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06/07/2011

84 :: UMA HISTORINHA SOBRE UMA CAIXINHA DE MÚSICA…

por 1000 coisas para fazer antes de morrer

…COMPRADA EM PARIS

La vie en rose. Láááááá, lá-lá-lá-lá-lá-lá, lá-lá-lá-lá-lá-lááá, lá-lá-lá-lá-lá-lááááá…
Óbvio demais mas esta foi minha trilha sonora mental na única vez em que estive em Paris.
Eu estava feliz por estar lá, Paris sempre esteve nos meus sonhos infantis e eu estava curtindo cada minuto como se fosse a última (ou primeira) mordida de um chocolate maravilhoso.

Eu cantarolei esta música subindo a Torre Eiffell, na Ponte Neuf, em Montmartre, no Trocadero…

{1.Lálálá no ouvido do bofe, 2. Lálálá em pensamento 3. Lálálá no trocadero}

E um belo dia, numa rua estreita bem ao lado da Catedral Notre-Dame, vimos a coisa mais romântica do mundo! Uma lojinha cheia de mini caixinhas de música. Caixinhas sem frescuras, simples mecanismos de tocar música. Peguei uma (adivinha qual?), comecei a tocar, meus olhos se encheram de lágrimas e já imaginei que momento romântico, meu marido comprando uma e me dando ali mesmo de presente…esperei mais uns 3 minutos, nada. Ah, melhor ainda, ele vai me dar uma a noite, no jantar, ou no quarto…que româââââââânticoooooo! De qualquer maneira não vou comprar, não quero desmanchar a surpresa. Mas deixei ele livre para poder comprar escondido de mim, lógico.

Saí do meu devaneio com meu marido em seu melhor ataque Homer Simpson: “Vamu embora mulé, tô cum fomi!”.

Fomos embora, a tarde passou, momentos perfeitos passaram, o jantar passou e…e puft! Nada de caixinha de música. O bobo perdeu a chance de nos (me) proporcionar o momento mais romântico parisiense que 90 entre 100 mulheres gostariam de ter.

A viagem prosseguiu, esqueci o assunto. Ok, quase esqueci. Admito que tive umas recaídas em alguns momentos de crise conjugal em que os homens são insistentemente lembrados de como eles são insensíveis e sem coração.

Tudo isso faz tempo.

O que não faz tanto tempo foi que uma noite, no carro, depois de me pegar no trabalho, ele me estende um pacote. Abro. Não deu para conter o choro quase infantil ao ver na minha frente um micro mecanismo musical, tão pequeno, enrolado no papel amassado de uma certa loja ao lado da Notre-Dame…

Foi tão especial como se tivesse sido na hora que eu estava esperando. Não, foi mais especial. Fo surpresa mesmo. Uma linda surpresa de quem se importa…

ps1. um amigo do meu marido foi passar a lua-de-mel em Paris. Meu marido indicou a loja, disse que não era para deixar de comprar uma para sua mulher e que foi um erro não ter feito isso. E de quebra disse: “Se você for mesmo, traga uma para mim, por favor?”. Enfim, uma maneira muito elegante de se fazer uma encomenda, de viagem, tão específica.
Uma exceção! Quero lembrar aqui que pedir encomendas de viagens é algo quase proibido, com exceção das encomendas de free shop, lógico. E não tem nada demais dizer que não achou, que não deu tempo, que não estava a fim.

ps2. acho que o lugar é este Paris Forever.
Vai este ângulo, indo para a Notre-Dame.
Tem este ângulo, melhorzinho, de quem vem da Notre-Dame.
Juro que não lembrava que era esta espelunca! Mas pode ser o L’Abiside ou o Esmeralda, igualmente espeluncas e que devem vender o mesmo tipo de tranqueiras.

ps3. compramos cachorro quente no Brasserie Esmeralda, muito “mais ou menos”. Comemos atrás da igreja, foi divertido.

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04/07/2011

83 :: CATEDRAL DE SAINTE…

por 1000 coisas para fazer antes de morrer

 …CHAPELLE, EM PARIS

Os raios de luz entraram pela minha retina sem pedir licença, sem perguntar se eu estava preparada para tanta, tanta beleza. Cara, que lugar esta Sainte Chapelle, que luz linda entrando pelos vitrais. Que má-gi-co.

Me dei conta que meu marido ficou me esperando lá fora – é que combinamos que a partir de um certo estágio da viagem (qualquer viagem) eu não tenho mais o poder de dissuadí-lo em suas trocas: igreja por café com revista na esquina ou museu por café e jornal em outra esquina, ou praça. As vezes são mesmo trocas bem justas e necessárias, concordo. Mas esta não era uma igreja qualquer.

Dei ré e voltei pela mesma escada caracol para encontrá-lo e convencê-lo a entrar comigo. Eu gosto de dividir estas experiências, sabe? Ele ficou surpreso em me ver, principalmente porque que eu estava dando uns pulinhos bestas e falava em alta rotação, muito acima do que um ser humano normal poderia ter obrigação de entender…patético. Porém valeu a pena voltar. O que seria dele se não tivesse uma mulher tão incrível, tão interessada em lhe apresentar coisas lindas nesta vida…

A capela gótica de Sainte Chepelle é linda, linda, linda. Fica meio escondida, junto com a Palácio da Justiça na Île de la Cité.

As paredes são quase todas cobertas pelos divinos vitrais. No fim, fica parecendo um vitral só. As rosáceas são tão elaboradas…tão, tão… Bonitas? Lindas?

Estou aliviada por ter ido antes de morrer. Agora, preciso viver mais para voltar lá, desta vez assistindo a um concerto.

ps. O “porão” da capela é lindo também, mas não tenho fotos de lá.

 
Sainte Chappelle
Aberto todos os dias

1 março a 31 outubro: 9:30 as 18
1 novembro a 28 fevereiro: 9 as 17
Aberto à noite às quartas-feiras
15 maio a 15 setembro
Última entrada às 21:00.
Fechado
Entre 13 e 14 horas durante a semana
1 de janeiro, 1 de maio e 25 de Dezembro
02/07/2011

82 :: UMA MANHÃ DE FESTA…

por 1000 coisas para fazer antes de morrer

…EM MONTALCINO

Ontem à noite, tomando o último dos vários goles do meu Valdorella di Chianti – comprado em supermercado mas com super bom olho do meu marido – fui levada à uma viagem no tempo.

Eu estava em uma das pernas do roteiro de vinhos toscanos, a caminho de Montalcino, a região onde é fabricado o Brunello de Montalcino.

Pausa aqui. Eu realmente não entendo quase nada de vinhos, mas dando um google percebo uma certa competição entre estes dois vinhos que menciono aqui, mas eu realmente não ligo de colocar os dois nomes na mesma frase. Para mim eles estão, juntos, nas minhas lembranças agradáveis de um dia de outono.

Domingão. Estava frio quando saímos da nossa honesta semi espelunca super bem localizada, o Piccolo hotel il Palio em Siena. Pegamos nosso carro, na praça em frente de onde ele deveria ser retirado sempre até as 7 da manhã para não tomarmos multa, e pegamos a estrada eufóricos.
O início do caminho foi cinza, com neblina. Aos poucos ela foi diluindo, virando fiapos brancos e a trilha sonora evoluiu para músicas italianas de gosto duvidoso. Ciprestes apareceram no caminho, vinhedos também, envoltos em brumas tão românticas… Nem parei para fotografar, para que estragar um momento tão mágico se arriscando a um atropelamento nas estradinhas sem acostamento?

Enfim chegamos à Montalcino e já dava para ver a cidade histórica, murada.

Muita gente na rua, dia da Sagra del Tordo, uma festa medieval que iniciava a temporada de caça.
São quatro bairros disputando o prêmio, a “Flecha de Prata”. Azul e amarelo, Riga. Branco e vermelho, Borghetto. Branco e azul, Pianello. Amarelo e vermelho, Travaglio.

Famílias inteiras assistem as apresentações de danças típicas.

Ou alguma competição cujo touro enorme é o centro das atrações.

Crianças comem seus paninis, velhinhos ficam sentados em frente suas casas ajardinadas e velhinhas comentam como a cidade está mais ou menos bonita que nos anos anteriores. O traje medieval é o figurino para os que participarão das encenações.

Tudo acontecendo debaixo de um céu azul, do ar frio que perde força conforme o sol sobe e dos mirantes que mostram emocinantes paisagens toscanas.

Dia de sorte, pura sorte.

23/05/2011

81 :: ESTAR, AO MENOS UM DIA, EM CÓRDOBA…

por 1000 coisas para fazer antes de morrer

…NA ESPANHA ANDALUZ

{sentido horário: pôr-do-sol na Ponte Romana, chão de pedras e escultura na estrada da Catedral}

Eu não tinha expectativas em relação a Córdoba. Pequena, boa para descansar um pouco… Nada demais.
Lá não aconteceu nenhuma refeição inesquecível, não tomei meu hamman por estar gripada, o hotel na juderia, Los Omeyas, era  honesto para os 70 euros a diária. Não houve nenhum causo a se contar…nada demais. E, mesmo assim, foi mágico.

{um canto típico, perto da cidade murada}

Andamos pelo bairro judeu, entramos em lojinhas, vimos Os Contos de Alhambra, de Washington Irving, em tudo que é idioma. Vimos também vários pátios bem fake, pra turista. Tomamos chá em uma teteria que se saiu uma experiência bem meia boca, pensamos que iríamos ser assaltados mas era um cara nos ajudado a achar um endereço na pura boa vontade. Jantamos em um lugar, o Los Patios, que esqueci a comida tão logo saí (sinal que não foi bom nem ruim) mas que tinha plantas em vasinhos de barro espalhados pelas paredes.
Enfim, uma visita sem pretensões (ah, comprei uma pulseira linda, de prata, que uso muito).

{sentido horário: lembranças, Los Pátios, Salão de Té e Los Pátios e sua geladeira "old-fashioned"}

A visita a Catedral de Córdoba (ou a Mezquita, com z) foi tranquila e sem correrias e lá dentro estava tão fresco, calmo e…tãããooo silencioso. O lugar é realmente incrível. Os embates entre cristãos católicos e muçulmanos aparecem aqui e ali, nas misturas de estilos e no opulento altar católico plantado no meio da mesquita. Os arcos mouriscos em forma de ferradura proporcionam uma sensação de profundidade infinita. Demais.
Vale a pena ler sobre o assunto em um guia, desta maneira sempre se aproveita mais uma visita histórica e neste caso é indispensável.

{o Pátio de los Naranjos ao fundo...}

Na entrada não passe batido pelos Patio de los Naranjos, em outubro está carregado de frutas e em abril (me contaram) florido.

{sentido horário: espeho d'água no Pátio de los Naranjos, entrada da Catedral e o pátio}
{quilos de lutas pelo poder em tintas e adornos}

No final da tarde, depois do banho, andamos mais a pé do nosso hotel até a Ponte Romana, onde vimos um pôr-do-sol enfeitado por revoadas. Com a temperatura caindo levemente sentimos o cair da noite ao mesmo tempo em que as flores de jasmim soltavam seu aroma doce pelas ruas da cidade.

{uma porta que leva à cidade histórica}

Foi inevitável cair no clichê de pensar se este era o mesmo aroma de séculos atrás, quando judeus e muçulmanos pisaram aquelas ruinhas calçadas de pedra de rio.

{onde senti o cheiro forte dos jasmins...}

No dia seguinte, meu marido acordou dizendo ter sonhado que estava andando entre as colunas da catedral, sozinho. De som apenas os seus passos, com um sapato de sola dura, ecoando no vazio. Toc, toc, toc…

{e enfim, o lugar do eco dos sapatos}

27/04/2011

79 :: SE DEIXAR SER FOTOGRAFADA…

por 1000 coisas para fazer antes de morrer

…DIRIGIDA, DE POSE MESMO.

Acho que não precisa lá de muitas palavras…momento único, feliz, em uma noite chuvosa de outono em Florença.
Estava um frio daqueles e eu tinha perdido minhas luvas de couro falso compradas num barraquinha em Roma (ainda não sabia que tinha perdido, mas tinha), tinha andado o dia todo debaixo da garôa fina e meus pés só não estavam molhados porque estava usando uma bota impermeável, forrada de pêlo de não sei o que, que me deu uma baita dor na canela depois – não era tão confortável a danada, mas na hora parecia que era.
Nesta noite compramos um bicho de pelúcia do Ratatouille para a Thathá, minha sobrinha mais velha das sobrinhas meninas. Ela adorou, ele ainda existe todo encardido e da última vez que o vi morava na casa da gata, que já morreu. Nesta mesma noite entrei em uma loja da M.A.C. e fui mal entendida por uma biba mal humorada e acabei não comprando o lápis que deixaria meus olhos parecidos com os das italianas que tinha visto no metrô. Não lembro se já tinha ido ver a ponte cheinha de coisas de ouro que nem se eu estivesse podre de rica compraria, de tão brega. Não sei também se a gente tinha jantado ou se jantou, esqueci. Mas sei que neste dia a gente se perdeu legal, pegando um certo (errado, na verdade) ônibus que um velhinho meio cego e meio manco nos indicou e que nos fez parar no fim do mundo.
Num destes vais-e-vens vi uns ratos (ratões, não ratinhos) atravessando uma praça, e pior, eu tinha que atravessá-la para pegar o ônibus certo.
Foi, sem dúvida, uma linda noite chuvosa de outono…de verdade. Mesmo que as palavras as vezes digam algo contraditório, como “ratos” e “linda” na mesma frase. Esta foto eternizou o momento mágico, enfeitado com gotinhas douradas no meu guarda-chuva que combinavam com os brilhos da gola rolê da minha blusa recém comprada na José Paulino e com o brilho sintético do meu trench coat (sempre achei que usaria esta palavra chique: trench coat!) comprado não sei onde. É isso que vale :*}
ps. repara, o cenário também é dourado, com a Ponte Vecchio ao fundo.
ps2. eu fiquei bem na foto. Logo eu que mostro a língua, faço caretas e entorto o olho na hora do click!

26/04/2011

78 :: VER A TORRE DE PISA…

por 1000 coisas para fazer antes de morrer

…NEM QUE FOR POR MEIA HORA

Que atire a primeira pedra quem nunca pensou em ver um cartão postal meio brega.
O que seria um cartão postal brega? Não sei explicar direito mas só sei que considero a Torre de Pisa bre-guí-ssi-ma.
Até eles concordam com isso e fazem uns souvenires ridículos demais, bem piores que bolsas em formato de Torre Eiffel, bem piores que imã de geladeira comprado no Caminito, bem piores que caneca com a carinha do Papa, tadinho.

Eu adorei ir à Pisa, foi rapidinho, legal e mais que suficiente para ver e sair correndo.

Lembrei dela hoje, vendo uma notícia na Folha: Restauro na torre inclinada de Pisa termina após 20 anos e juro que me deu saudades deste dia bregão.

Veja só. A gente estava indo de…de onde mesmo? Acho que de Siena para a Ligúria e desviamos nosso roteiro em uns 100 quilômetros só pra ver a tal da torre, tão famosa. Afinal, vai saber quando teríamos a mesma oportunidade, não?
Viemos por uma avenida que bem poderia ser em Florença, com rio, ponte e tudo. E eu me pescoçando toda, imaginando em que hora ela iria aparecer na minha frente…cadê, cadê?

Daí, assim, como quem não quer nada, tcham!!! Lá, depois de um portão, de um muro, de um mar de barraquinhas de tranqueiras e de um monte de gente eu vi aquela forma tão familiar, tão vista em logomarcas vagabundas (e outras nem tanto) de pizzarias – as marcas, não as pizzarias, não todas.

Ahá, não é que ela existe mesmo?! Nesta hora quase fui atropelada por um ciclista – cuidado, os ciclistas de Pisa são loucos. Ou isso ou eu estava acostumada com a vida (curtinha, de turista, uma vidinha mini de borboleta) nas cidadezinhas toscanas e estava meio fora do esquema cidade-mutcho-loca.
Enfim, depois de quase ser atropelada por mais uns dois ou três caras guiando suas bicicletas desvairadas e sem buzina eu fiz aquilo que ninguém deveria fazer mas faz. Eu tirei fotos empurrando, segurando, espalmando a torre. Meninos eu fiz! Fiz, eu fiz, fiz e gostei.

Se faria de novo? Talvez, se estivesse indo para a Ligúria, num dia de sol, com um tempinho para desviar 100 quilômetros do meu caminho…faria sim, e subiria para ver se ela aguenta meu peso.

E ficaria meia hora (de novo), pegaria a mesma estrada de volta, talvez para a Ligúria, para Cinque Terre de novo.

 

13/03/2011

76 :: COMER UM CACHORRO QUENTE…

por 1000 coisas para fazer antes de morrer

…NOS FUNDOS DA CATEDRAL DE NOTRE-DAME, EM PARIS

A NOTRE DAME DE UM ÂNGULO MENOS CONHECIDO

A frase é familiar: “Hummm, aquele café ou pastel ou doce ou sanduba, etc) de X lugar…”
No caso o sujeito foi o cachorro quente de Paris.

Mensagem recebida e registrada. Daí acontece Paris nas férias, um tempão andando pelas ruas deliciosas de Île de la Cité (uma ilhota do Rio Sena de mais ou menos 1km), uma fominha boa…
…um jardim bem maneiro nos fundos da Catedral de Notre-Dame, folhas amarelinhas de outono e – ah! – uma espelunca vendendo cachorro quente parisiense. Pronto.

O CENÁRIO. MELHOR QUE COMER VENDO TV

TRANQUILO...

O cachorro quente nem era grande coisa – além de estar meio frio. Mesmo assim foi a paradinha charmosa do dia e uma coisa bem divertida para se fazer antes de morrer.

NÃO É PIADA DE CACHORRO QUENTE. CACHORRO MAIS FOFO EM FRENTE AO LUGAR DO CACHORRO QUENTE

 

06/03/2011

75 :: PIAZZA NAVONA. HISTÓRIA, ARTE…

por 1000 coisas para fazer antes de morrer

…MÚSICA E UM SORVETE ESPECIAL

FONTE DOS MOUROS. BERNINI? SÓ NA ESCULTURA CENTRAL

Há uns meses tive um sonho. Eu estava em uma praça barulhenta, muita gente falando…lugar animado.
No sonho eu me esforçava para entender onde era aquele lugar mas não conseguia ver, apenas ouvir. Estava sentada em um banco e ali fechei os olhos e como um cego me concentrei nos sons e no idioma.

Itália! Eu estava na Itália, em Roma, na Piazza Navona!
No sonho, joguei a cabeça para trás, relaxei e pensei: “Vou ficar aqui, de olhos fechados apenas ouvindo as pessoas falando em italiano.”

E acabou. Pena que era sonho.

A Piazza Navona é conhecida por ser uma das praças mais bonitas do mundo.
O formato da praça – em nave, por isso o nome Navona – é o mesmo do local sobre o qual ela foi construída, o Stadio di Domiziano, nome do imperador que mandou construí-lo no ano 86 d.C. (dizem que tem um buraco meio escondido de onde se vê as ruínas deste estádio).
A praça é circundada por prédios em arquitetura barroca, de uma reconstrução de 1664. Da mesma época são as fontes de Bernini: Del Moro e Dei Quattro Fiumi (em restauração quando eu fui) que simboliza os quatro rios do paraíso – Danúbio, Nilo, Prata e Ganges – e os quatro continentes do mundo conhecido na época: Ásia, África, Europa e as Américas.

Nem sei explicar o motivo pelo qual gostei tanto dela, nem tem jardins…
Acho que são os prédios, o colorido, as pessoas, os artistas, o número de turistas misturados aos velhinhos italianos. Ou talvez tenha sido um golpe de sorte tê-la conhecido em um dia outonal de 20 e poucos graus, céu azul, músicos tocando clássicos italianos em seus acordeons e uma simpática senhora rodopiando em torno de si, pela simples felicidade de estar…feliz? É, ela parecia feliz e meio embriagada.

É isso, esta piazza me deixa feliz.

FONTANA DEI QUATTRO FIUMI, EM OBRAS

E tem um restaurante-café-gelateria, hum…a Tre Scalini, antiquíssima.

Em casa ela é lembrada como o melhor sorvete da vida do meu marido: amarena variegata (nada mais nada menos que sorvete de nata com veios de cereja).

Não sou tão tarada por sorvetes ao ponto de lembrar o sabor do meu mas não resisti e entrei neste link, ó: a webcam na Piazza Novona.

Alguém mais está ouvindo, bem ao fundo, “The Godfather”? Não? Não?

02/03/2011

74 :: SHOW DAS FONTES MÁGICAS…

por 1000 coisas para fazer antes de morrer

…DE MONTJUÏC, EM BARCELONA

Chegada complicada em Barcelona. Uma mala supostamente extraviada, registrada como perdida e encontrada (por mim) em um quartinho obscuro. Lojas fechadas para comprar uma pilha esquecida em casa, e apenas aquele dia para ver o espetáculo de águas na La Font Mágica, que fica nas escadarias e alamedas em frente ao majestoso Museu Nacional d’Art de Catalunya, lá em cima, em Montjuïc. Era o último, aos domingos, antes do inverno.

Desistimos da tal pilha – e de comprar um cartão telefônico para avisar nossos pais da chegada (dado importante em tempos de barradas de brasileiros na entrada à Espanha) e pegamos nosso lugarzinho, no guarda corpo, bem em frente a fonte.

É brega, não vou mentir. Porém, um brega bonito – e bem feito. Tá bom, é uma coisa impressionante.
Imagina. Uma escadaria enorme (uns 200 ou 300 metros, talvez?), repleta de fontes, seguida de um patamar, onde mais gente se aglomera, e enfim a Av. de la Reina Maria Cristina, que tem um canteiro central de fontes e vai dar na Plaça d’Espanya.

SEM A FOTO CERTA FICA DIFÍCIL, MAS DÁ PARA IMAGINAR ESTE CAMINHO TODO ILUMINADO POR FONTES DANÇANTES, COM FORMATOS E CORES DIFERENTES?

A música começa tímida, com umas aguinhas pulando aqui e ali e vai ganhando potência, cor, ritmo…bem sincronizado. É uma pena, eu não tem “a” foto da coisa grandiosa (não tem nada a ver com o shor de águas de Poços de Caldas. Não que eu não adore Poços, mas não é exatamente por seu show das fontes luminosas).
O repertório varia de eruditas a pops e culmina (imagina?) em Barcelona, com Fred Mercury e Montserrat Caballé. Mais clichê impossível, e emocionante. Pense no primeiro soprano, a todo pulmão: “Barceloonnaaaaaaa. BarceloonnaaaaaaaAAAAAAAAAAA”.

Resultado: nó na garganta, os olhos se encheram de lágrimas e eu disfarçando: “Oi, vamos ali, comer umas tapas!” ou então “Olha, o passarinho, que bonito.” ou no clássico “Entrou um cisco no meu olho.”

E meu amor por aquela cidade, que já havia comecado bem, no passeio de fim de tarde em Montjuïc, estava totalmente consolidado.
Sou facinha, facinha…

27/02/2011

73 :: COMER TAPAS NO BAR LAS TERESAS…

por 1000 coisas para fazer antes de morrer

…NO BARRIO SANT CRUZ, A ANTIGA JUDERIA DE SEVILHA

Adoro as comidinhas da Espanha – as comidonas também.
Me acabei nas tapas, as porçõezinhas para se comer antes do tardio almoço espanhol, acompanhada de uma bebidinha…

Nossa estreia com estas porçõezinhas  foi numa conhecida casa de tapas, a Tapa Tapa, em Barcelona.
Foi gostosinho e tal mas me senti no – Mc Donalds, seria demais – Bob’s das tapas. Eu queria algo mais, aquele lugarzinho com cara de tradicional. Acho que é mania de paulistano que adora um boteco fake, copiado dos tradicionais botecos cariocas. Vai entender…

O bar Las Teresas, em Sevilha, foi um prato cheio (oi!), literalmente. Tropeçamos nele meio por acaso mas era aquilo mesmo que a gente queria.

A comida era boa, gostosa. Não lembro se era excepcional mas indicaria como algo honesto, foi honesto sim.
E, não posso esquecer que desta experiência trouxemos algo para o cardápio da nossa casa: pimentões assados em tiras longas e largas, servidos com queijo de ovelha (a gente adapta a falta do queijo certo :d).

Porém, o legal deste bar é a atmosfera, o enredo, a rua estreita no Barrio Sant Cruz, o ambiente de decoração pesada de madeira e ladrilhos, o cardápio sem fim – daqueles que dá náuseas só de pensar que terá que fazer escolhas – e os garçons que te tratam com casca e tudo.

Enfim, a Espanha clássica.