Archive for março, 2011

27/03/2011

77 :: ANDAR PELA JUDERIA…

por 1000 coisas para fazer antes de morrer

… E SOBRE OS PASSOS DE MAIMÔNIDES, DE CÓRDOBA

Córdoba não foi meu sonho, foi emprestado do meu marido (um leitor voraz de romances históricos).

Como outras cidades do sul da Espanha, Córdoba tem um bairro judeu; e este bairro traz uma particularidade, em suas ruas andou Maimônides, o maior filósofo da idade média – o médico do livro “O médico de Sefarad”.

Entre uma história e outra o autor do livro, César Vidal, goteja pensamentos da cultura judaica e do próprio personagem.
“…começar bem o caminho, compreender que a sabedoria procura sobretudo organizar a vida e preocupar-se principalmente em ser fiel a ela sem dar importância aos aplausos ou insultos dos demais são passos indispensáveis para continuar no caminho que conduz à sabedoria. Talvez por isso não devêssemos estranhar tanto o grande número de estúpidos que encontramos ao longo de nossa breve existência.

Ou.
“…não podemos construir nosso presente e nosso futuro sobre o passado. Aquele tempo que não voltará nunca como agora nos vem ao coração, e a falsa aura com que o envolvemos só tem como efeito real o de nos impedir de desfrutar o presente e de afastar-nos de um futuro que poderia ser feliz. Trata-se de um tributo demasiado alto, pago em troca de matéria decomposta.”

Isso poderia estar escrito na Bíblia ou na Torah. Porém, eu estava nas ruas de Córdoba, parte do cenário onde o enredo do livro se desenvolve. Não dava para não curtir o momento, pensar naquele livro, na história, no sofrimento deste povo reproduzido na figura de um homem tão sábio e enfim seguir meu marido na procura pelo ponto onde existia o busto do filósofo onde se lia as incrições:

Ben Maimonides
Teologo, Filosofo, Medico
Cordoba 1135 El Cairo 1204


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13/03/2011

76 :: COMER UM CACHORRO QUENTE…

por 1000 coisas para fazer antes de morrer

…NOS FUNDOS DA CATEDRAL DE NOTRE-DAME, EM PARIS

A NOTRE DAME DE UM ÂNGULO MENOS CONHECIDO

A frase é familiar: “Hummm, aquele café ou pastel ou doce ou sanduba, etc) de X lugar…”
No caso o sujeito foi o cachorro quente de Paris.

Mensagem recebida e registrada. Daí acontece Paris nas férias, um tempão andando pelas ruas deliciosas de Île de la Cité (uma ilhota do Rio Sena de mais ou menos 1km), uma fominha boa…
…um jardim bem maneiro nos fundos da Catedral de Notre-Dame, folhas amarelinhas de outono e – ah! – uma espelunca vendendo cachorro quente parisiense. Pronto.

O CENÁRIO. MELHOR QUE COMER VENDO TV

TRANQUILO...

O cachorro quente nem era grande coisa – além de estar meio frio. Mesmo assim foi a paradinha charmosa do dia e uma coisa bem divertida para se fazer antes de morrer.

NÃO É PIADA DE CACHORRO QUENTE. CACHORRO MAIS FOFO EM FRENTE AO LUGAR DO CACHORRO QUENTE

 

06/03/2011

75 :: PIAZZA NAVONA. HISTÓRIA, ARTE…

por 1000 coisas para fazer antes de morrer

…MÚSICA E UM SORVETE ESPECIAL

FONTE DOS MOUROS. BERNINI? SÓ NA ESCULTURA CENTRAL

Há uns meses tive um sonho. Eu estava em uma praça barulhenta, muita gente falando…lugar animado.
No sonho eu me esforçava para entender onde era aquele lugar mas não conseguia ver, apenas ouvir. Estava sentada em um banco e ali fechei os olhos e como um cego me concentrei nos sons e no idioma.

Itália! Eu estava na Itália, em Roma, na Piazza Navona!
No sonho, joguei a cabeça para trás, relaxei e pensei: “Vou ficar aqui, de olhos fechados apenas ouvindo as pessoas falando em italiano.”

E acabou. Pena que era sonho.

A Piazza Navona é conhecida por ser uma das praças mais bonitas do mundo.
O formato da praça – em nave, por isso o nome Navona – é o mesmo do local sobre o qual ela foi construída, o Stadio di Domiziano, nome do imperador que mandou construí-lo no ano 86 d.C. (dizem que tem um buraco meio escondido de onde se vê as ruínas deste estádio).
A praça é circundada por prédios em arquitetura barroca, de uma reconstrução de 1664. Da mesma época são as fontes de Bernini: Del Moro e Dei Quattro Fiumi (em restauração quando eu fui) que simboliza os quatro rios do paraíso – Danúbio, Nilo, Prata e Ganges – e os quatro continentes do mundo conhecido na época: Ásia, África, Europa e as Américas.

Nem sei explicar o motivo pelo qual gostei tanto dela, nem tem jardins…
Acho que são os prédios, o colorido, as pessoas, os artistas, o número de turistas misturados aos velhinhos italianos. Ou talvez tenha sido um golpe de sorte tê-la conhecido em um dia outonal de 20 e poucos graus, céu azul, músicos tocando clássicos italianos em seus acordeons e uma simpática senhora rodopiando em torno de si, pela simples felicidade de estar…feliz? É, ela parecia feliz e meio embriagada.

É isso, esta piazza me deixa feliz.

FONTANA DEI QUATTRO FIUMI, EM OBRAS

E tem um restaurante-café-gelateria, hum…a Tre Scalini, antiquíssima.

Em casa ela é lembrada como o melhor sorvete da vida do meu marido: amarena variegata (nada mais nada menos que sorvete de nata com veios de cereja).

Não sou tão tarada por sorvetes ao ponto de lembrar o sabor do meu mas não resisti e entrei neste link, ó: a webcam na Piazza Novona.

Alguém mais está ouvindo, bem ao fundo, “The Godfather”? Não? Não?

02/03/2011

74 :: SHOW DAS FONTES MÁGICAS…

por 1000 coisas para fazer antes de morrer

…DE MONTJUÏC, EM BARCELONA

Chegada complicada em Barcelona. Uma mala supostamente extraviada, registrada como perdida e encontrada (por mim) em um quartinho obscuro. Lojas fechadas para comprar uma pilha esquecida em casa, e apenas aquele dia para ver o espetáculo de águas na La Font Mágica, que fica nas escadarias e alamedas em frente ao majestoso Museu Nacional d’Art de Catalunya, lá em cima, em Montjuïc. Era o último, aos domingos, antes do inverno.

Desistimos da tal pilha – e de comprar um cartão telefônico para avisar nossos pais da chegada (dado importante em tempos de barradas de brasileiros na entrada à Espanha) e pegamos nosso lugarzinho, no guarda corpo, bem em frente a fonte.

É brega, não vou mentir. Porém, um brega bonito – e bem feito. Tá bom, é uma coisa impressionante.
Imagina. Uma escadaria enorme (uns 200 ou 300 metros, talvez?), repleta de fontes, seguida de um patamar, onde mais gente se aglomera, e enfim a Av. de la Reina Maria Cristina, que tem um canteiro central de fontes e vai dar na Plaça d’Espanya.

SEM A FOTO CERTA FICA DIFÍCIL, MAS DÁ PARA IMAGINAR ESTE CAMINHO TODO ILUMINADO POR FONTES DANÇANTES, COM FORMATOS E CORES DIFERENTES?

A música começa tímida, com umas aguinhas pulando aqui e ali e vai ganhando potência, cor, ritmo…bem sincronizado. É uma pena, eu não tem “a” foto da coisa grandiosa (não tem nada a ver com o shor de águas de Poços de Caldas. Não que eu não adore Poços, mas não é exatamente por seu show das fontes luminosas).
O repertório varia de eruditas a pops e culmina (imagina?) em Barcelona, com Fred Mercury e Montserrat Caballé. Mais clichê impossível, e emocionante. Pense no primeiro soprano, a todo pulmão: “Barceloonnaaaaaaa. BarceloonnaaaaaaaAAAAAAAAAAA”.

Resultado: nó na garganta, os olhos se encheram de lágrimas e eu disfarçando: “Oi, vamos ali, comer umas tapas!” ou então “Olha, o passarinho, que bonito.” ou no clássico “Entrou um cisco no meu olho.”

E meu amor por aquela cidade, que já havia comecado bem, no passeio de fim de tarde em Montjuïc, estava totalmente consolidado.
Sou facinha, facinha…