sair a pé, reconhecendo o terreno. É meu ritual na chegada em uma cidade nova. É infalível, seja para um sorvete a meia noite ou um passeio mais elaborado, se o voo chegar cedo.

Chegamos em Barcelona mais ou menos uma da tarde. Dia lindo, temperatura perfeita, próxima dos 20°.
O céu azul de doer nos convidava para começar por Montjuïc, o morro ao sudeste da cidade, que abriga o Museu Nacional d’Art de Catalunya, jardins, museus, um castelo, muita história…e uma vista linda da cidade.

Pequenos trechos a pé, de metrô, de funicular e o simpático teleférico nos levaram rapidinho ao topo da cidade.

Uma visitinha leve ao Castell de Montjuïc e seu telhado de onde ficamos um tempão olhando a cidade…

…o céu e o mar que banha Barcelona.

Em um jardim, de onde se avista um bairro cheio de prédios e um outro monte, compramos duas granitas (a versão catalã da nossa raspadinha) e ficamos curtindo, vendo um grupo de amigos, com suas famílias e filhos pequenos. Eles comiam, tomavam vinho, cantavam e tocavam violão.

Ouvindo aquelas músicas de ritmo cigano fiquei imaginando se alguém da minha família teria habitado aqueles montes em alguma época distante.

Esta foi minha primeira Barcelona.

 

 

 

 

 

05/02/2011

70 :: PEDIR UM CAFÉ EM UM PAÍS ONDE O…

por 1000 coisas para fazer antes de morrer

…CAFÉ TEM QUASE (QUASE?) A MESMA IMPORTÂNCIA DE UM ESPORTE OLÍMPICO

No mesmo café onde comi meu primeiro cornetto italiano foi onde vi, in loco, o que já tinha visto na animação onde Bruno Bozzetto satiriza as diferenças entre os italianos e o resto da União Europeia.
É uma bagunça danada, um bolo de gente pedindo: caffè normale, latte macchiato caldo, latte macchiato freddo con cioccolata, corto, nero, espresso. Haaaaaaaaaaaaaaa! Socorro.

Bem que fiquei procurando a lista interminável escrita em algum lugar, um quadro destes que tem em São Paulo com os preços do pão com manteiga, sabe? Não tinha. Acho que pedi um cappuccino – ainda bem que era cedo pois fiquei sabendo depois de cappuccino só se pede até as 11:30 (oi?) depois é ofensa.
Logo descobri meu café: café com leite clarinho, dois dedos de espuma, chocolate em pó por cima, sujando o pires que vinha sob o copo alto, de alça e pezinho, uma espécie de xícara-taça. Ou seja: latte macchiato caldo (muito importante, senão vem freddo!) con cioccolata. Agora sei mas antes de descobrir tomei vários que, ora faltava o chocolate, ora a xícara alta de pezinho, ora era escuro demais…

Pedidos que parecem tão especias (con schiuma, sensa schiuma, freddo, calda, ristretto, lungo…) são cantados no bacão onde os atendentes fazem a mágica de desfazer o bolo de gente rapidinho, sem ajuda de bloquinho de anotações, até outra horda esfomeada por doces e cafés invadir o recinto. Por alguns dias observamos os mesmos operários, engravatados, jovens barulhentos, a mulher chique de bicicleta, o homem acompanhado de seu cachorro vira-latas que era a cara do meu médico – o homem, não o cachorro – se acotovelando para o ritual do café antes do dia começar.

E para todos que iam, a saudação: una buona giornata.

Uma lista de um monte de maneiras de pedir café em italiano. Sensacional.
Nota da autora: até hoje meu marido  me faz este leitinho, com a xícara igualzinha que ele comprou aqui  mesmo, em São Paulo.