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01/09/2010

47 :: DEIXAR O SOM DO FLAMENCO…

por 1000 coisas para fazer antes de morrer

…TE CONTAGIAR, TE FAZER CHORAR DE ALEGRIA E TRISTEZA

É a música da dor, do amor, das raízes e – na minha humilde opinião – da sensualidade. É também onde cada gotinha do meu suposto sangue espanhol parece tomar conta do meu corpo e tenta a todo custo fazê-lo sair sapateando e batendo palmas ao som dos violões. Ui, acordei!

Meu primeiro contato com o flamenco profissa foi em um show da Eva Yerbabuena. Flamenco moderno, de gente que já foi além. Foi inevitável, neste dia nasceu dentro de mim a viagem para a Espanha.

Meu primeiro flamenco em solo espanhol foi em Sevilha e a coisa foi assim.

Primeira experiência: o lugar é algo no estilo barracão de escola de samba mas menor (não que eu já tenha ido em uma, mas imagino assim). Lugar com fachada comum, sem placa. Não paga para entrar e consome se quiser. Simples assim.

O show começa tarde, depois das 11. O lugar lota de espanhóis falando alto, fumando e tomando cerveja.
Eu já estava com sono quando aparece um senhor, faz um hãn-hãn e avisa que cigarro e voz não combinam, que o show vai começar e que todos se prepararem para o momento – só falta fazer uma oração para começar.

Todos obedecem apagando seus cigarros e fazendo silêncio. Daí, no pequeno tablado de madeira, sobem uma magrela com roupa de dança flamenca, um cara com pinta de bancário e o tal senhor do hãn-hãn versus cigarro. E daí, minha gente, começa o show.

Ai que coisa linda, que sentimento. Por pura mágica a mulher feia virou uma linda dançarina, o bancário não parecia uma pessoa nada comum tocando lindamente o violão e o tio do hãn-hãn sabia fazer muito mais que hãn-hãn, ele cantava com a alma, cantava um lamento que só poderia sair do fundo do coração, e batia palmas.

Não vi a hora passar.

O cruel é que a nossa micro-Nikon-recém-adquirada-na El Corte Inglês deu pau e não teve som. Morri de ódio, estava quase me recuperando disso mas escrevendo agora lembrei e morri de raiva de novo. Humpf. Então se alguém quiser ver vai ter que fazer o sacrifício de ir no La Carboneria (não sem se informar antes se vai abrir naquele dia) ou ver um videozinho no youtube, com o mesmo cantor e instrumentista daquela noite. Sensacional.
Ah, tem mais este videozinho, sente o clima boteco. É a mesma dançarina que vimos.

Segunda experiência: showzinho para turista. Escolhemos este show no olho, na entre entre as dezenas que recebemos na rua. E sabe? Não foi ruim, nem um pouco chato nem nada de negativo.
Era um teatro pequeno, com aquela iluminação de casa da luz vermelha e jogos de canhões de luzes coloridas no palco, cadeiras vestidas, mesas, garçons e muitos velhinhos ingleses na plateia – muitos mesmo, tipo excursão.


O grupo de artistas era maior, a dançarina principal cheinha, dançarinos masculinos (ou quase isso) que me deixaram tonta tentando acompanhar o movimento das pernas no sapateado e mãos batendo no peito.

E a cantora era mulher, voz lindíssima.

Show! Literalmente.

Não, não tenho filminho com som deste também, a gente ainda não tinha percebido o pepino! Humpf duas vezes.
Olha, a Casa Carmen Arte Flamenco não decepcionou e duvido que alguma outra tivesse sido ruim para o meu ponto de vista leigo.

Adorei as duas experiências mas se tivesse que repetir apenas uma ficaria com a versão roots do La Carboneria.


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