Archive for ‘Itália_Toscana_Cortona’

30/07/2010

43 :: FAZER UM PIQUENIQUE…

por 1000 coisas para fazer antes de morrer

…COM SEU AMOR, FILHOS, SOBRINHOS, AMIGOS, PARENTES, COM SEU CACHORRO…

Pare de ler se você não curte um convescote, um belo piquenique ou mesmo aquele hábito mal visto pela maioria das pessoas, a farofa. Ou continue a ler e aproveite para deixar seus preconceitos de lado baby! E se ainda não fez um piquenique, faça. É uma delícia.

Cânion Monte Negro, São José dos Ausentes, Rio Grande do Sul, Brasil
(este é meu piquenique preferido de todos-os-tempos-do-mundo-mundial)
Naquela manhã eu acordei cedo, umas 5 da manhã (fato raro) e fiquei vendo o 1º dia do ano nascer naquele céu roxo, lilás, laranja e riscadinho com aquelas marcas que os aviões deixam quando cortam o céu em baixas temperaturas.
Que bela maneira de começar o ano, bela demais para ser desperdiçada assim, com um dia comum.
Assim que todos acordaram pergunto pra Dona Anastácia (a lindinha mulher do Seu Ricardo, os dois são donos da Fazenda Pessegueiro): “Tem como a gente não tomar café aqui e levar pra tomar lá no cânion?”. Ela achou meio estranho mas embarcou na minha ideia melhor que eu mesma.

Em 10 minutos montou o café da manhã delivery mais romântico que já existiu: cesta de vime, toalha estampada, café com leite na garrafa térmica, xícaras de cerâmica, pães quentinhos, geleia, queijo, bolo e morangos frescos recém colhidos da horta orgânica. Um carinho só.
E lá fomos nós pela estrada, sacudindo nossa primeira refeição do ano, abrindo porteiras de fazendas e felizes da vida. Tudo bem, eu estava mais feliz que ele, admito, ele demora um pouco pra acreditar que minhas ideias são geniais (e modestas) mas eu já sabia, conseguia ver que se tudo desse certo seria um café memorável.
O cânion estava com céu aberto e azul – diferente do dia anterior, cinza e nebuloso – e vazio, com exceção de nós dois e um gavião caçando andorinhas. Os pré requisitos para o plano dar certo estavam ali.
Abrimos nossa toalhinha e tomamos o café da manhã estilo Noviça Rebelde, apertando os olhos para enxergar o mar de Santa Catarina (dizem que dá pra ver mesmo) e tentando ignorar as moscas gigantes mordendo minhas canelas.
Aiai (isso foi um suspiro) e viveram felizes para semp…bobagem. Mas foi um lindo café.
A imagem do cânion no google maps é linda. Faz de conta que as setinhas somos nós, sentadinhos.

Praça do Praça do Santuário di Santa Margherita, Cortona, Toscana, Itália
Dia frio, de céu azul, de outono e de feira (que de tão gostosa, merece um post só dela).
Dica da Irmã Adelaide – mas nem precisava, eu já era louca por esta feira desde que li Bella Toscana e Sob o sol da Toscana.
Depois de umas comprinhas e beliscadas saímos desta feira com duas porções de porchetta, algumas peras grandonas que não sei o nome e uma bela porção de mandarinas (mexerica, bergamota, tangerina) azedinhas e sem sementes.
Lugar escolhido? A praça em frente ao Santuario di Santa Margherita, lá no alto da cidade [MAPINHA][GOOGLE VIEW adoro este papo de Google View, a gente vai lá para matar as saudades, é com andar no mesmo lugar de novo].
Escolhemos um banquinho de praça com vista para ciprestes, vinhedos e olivais e comemos. Chato, muito chato.
Pra que mesmo eu precisaria de mais alguma coisa que isso pra viver? Ainda não sei a resposta.

Qualquer praia de mar azulzinho, Los Roques, Caribe venezuelano
(eu nunca tinha feito farofa de praia, mas foi inevitável)
É o estilo do lugar, quase todo mundo que sai rumo ao pier para pegar um barco (já que a ilha principal, Gran Roque, não tem praias estonteantes) carrega uma geladeirinha portátil com o suprimento de comidinhas para o dia. É que as praias de lá não têm a menor estrutura. Nada de restaurantes, bares, barracas e vendedores ambulantes. É um Caribe rústico, pra gente que não liga para este tipo de luxo.
Eu não ligo mesmo para luxos mas adoro conforto e mimos. E o meu el marmiton (como foi carinhosamente apelidado) incluso na diária da pousada La Cigala, era um capricho só. O único trabalho era escolher as bebidas no dia anterior e no dia seguinte, abrir a caixa de plástico, pegar um refrigerante, água ou suco geladinho e comer o prato surpresa. Fácil.
Na maioria das vezes o lanche era um par de wraps de frios acompanhado de alguma saladinha caprichada. De sobremesa, frutas. Tinha variações sim. Acredite, arroz a grega gelado não é ruim, nem bolinhos fritos (frios) acompanhados de molhinhos.
E o resto do encanto fica por conta do mar azul, dos pelicanos mergulhando de cabeça para pescar, das gaivotas disputando graciosamente tua comida, do vento fresco e do sol acariciando (e torrando, cuidado) a pele ressentida do inverno paulista.
Não é tão difícil imaginar que é uma coisa bem boa para se fazer antes de morrer.

Estes são apenas três da lista de piqueniques que já fiz, com certeza farei muito outros.
O segredo é ter vocação pra coisa – e não deixar lixo, óbvio. Enquanto isso relembro piqueniques sensacionais com combinação de
frango assado numa pracinha em Chamonix; pizza com Fontana di Trevi; cachorro quente nos fundos da Notre Dame de Paris; piquenique de trilha no Gran Paradiso no Vale D’Aosta e muitos piqueniques menos glamourosos e igualmente perfeitos em frente a TV, num dia de frio e preguiça.

18/07/2010

42 :: SE HOSPEDAR EM UM CONVENTO…

por 1000 coisas para fazer antes de morrer

…MUITO ESPECIAL – COM UMA FREIRA MAIS ESPECIAL AINDA

A FACHADA, DETALHE DO QUARTO E A FOFA IRMÃ ADELAIDE

Foi em um dia frio no outono italiano.
Saímos de Assis onde tinha caído uma chuva que mais parecia de verão, com trovão e tudo. Tinha molhado meu tênis e minha calça até os joelhos e estava congelada, de mau humor.

Enfim estávamos em Cortona.
Começamos não achando nosso Bed & Breakfast numa rua com meia dúzia de casas, até batemos em algumas portas, sem sucesso.
Chovia pra caramba e meu sonho de ver o sol da Toscana estava começando mal, ameaçado por nuvens negras. Enfim, o cenário perfeito pra tudo começar a desandar.

Hora de desapegar e desembolsar os 120 euros do hotel da praça? Talvez. Mas (mérito da cara de pau do meu marido) conseguimos uma indicação mais econômica, a Casa de Assistencia Santa Margherita. Chegando lá tudo fechado, escuro e parecia nome de hospital, nem me dei ao trabalho de sair do carro.

Rapidinho ele volta super eufórico: era um convento, quarto, cama e banheiros enormes por 46 euros o casal. Lugar bonito, chaves na mão sem restrição de horários, a freira tinha explicado.
Entramos rapidinho, achei ótimo e ela avisa meio sem graça: “Tem apenas um inconveniente, precisa pagar antes”.
Tudo bem, ué. Tudo quase bem, é que a grana estava guardada numa daquelas pochetes que se guarda dentro da calça. E a freira ali, esperando o pagamento com um sorriso doce no rostinho rosa.

A gente se olhou por 3 segundos e ele disse para mim: “Vou até o carro, acho que esqueci a carteira lá.”
A freira fez uma cara de susto e disse em italiano: “Vocês falaram português? Vocês são portugueses?”
A gente: “Falamos sim, mas somos brasileiros.”
Cena surreal: a feira começa a pular, bater palmas e falar (ainda em italiano!): “Eu também, eu também sou brasileira, moro aqui há seis meses!” Por incrível que pareça a freira era de Santa Catarina!
Ela levou a gente para conhecer o convento, a sala da madre superiora (que tinha morado no Brasil e também falava português). Aliás, não eram só as duas naquele convento, ligaram a tecla SAP e começamos a falar português.
Ganhamos abraços, beijos e um atendimento super carinhoso, de casa de tia. Conversamos gostoso e só não fomos passear juntos no dia seguinte porque ela tinha que fazer o teste para tirar a certeira de habilitação italiana. Teria sido bom, mas ela nos falou direitinho o que não deixar de fazer no dia seguinte.

Linda a irmã Adelaide, inesquecível. Até deu um nó na garganta na hora de dizer tchau.

Ainda é super bem localizado! Este não tem street view, só mapinha.
Istituto Suore Serve Di Maria Riparatrice
Via Cesare Battisti, 15
52044 Cortona AR, Italia
0575 630336
28/04/2010

14 :: POR FALAR EM BRAMASOLE…

por 1000 coisas para fazer antes de morrer

…É UM LUGAR PRA SE IR ANTES DE MORRER

Eu vi o filme (meio bobo), li o livro (adorei) e fui parar na porta da Bramasole, a casa do livro Sob o Sol da Toscana e Bella Toscana, de Frances Mayes!
Acho isso meio esquisito, admito, mas fiquei super emocionada só de ver (só de ver!) a casa do livro. Até fiz papel de bobinha e deixei um bilhetinho pra ela, agradecendo por me fazer sonhar com aquela viagem tão legal. Acho que uma vez na vida a gente tem direito de fazer estas coisas, tem sim. Mas só uma.