Archive for ‘Comer antes de morrer’

06/03/2011

75 :: PIAZZA NAVONA. HISTÓRIA, ARTE…

por 1000 coisas para fazer antes de morrer

…MÚSICA E UM SORVETE ESPECIAL

FONTE DOS MOUROS. BERNINI? SÓ NA ESCULTURA CENTRAL

Há uns meses tive um sonho. Eu estava em uma praça barulhenta, muita gente falando…lugar animado.
No sonho eu me esforçava para entender onde era aquele lugar mas não conseguia ver, apenas ouvir. Estava sentada em um banco e ali fechei os olhos e como um cego me concentrei nos sons e no idioma.

Itália! Eu estava na Itália, em Roma, na Piazza Navona!
No sonho, joguei a cabeça para trás, relaxei e pensei: “Vou ficar aqui, de olhos fechados apenas ouvindo as pessoas falando em italiano.”

E acabou. Pena que era sonho.

A Piazza Navona é conhecida por ser uma das praças mais bonitas do mundo.
O formato da praça – em nave, por isso o nome Navona – é o mesmo do local sobre o qual ela foi construída, o Stadio di Domiziano, nome do imperador que mandou construí-lo no ano 86 d.C. (dizem que tem um buraco meio escondido de onde se vê as ruínas deste estádio).
A praça é circundada por prédios em arquitetura barroca, de uma reconstrução de 1664. Da mesma época são as fontes de Bernini: Del Moro e Dei Quattro Fiumi (em restauração quando eu fui) que simboliza os quatro rios do paraíso – Danúbio, Nilo, Prata e Ganges – e os quatro continentes do mundo conhecido na época: Ásia, África, Europa e as Américas.

Nem sei explicar o motivo pelo qual gostei tanto dela, nem tem jardins…
Acho que são os prédios, o colorido, as pessoas, os artistas, o número de turistas misturados aos velhinhos italianos. Ou talvez tenha sido um golpe de sorte tê-la conhecido em um dia outonal de 20 e poucos graus, céu azul, músicos tocando clássicos italianos em seus acordeons e uma simpática senhora rodopiando em torno de si, pela simples felicidade de estar…feliz? É, ela parecia feliz e meio embriagada.

É isso, esta piazza me deixa feliz.

FONTANA DEI QUATTRO FIUMI, EM OBRAS

E tem um restaurante-café-gelateria, hum…a Tre Scalini, antiquíssima.

Em casa ela é lembrada como o melhor sorvete da vida do meu marido: amarena variegata (nada mais nada menos que sorvete de nata com veios de cereja).

Não sou tão tarada por sorvetes ao ponto de lembrar o sabor do meu mas não resisti e entrei neste link, ó: a webcam na Piazza Novona.

Alguém mais está ouvindo, bem ao fundo, “The Godfather”? Não? Não?

27/02/2011

73 :: COMER TAPAS NO BAR LAS TERESAS…

por 1000 coisas para fazer antes de morrer

…NO BARRIO SANT CRUZ, A ANTIGA JUDERIA DE SEVILHA

Adoro as comidinhas da Espanha – as comidonas também.
Me acabei nas tapas, as porçõezinhas para se comer antes do tardio almoço espanhol, acompanhada de uma bebidinha…

Nossa estreia com estas porçõezinhas  foi numa conhecida casa de tapas, a Tapa Tapa, em Barcelona.
Foi gostosinho e tal mas me senti no – Mc Donalds, seria demais – Bob’s das tapas. Eu queria algo mais, aquele lugarzinho com cara de tradicional. Acho que é mania de paulistano que adora um boteco fake, copiado dos tradicionais botecos cariocas. Vai entender…

O bar Las Teresas, em Sevilha, foi um prato cheio (oi!), literalmente. Tropeçamos nele meio por acaso mas era aquilo mesmo que a gente queria.

A comida era boa, gostosa. Não lembro se era excepcional mas indicaria como algo honesto, foi honesto sim.
E, não posso esquecer que desta experiência trouxemos algo para o cardápio da nossa casa: pimentões assados em tiras longas e largas, servidos com queijo de ovelha (a gente adapta a falta do queijo certo :d).

Porém, o legal deste bar é a atmosfera, o enredo, a rua estreita no Barrio Sant Cruz, o ambiente de decoração pesada de madeira e ladrilhos, o cardápio sem fim – daqueles que dá náuseas só de pensar que terá que fazer escolhas – e os garçons que te tratam com casca e tudo.

Enfim, a Espanha clássica.

05/02/2011

70 :: PEDIR UM CAFÉ EM UM PAÍS ONDE O…

por 1000 coisas para fazer antes de morrer

…CAFÉ TEM QUASE (QUASE?) A MESMA IMPORTÂNCIA DE UM ESPORTE OLÍMPICO

No mesmo café onde comi meu primeiro cornetto italiano foi onde vi, in loco, o que já tinha visto na animação onde Bruno Bozzetto satiriza as diferenças entre os italianos e o resto da União Europeia.
É uma bagunça danada, um bolo de gente pedindo: caffè normale, latte macchiato caldo, latte macchiato freddo con cioccolata, corto, nero, espresso. Haaaaaaaaaaaaaaa! Socorro.

Bem que fiquei procurando a lista interminável escrita em algum lugar, um quadro destes que tem em São Paulo com os preços do pão com manteiga, sabe? Não tinha. Acho que pedi um cappuccino – ainda bem que era cedo pois fiquei sabendo depois de cappuccino só se pede até as 11:30 (oi?) depois é ofensa.
Logo descobri meu café: café com leite clarinho, dois dedos de espuma, chocolate em pó por cima, sujando o pires que vinha sob o copo alto, de alça e pezinho, uma espécie de xícara-taça. Ou seja: latte macchiato caldo (muito importante, senão vem freddo!) con cioccolata. Agora sei mas antes de descobrir tomei vários que, ora faltava o chocolate, ora a xícara alta de pezinho, ora era escuro demais…

Pedidos que parecem tão especias (con schiuma, sensa schiuma, freddo, calda, ristretto, lungo…) são cantados no bacão onde os atendentes fazem a mágica de desfazer o bolo de gente rapidinho, sem ajuda de bloquinho de anotações, até outra horda esfomeada por doces e cafés invadir o recinto. Por alguns dias observamos os mesmos operários, engravatados, jovens barulhentos, a mulher chique de bicicleta, o homem acompanhado de seu cachorro vira-latas que era a cara do meu médico – o homem, não o cachorro – se acotovelando para o ritual do café antes do dia começar.

E para todos que iam, a saudação: una buona giornata.

Uma lista de um monte de maneiras de pedir café em italiano. Sensacional.
Nota da autora: até hoje meu marido  me faz este leitinho, com a xícara igualzinha que ele comprou aqui  mesmo, em São Paulo.

 

27/01/2011

69 :: COMER SEU PRIMEIRO, SEGUNDO…

por 1000 coisas para fazer antes de morrer

…TERCEIRO, CORNETTO EM ROMA

Croissant, media luna ou cornetto para os romanos – minha versão preferida, um sonho atiçado por uma reportagem que tinha lido, ponto para as reportagens de viagens bem escritas.
Nomes diferentes para uma coisa bem parecida, um clássico folhado de padaria.

Na mordida percebe-se aqueles furinhos tão característicos da massa levemente amanteigada, folhada por dentro e crocante por fora.
O simplezinho, sem nenhum recheio, já satisfaz, lógico. Porém, meu preferido é o recheado com Nutella.
Antes de espalhar (e derreter) pela sua boca, preenchendo cada cantinho com uma mistura incrível de calorias felizes pode-se dizer que ocorre uma sequência de experiências quase espirituais.
Pense num massa fresquinha, delicada, pouco resistente. Agora se imagine mordendo esta coisa boa.
Ouve-se o barulhinho de “creck” da camada crocante da danada cedendo, depois a leve nuvem de açúcar de confeiteiro paira por segundos em frente ao nariz. Logo em seguida vem a travessia da massa folhada macia, levemente amanteigada.

Os dentes e a língua atingem o creme de avelã que, sem prática, pode fugir para os cantinhos da boca – apenas mais uma detalhe para fechar o cenário quase infantil de migalhas e açúcar espalhados pela roupa.
Precisa-se prática para acertar a mordida sem esta sujeira toda e para se conseguir a prática nada melhor que treino. Treina-se também em outras versões  igualmente deliciosas: massa integral com mel, recheado de geleia de diversos sabores, chocolate amargo, creme…

E me lembro do meu primeiro cornetto em um boteco perto do meu Bed and Breakfast numa ruazinha nos arredores do Coliseu – que era só bed e o dono ranzinza dava um vale breakfast para este café da vizinhança. Saímos ganhando, era um lugar bem interessante. O nome? Não sei. Uma foto? Não deu tempo. Talvez, vendo no google? Achei ó: este é o link com a foto meio de lado do bar, onde tem aquela letra T.

É bem provável que em outro boteco meio encardido, num charmoso café ou em um pastifício chiquetoso tenha um bom cornetto te esperando, pronto para ser mordido com…gula? Não, não é este o pecado capital associado a ele. Luxúria cai melhor, muito melhor.


05/05/2010

17 :: CRIAR UMA VERSÃO LIGHT…

por 1000 coisas para fazer antes de morrer

…PRA UMA COISA TRASH E (AINDA) ACHAR GOSTOSO

Estou escrevendo demais sobre comida, esquisito.
Mas é com imenso orgulho que apresento um prato que meus sobrinhos gostam, o McTia (será que serei processada?)

É simples assim:

Hamburguer feito em casa – que não é a coisa mais difícil de se fazer, tem mil receitas por aí.
No meu vai carne moída bem magrinha (mais ou menos um quilo) um ovo cru e temperos diversos (mais ou menos isso: cebola, salsinha, cheiro verde, sal a gosto e um tiquinho de pimenta do reino).
Misturo bem, faço bolinhas, dou uma amassadinha e está pronto pra ir pro forno ou grelha.
Tem uma versão, que dizem ser a original, que é temperada só com sal. Vou experimentar um dia desses.

Batata frita em casa não existe mais (comemos sim, mas fora de casa e de vez em quando). Estas são de forno, com um fio de azeite. Fica muito bom.

Salada tem sempre, pra tudo.
Estou bolando uma horta de parede, com vasinhos. Minhas rúculas não sobrevivem aos cachorros, que adoram rúculas fresquinhas do pé.
Aqui em casa até os cachorros são abusados!

27/04/2010

12 :: NÃO ESTRAGAR O ALMOÇO LIGHT…

por 1000 coisas para fazer antes de morrer

…FAZENDO UMA DELICIOSA SOBREMESA MAIS LIGHT AINDA

Depois daquele almoço gostoso e light eu não seria sacana bagunçando o coreto na sobremesa!
Então inventei esta rapidinho.

Sabia que depois de assadas a maçã e a banana soltam um nectar muito saboroso, doce de tudo, e sem um pingo de açúcar? É colocar cravo e canela e temos uma sobremesa aí!

Olhas os ramequins que comprei por 3 reais cada. Eles quase abraçam as maçãs assadas e cheirosas…

Para incrementar é só colocar claras em neve, feita com açúcar diet (fica um gostinho sim, não vou mentir), mandar pro forno dourar e colocar uma cereja em calda, como recompensa.

Ficou lindo, mas achamos meio difícil de comer com maçã inteira. Da próxima vez vou tirar as sementes e picar as maçãs.

É isso.

ps. o jogo americano ganhei de uma amiga, é feito de sementes (de buriti, se não me engano) coisa sustentável, a-do-gggo!
O prato é de uma loja de Jundiaí que fechou (pena, não comprei o jogo todo e agora não acho mais), tenho verdes e laranjas.
E as fotos são by WPC, lógico, lindas.

25/04/2010

11 :: EM VEZ DE VIAGEM, UM MEGA ALMOÇO…

por 1000 coisas para fazer antes de morrer

…COM MICRO TEMPO E CALORIAS

Ai, não deu pra viajar pra Toscana no feriadinho? Ui, isso é pra poucos mesmo, pouquíssimos. Mas dá pra se inspirar num livro, filme, outdoor ou comercial de margarina e ter um almoço bem feliz em casa mesmo, e de dieta!

É disso que estou falando ó:

Almoço em dia de sol, na varanda, minha versão de Sob o sol da Toscana.

Uma mesa bem colocada, no capricho, com tudo de bom que a gente tem guardadinho na gaveta.

Saladinha fácil, fácil. Folhas verdes (compradas lavadas, importantes para ser bem rápido), mussarela de búfala, azeitonas pretas e tomatinhos daqueles que parecem azeitoninhas vermelhas. Azeite extra virgem, primeira prensagem a frio com acidez de no máximo 0.5%.

Omega 3 no prato. Salmão (receitinha da minha amiga Fabi) assado no forno com suco de laranja, mostarda, shoyo, uma pitadinha de sal e alecrim. Tudo no olho, fácil. Só não pode deixar ressecar. Quem não resiste a um carboidrato pode atacar numa batatinha assada no forno regada com azeite e sal ou um pãozinho especial. Eu comi os dois :d, um pecadinho vai bem as vezes.

Shimeji. Mais fácil que tirar doce de criança. Lava, enrola no alumínio com um pouco de shoyo, manda pro forno, fica de olho e come. A hora que abre o pacotinho sobe um aroma…

É isso. Buon appetito!