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14/01/2012

86 :: Voar de balão…

por 1000 coisas para fazer antes de morrer

…em Boituva

“Voar, voar, subir, subir, ir por onde for…”

Depois de tanto tempo sem escrever começo este post lembrando do Byafra. Foi quase impossível pensar em voar e não lembrar deste clássico brega “…repetir amor já satisfaz, dentro do bombom há um licor a mais…faça um sinal, cante uma canção sentimental em qualquer vooOOzzzz…”

Daí o que era para ser algo meio poético – sobre querer ser um passarinho para poder voar, sobre sonhos, sobre estas coisas todas que a gente diz quando pensa o quão bom seria poder se deslocar livremente pelo ar, rapidinho, sem trânsito, sentindo o vento no rosto – virou uma introdução brega para dizer que eu já voei de balão. E foi bom, foi diferente do que eu imaginava, foi melhor do que eu imaginava.

O ritual foi mais ou menos este. Primeiro a gente passou um frio mortal (dias de inverno são legais para voar), depois começaram a chegar pickups carregando cestinhas parecidas com aquelas de pão (elas não deveriam ser maiores, mais fortes?). Dos carros pularam pessoas sonolentas que logo começam a  montar vários montinhos de balões murchos em um descampado. E enfim, depois de horas vendo isso acontecer lentamente, baixou uma neblina de uma só vez e o dono do balão diz que se não sair em meia hora não sai mais. Meu dedinho (congelado) do pé quase derrubou lágrimas nesta hora.

Tudo bem, tem que saber brincar, tem que saber entender a natureza e blá-blá-blá.
Porém, as palavras mágicas vieram: “É agora, vamos voar.”

Subimos na cesta (que ficou menor ainda diante do enorme balão inflado) e fomos escorregando na horizontal pelo terreno de capim baixo. Uns caras foram guiando o balão na direção certa até ganharmos autonomia, nos disseram um “boa viagem” e…e….e…voamos.

É leve, quente e quase silencioso voar de balão. O chiado das bombadas de ar quente apenas embalam o fundo musical composto pelo vento, pássaros, muitos suspiros e exclamações dos voadores de primeira viagem. Não tem tranco, ele desliza lá pra cima rápido, as pessoas vão ficando pequenas e em minutos estamos dentro de uma camada de neblina. Mais uns minutos começamos a sair de dentro dela e os outros balões também, criando um clima surreal de gotinhas coloridas saindo do meio do algodão que forrava um céu absurdamente azul. Mágico.

A altitude varia bastante, fomos de muitos metros – não sei quantos mas o suficiente para ver as pessoas bem pequenininhas – até bem baixinho chegando a raspar o fundo da cesta em um milharal, até ouvir crianças gritando “mãe olha o balão”, até distinguir rosto das pessoas acenando para nós. Sabia que existe uma atração muito grande entre balões voando e braços acenando? Pois é, existe.

Eu não sabia que Boituva tinha uma área rural tão bonita. Sem exageros, parece a Toscana. Tem até rolos de feno!

Vimos vacas, cachorros estressados, pássaros passando pertinho, plantações, nascentes de rios, fazendas…

E chegou a hora de pousar. Veio tudo de novo, a gente voando baixo, o balão deslizando, os homens guiando para o melhor lugar…suave e simples assim. Uma hora de voo.
E assim acabou a hora mais rápida da minha vida.

Tem  muitas companhias que levam para este voo em Boituva. Eu fui pela Aeromagic que faz parte da Viva! Experiências. Um presente e tanto!
Espero, em breve, escrever sobre passeio de balão na Capadócia, Toscana, Vale do Loire, Austrália…

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