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02/07/2011

82 :: UMA MANHÃ DE FESTA…

por 1000 coisas para fazer antes de morrer

…EM MONTALCINO

Ontem à noite, tomando o último dos vários goles do meu Valdorella di Chianti – comprado em supermercado mas com super bom olho do meu marido – fui levada à uma viagem no tempo.

Eu estava em uma das pernas do roteiro de vinhos toscanos, a caminho de Montalcino, a região onde é fabricado o Brunello de Montalcino.

Pausa aqui. Eu realmente não entendo quase nada de vinhos, mas dando um google percebo uma certa competição entre estes dois vinhos que menciono aqui, mas eu realmente não ligo de colocar os dois nomes na mesma frase. Para mim eles estão, juntos, nas minhas lembranças agradáveis de um dia de outono.

Domingão. Estava frio quando saímos da nossa honesta semi espelunca super bem localizada, o Piccolo hotel il Palio em Siena. Pegamos nosso carro, na praça em frente de onde ele deveria ser retirado sempre até as 7 da manhã para não tomarmos multa, e pegamos a estrada eufóricos.
O início do caminho foi cinza, com neblina. Aos poucos ela foi diluindo, virando fiapos brancos e a trilha sonora evoluiu para músicas italianas de gosto duvidoso. Ciprestes apareceram no caminho, vinhedos também, envoltos em brumas tão românticas… Nem parei para fotografar, para que estragar um momento tão mágico se arriscando a um atropelamento nas estradinhas sem acostamento?

Enfim chegamos à Montalcino e já dava para ver a cidade histórica, murada.

Muita gente na rua, dia da Sagra del Tordo, uma festa medieval que iniciava a temporada de caça.
São quatro bairros disputando o prêmio, a “Flecha de Prata”. Azul e amarelo, Riga. Branco e vermelho, Borghetto. Branco e azul, Pianello. Amarelo e vermelho, Travaglio.

Famílias inteiras assistem as apresentações de danças típicas.

Ou alguma competição cujo touro enorme é o centro das atrações.

Crianças comem seus paninis, velhinhos ficam sentados em frente suas casas ajardinadas e velhinhas comentam como a cidade está mais ou menos bonita que nos anos anteriores. O traje medieval é o figurino para os que participarão das encenações.

Tudo acontecendo debaixo de um céu azul, do ar frio que perde força conforme o sol sobe e dos mirantes que mostram emocinantes paisagens toscanas.

Dia de sorte, pura sorte.

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27/04/2011

79 :: SE DEIXAR SER FOTOGRAFADA…

por 1000 coisas para fazer antes de morrer

…DIRIGIDA, DE POSE MESMO.

Acho que não precisa lá de muitas palavras…momento único, feliz, em uma noite chuvosa de outono em Florença.
Estava um frio daqueles e eu tinha perdido minhas luvas de couro falso compradas num barraquinha em Roma (ainda não sabia que tinha perdido, mas tinha), tinha andado o dia todo debaixo da garôa fina e meus pés só não estavam molhados porque estava usando uma bota impermeável, forrada de pêlo de não sei o que, que me deu uma baita dor na canela depois – não era tão confortável a danada, mas na hora parecia que era.
Nesta noite compramos um bicho de pelúcia do Ratatouille para a Thathá, minha sobrinha mais velha das sobrinhas meninas. Ela adorou, ele ainda existe todo encardido e da última vez que o vi morava na casa da gata, que já morreu. Nesta mesma noite entrei em uma loja da M.A.C. e fui mal entendida por uma biba mal humorada e acabei não comprando o lápis que deixaria meus olhos parecidos com os das italianas que tinha visto no metrô. Não lembro se já tinha ido ver a ponte cheinha de coisas de ouro que nem se eu estivesse podre de rica compraria, de tão brega. Não sei também se a gente tinha jantado ou se jantou, esqueci. Mas sei que neste dia a gente se perdeu legal, pegando um certo (errado, na verdade) ônibus que um velhinho meio cego e meio manco nos indicou e que nos fez parar no fim do mundo.
Num destes vais-e-vens vi uns ratos (ratões, não ratinhos) atravessando uma praça, e pior, eu tinha que atravessá-la para pegar o ônibus certo.
Foi, sem dúvida, uma linda noite chuvosa de outono…de verdade. Mesmo que as palavras as vezes digam algo contraditório, como “ratos” e “linda” na mesma frase. Esta foto eternizou o momento mágico, enfeitado com gotinhas douradas no meu guarda-chuva que combinavam com os brilhos da gola rolê da minha blusa recém comprada na José Paulino e com o brilho sintético do meu trench coat (sempre achei que usaria esta palavra chique: trench coat!) comprado não sei onde. É isso que vale :*}
ps. repara, o cenário também é dourado, com a Ponte Vecchio ao fundo.
ps2. eu fiquei bem na foto. Logo eu que mostro a língua, faço caretas e entorto o olho na hora do click!

26/04/2011

78 :: VER A TORRE DE PISA…

por 1000 coisas para fazer antes de morrer

…NEM QUE FOR POR MEIA HORA

Que atire a primeira pedra quem nunca pensou em ver um cartão postal meio brega.
O que seria um cartão postal brega? Não sei explicar direito mas só sei que considero a Torre de Pisa bre-guí-ssi-ma.
Até eles concordam com isso e fazem uns souvenires ridículos demais, bem piores que bolsas em formato de Torre Eiffel, bem piores que imã de geladeira comprado no Caminito, bem piores que caneca com a carinha do Papa, tadinho.

Eu adorei ir à Pisa, foi rapidinho, legal e mais que suficiente para ver e sair correndo.

Lembrei dela hoje, vendo uma notícia na Folha: Restauro na torre inclinada de Pisa termina após 20 anos e juro que me deu saudades deste dia bregão.

Veja só. A gente estava indo de…de onde mesmo? Acho que de Siena para a Ligúria e desviamos nosso roteiro em uns 100 quilômetros só pra ver a tal da torre, tão famosa. Afinal, vai saber quando teríamos a mesma oportunidade, não?
Viemos por uma avenida que bem poderia ser em Florença, com rio, ponte e tudo. E eu me pescoçando toda, imaginando em que hora ela iria aparecer na minha frente…cadê, cadê?

Daí, assim, como quem não quer nada, tcham!!! Lá, depois de um portão, de um muro, de um mar de barraquinhas de tranqueiras e de um monte de gente eu vi aquela forma tão familiar, tão vista em logomarcas vagabundas (e outras nem tanto) de pizzarias – as marcas, não as pizzarias, não todas.

Ahá, não é que ela existe mesmo?! Nesta hora quase fui atropelada por um ciclista – cuidado, os ciclistas de Pisa são loucos. Ou isso ou eu estava acostumada com a vida (curtinha, de turista, uma vidinha mini de borboleta) nas cidadezinhas toscanas e estava meio fora do esquema cidade-mutcho-loca.
Enfim, depois de quase ser atropelada por mais uns dois ou três caras guiando suas bicicletas desvairadas e sem buzina eu fiz aquilo que ninguém deveria fazer mas faz. Eu tirei fotos empurrando, segurando, espalmando a torre. Meninos eu fiz! Fiz, eu fiz, fiz e gostei.

Se faria de novo? Talvez, se estivesse indo para a Ligúria, num dia de sol, com um tempinho para desviar 100 quilômetros do meu caminho…faria sim, e subiria para ver se ela aguenta meu peso.

E ficaria meia hora (de novo), pegaria a mesma estrada de volta, talvez para a Ligúria, para Cinque Terre de novo.

 

06/03/2011

75 :: PIAZZA NAVONA. HISTÓRIA, ARTE…

por 1000 coisas para fazer antes de morrer

…MÚSICA E UM SORVETE ESPECIAL

FONTE DOS MOUROS. BERNINI? SÓ NA ESCULTURA CENTRAL

Há uns meses tive um sonho. Eu estava em uma praça barulhenta, muita gente falando…lugar animado.
No sonho eu me esforçava para entender onde era aquele lugar mas não conseguia ver, apenas ouvir. Estava sentada em um banco e ali fechei os olhos e como um cego me concentrei nos sons e no idioma.

Itália! Eu estava na Itália, em Roma, na Piazza Navona!
No sonho, joguei a cabeça para trás, relaxei e pensei: “Vou ficar aqui, de olhos fechados apenas ouvindo as pessoas falando em italiano.”

E acabou. Pena que era sonho.

A Piazza Navona é conhecida por ser uma das praças mais bonitas do mundo.
O formato da praça – em nave, por isso o nome Navona – é o mesmo do local sobre o qual ela foi construída, o Stadio di Domiziano, nome do imperador que mandou construí-lo no ano 86 d.C. (dizem que tem um buraco meio escondido de onde se vê as ruínas deste estádio).
A praça é circundada por prédios em arquitetura barroca, de uma reconstrução de 1664. Da mesma época são as fontes de Bernini: Del Moro e Dei Quattro Fiumi (em restauração quando eu fui) que simboliza os quatro rios do paraíso – Danúbio, Nilo, Prata e Ganges – e os quatro continentes do mundo conhecido na época: Ásia, África, Europa e as Américas.

Nem sei explicar o motivo pelo qual gostei tanto dela, nem tem jardins…
Acho que são os prédios, o colorido, as pessoas, os artistas, o número de turistas misturados aos velhinhos italianos. Ou talvez tenha sido um golpe de sorte tê-la conhecido em um dia outonal de 20 e poucos graus, céu azul, músicos tocando clássicos italianos em seus acordeons e uma simpática senhora rodopiando em torno de si, pela simples felicidade de estar…feliz? É, ela parecia feliz e meio embriagada.

É isso, esta piazza me deixa feliz.

FONTANA DEI QUATTRO FIUMI, EM OBRAS

E tem um restaurante-café-gelateria, hum…a Tre Scalini, antiquíssima.

Em casa ela é lembrada como o melhor sorvete da vida do meu marido: amarena variegata (nada mais nada menos que sorvete de nata com veios de cereja).

Não sou tão tarada por sorvetes ao ponto de lembrar o sabor do meu mas não resisti e entrei neste link, ó: a webcam na Piazza Novona.

Alguém mais está ouvindo, bem ao fundo, “The Godfather”? Não? Não?

05/02/2011

70 :: PEDIR UM CAFÉ EM UM PAÍS ONDE O…

por 1000 coisas para fazer antes de morrer

…CAFÉ TEM QUASE (QUASE?) A MESMA IMPORTÂNCIA DE UM ESPORTE OLÍMPICO

No mesmo café onde comi meu primeiro cornetto italiano foi onde vi, in loco, o que já tinha visto na animação onde Bruno Bozzetto satiriza as diferenças entre os italianos e o resto da União Europeia.
É uma bagunça danada, um bolo de gente pedindo: caffè normale, latte macchiato caldo, latte macchiato freddo con cioccolata, corto, nero, espresso. Haaaaaaaaaaaaaaa! Socorro.

Bem que fiquei procurando a lista interminável escrita em algum lugar, um quadro destes que tem em São Paulo com os preços do pão com manteiga, sabe? Não tinha. Acho que pedi um cappuccino – ainda bem que era cedo pois fiquei sabendo depois de cappuccino só se pede até as 11:30 (oi?) depois é ofensa.
Logo descobri meu café: café com leite clarinho, dois dedos de espuma, chocolate em pó por cima, sujando o pires que vinha sob o copo alto, de alça e pezinho, uma espécie de xícara-taça. Ou seja: latte macchiato caldo (muito importante, senão vem freddo!) con cioccolata. Agora sei mas antes de descobrir tomei vários que, ora faltava o chocolate, ora a xícara alta de pezinho, ora era escuro demais…

Pedidos que parecem tão especias (con schiuma, sensa schiuma, freddo, calda, ristretto, lungo…) são cantados no bacão onde os atendentes fazem a mágica de desfazer o bolo de gente rapidinho, sem ajuda de bloquinho de anotações, até outra horda esfomeada por doces e cafés invadir o recinto. Por alguns dias observamos os mesmos operários, engravatados, jovens barulhentos, a mulher chique de bicicleta, o homem acompanhado de seu cachorro vira-latas que era a cara do meu médico – o homem, não o cachorro – se acotovelando para o ritual do café antes do dia começar.

E para todos que iam, a saudação: una buona giornata.

Uma lista de um monte de maneiras de pedir café em italiano. Sensacional.
Nota da autora: até hoje meu marido  me faz este leitinho, com a xícara igualzinha que ele comprou aqui  mesmo, em São Paulo.

 

27/01/2011

69 :: COMER SEU PRIMEIRO, SEGUNDO…

por 1000 coisas para fazer antes de morrer

…TERCEIRO, CORNETTO EM ROMA

Croissant, media luna ou cornetto para os romanos – minha versão preferida, um sonho atiçado por uma reportagem que tinha lido, ponto para as reportagens de viagens bem escritas.
Nomes diferentes para uma coisa bem parecida, um clássico folhado de padaria.

Na mordida percebe-se aqueles furinhos tão característicos da massa levemente amanteigada, folhada por dentro e crocante por fora.
O simplezinho, sem nenhum recheio, já satisfaz, lógico. Porém, meu preferido é o recheado com Nutella.
Antes de espalhar (e derreter) pela sua boca, preenchendo cada cantinho com uma mistura incrível de calorias felizes pode-se dizer que ocorre uma sequência de experiências quase espirituais.
Pense num massa fresquinha, delicada, pouco resistente. Agora se imagine mordendo esta coisa boa.
Ouve-se o barulhinho de “creck” da camada crocante da danada cedendo, depois a leve nuvem de açúcar de confeiteiro paira por segundos em frente ao nariz. Logo em seguida vem a travessia da massa folhada macia, levemente amanteigada.

Os dentes e a língua atingem o creme de avelã que, sem prática, pode fugir para os cantinhos da boca – apenas mais uma detalhe para fechar o cenário quase infantil de migalhas e açúcar espalhados pela roupa.
Precisa-se prática para acertar a mordida sem esta sujeira toda e para se conseguir a prática nada melhor que treino. Treina-se também em outras versões  igualmente deliciosas: massa integral com mel, recheado de geleia de diversos sabores, chocolate amargo, creme…

E me lembro do meu primeiro cornetto em um boteco perto do meu Bed and Breakfast numa ruazinha nos arredores do Coliseu – que era só bed e o dono ranzinza dava um vale breakfast para este café da vizinhança. Saímos ganhando, era um lugar bem interessante. O nome? Não sei. Uma foto? Não deu tempo. Talvez, vendo no google? Achei ó: este é o link com a foto meio de lado do bar, onde tem aquela letra T.

É bem provável que em outro boteco meio encardido, num charmoso café ou em um pastifício chiquetoso tenha um bom cornetto te esperando, pronto para ser mordido com…gula? Não, não é este o pecado capital associado a ele. Luxúria cai melhor, muito melhor.