Archive for abril, 2011

27/04/2011

79 :: SE DEIXAR SER FOTOGRAFADA…

por 1000 coisas para fazer antes de morrer

…DIRIGIDA, DE POSE MESMO.

Acho que não precisa lá de muitas palavras…momento único, feliz, em uma noite chuvosa de outono em Florença.
Estava um frio daqueles e eu tinha perdido minhas luvas de couro falso compradas num barraquinha em Roma (ainda não sabia que tinha perdido, mas tinha), tinha andado o dia todo debaixo da garôa fina e meus pés só não estavam molhados porque estava usando uma bota impermeável, forrada de pêlo de não sei o que, que me deu uma baita dor na canela depois – não era tão confortável a danada, mas na hora parecia que era.
Nesta noite compramos um bicho de pelúcia do Ratatouille para a Thathá, minha sobrinha mais velha das sobrinhas meninas. Ela adorou, ele ainda existe todo encardido e da última vez que o vi morava na casa da gata, que já morreu. Nesta mesma noite entrei em uma loja da M.A.C. e fui mal entendida por uma biba mal humorada e acabei não comprando o lápis que deixaria meus olhos parecidos com os das italianas que tinha visto no metrô. Não lembro se já tinha ido ver a ponte cheinha de coisas de ouro que nem se eu estivesse podre de rica compraria, de tão brega. Não sei também se a gente tinha jantado ou se jantou, esqueci. Mas sei que neste dia a gente se perdeu legal, pegando um certo (errado, na verdade) ônibus que um velhinho meio cego e meio manco nos indicou e que nos fez parar no fim do mundo.
Num destes vais-e-vens vi uns ratos (ratões, não ratinhos) atravessando uma praça, e pior, eu tinha que atravessá-la para pegar o ônibus certo.
Foi, sem dúvida, uma linda noite chuvosa de outono…de verdade. Mesmo que as palavras as vezes digam algo contraditório, como “ratos” e “linda” na mesma frase. Esta foto eternizou o momento mágico, enfeitado com gotinhas douradas no meu guarda-chuva que combinavam com os brilhos da gola rolê da minha blusa recém comprada na José Paulino e com o brilho sintético do meu trench coat (sempre achei que usaria esta palavra chique: trench coat!) comprado não sei onde. É isso que vale :*}
ps. repara, o cenário também é dourado, com a Ponte Vecchio ao fundo.
ps2. eu fiquei bem na foto. Logo eu que mostro a língua, faço caretas e entorto o olho na hora do click!

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26/04/2011

78 :: VER A TORRE DE PISA…

por 1000 coisas para fazer antes de morrer

…NEM QUE FOR POR MEIA HORA

Que atire a primeira pedra quem nunca pensou em ver um cartão postal meio brega.
O que seria um cartão postal brega? Não sei explicar direito mas só sei que considero a Torre de Pisa bre-guí-ssi-ma.
Até eles concordam com isso e fazem uns souvenires ridículos demais, bem piores que bolsas em formato de Torre Eiffel, bem piores que imã de geladeira comprado no Caminito, bem piores que caneca com a carinha do Papa, tadinho.

Eu adorei ir à Pisa, foi rapidinho, legal e mais que suficiente para ver e sair correndo.

Lembrei dela hoje, vendo uma notícia na Folha: Restauro na torre inclinada de Pisa termina após 20 anos e juro que me deu saudades deste dia bregão.

Veja só. A gente estava indo de…de onde mesmo? Acho que de Siena para a Ligúria e desviamos nosso roteiro em uns 100 quilômetros só pra ver a tal da torre, tão famosa. Afinal, vai saber quando teríamos a mesma oportunidade, não?
Viemos por uma avenida que bem poderia ser em Florença, com rio, ponte e tudo. E eu me pescoçando toda, imaginando em que hora ela iria aparecer na minha frente…cadê, cadê?

Daí, assim, como quem não quer nada, tcham!!! Lá, depois de um portão, de um muro, de um mar de barraquinhas de tranqueiras e de um monte de gente eu vi aquela forma tão familiar, tão vista em logomarcas vagabundas (e outras nem tanto) de pizzarias – as marcas, não as pizzarias, não todas.

Ahá, não é que ela existe mesmo?! Nesta hora quase fui atropelada por um ciclista – cuidado, os ciclistas de Pisa são loucos. Ou isso ou eu estava acostumada com a vida (curtinha, de turista, uma vidinha mini de borboleta) nas cidadezinhas toscanas e estava meio fora do esquema cidade-mutcho-loca.
Enfim, depois de quase ser atropelada por mais uns dois ou três caras guiando suas bicicletas desvairadas e sem buzina eu fiz aquilo que ninguém deveria fazer mas faz. Eu tirei fotos empurrando, segurando, espalmando a torre. Meninos eu fiz! Fiz, eu fiz, fiz e gostei.

Se faria de novo? Talvez, se estivesse indo para a Ligúria, num dia de sol, com um tempinho para desviar 100 quilômetros do meu caminho…faria sim, e subiria para ver se ela aguenta meu peso.

E ficaria meia hora (de novo), pegaria a mesma estrada de volta, talvez para a Ligúria, para Cinque Terre de novo.