Posts tagged ‘Marrakesh’

02/07/2010

38 :: CHAMAR AS CIDADES…

por 1000 coisas para fazer antes de morrer

…POR SEUS NOMES ORIGINAIS

A regra não é clara...

Tá aí uma dúvida, não sei se é para SE FAZER ANTES DE MORRER ou NÃO SE FAZER ANTES DE MORRER.

Só sei que o preâmbulo para este post acaba de perder o sentido. Era a copa do mundo que se foi para nós, hoje a tarde, num desesperador Brasil 1 x 2 Holanda. Fiquei triste pelo Dunga (é que gosto de gente turrona) e fiquei triste pelo povo que gosta de uma boa festa (gosto de ver gente feliz, seja lá pelo que for). E é sempre bom ganhar algo. né?

Mas bem que tinha gostado deste link aqui ó: pra falar os nomes dos jogadores da maneira corretinha. Achei muito legal! Olha que fofo, agora o Galvão Bueno pode falar tudo direitinho, sem vexame.

Acho bacana chamar as coisas pelos seus nomes certos e isso se aplica as cidades. Sei, sei. Cada idioma/cultura achou seu modo de chamar a coisa. Mas isso me incomoda, eu não queria ser chamada Clódian ou Anny ou seja lá o que for. Mas aqui em casa rolam umas discussões por causa disso: Florença ou Firenze? Nova Iorque ou New York? E Londres? Em português é Londres, em inglês é London e em italiano é Londra. E tem também as simples diferenças de grafia: Fez ou Fès? Marrakesh ou Marrakech? (que se pronuncia algo como Moraguedche).
E Brasil e Brazil? Não gosto, pra que trocar uma letrinha sem importância? Tenho certeza que tem uma explicação mais objetiva disso, tenho certeza.

Um desconto para países que não usam o alfabeto ocidental e ainda assim fica a dúvida: escrever e chamar os nomes de cidades pelo nosso idioma ou pelo nome original?

Este tem desconto (foto: MPD01605 Flickr)

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14/06/2010

35 :: DEIXAR DE VISITAR…

por 1000 coisas para fazer antes de morrer

…CASABLANCA

Um vídeo que não tem a ver com Casablanca (não, eu não tenho fotos de Casablanca. Nenhuminha :()

Eu “pulei” Casablanca quando fui pro Marrocos. Era fim de viagem, nosso voo saía de lá e estávamos em Marrakesh. Simples, tem um trem de Marrakesh para Casablanca e a vinda de trem de Fès para Marrakesh tinha sido bem boa – se for possível excluir a falta do prometido (e pago) ar condicionado da 1ª classe.

Pensando agora até parece simples mas no fim de uma viagem de mais de 20 dias, com uma mala cada um – mais uma estepe cheia de tranqueiras compradas em souks – isso começa a complicar.  A falta de escadas rolantes, informações seguras de ondem baldear e de alguém que fale inglês, começa a pesar. A troca de trens no caminho, a dúvida sobre qual estação de Casablanca desembarcar (tem duas, seja lá o que isso quer dizer), o banheiro sujo do trem e o piriri que ainda não acabou totalmente podem te fazer chegar a um tipo de histeria boba e feliz, nem sei porque feliz mas eu estava exatamente assim quando vi a feia cena de Casablanca noturna passando pela janela do nosso trem de 2ª classe (o melhor que conseguimos)  e comecei a cantar coisas irritantes pro meu marido no ritmo de As time Goes by.

“O trem está passando, a sujeira tá colando, os “cara” estão olhando…
E o nosso fim de linha amor…estamos ferrados siiiimmm”.
(E ele bufava)

“Você me avisou, Marrocos é primeiro, mas eu não quis assim…
Eu quis Espanha antes amor e agora estamos cansados demais, pra curtir”
(Uma olhada feia dele pra mim)

“A cidade é muito feia, a gente já sabia, mas eu não quis sabeeeer.
Eu quero Casablanca o filme amor, eu quero agora sim…”

“Fui até ali, fazer o meu xixi mas não tive coragem.
O banheiro está transbordando amor…acho que desisti…”

“O xixi está saindo, o banheiro está ali, mas tenho medo dele
Não vai dar pra evitar amor, porque agora tenho um piriri…”

“Você disse Califórnia, fui que inventei, estas férias das arábias…
Você tinha razão amor…a Golden Gate deve ser mais linda sim, e laranja!
(Nesta parte achei que ele iria me socar)

E Casablanca passava, a uns 80 por hora no vidro embaçado do trem, triste, escura, quente e desconfortável, como se nunca tivéssemos nos programado para estar ali.
E assim fomos, eu e meu amor (irritado) a som da clássica trilha do filme (numa versão própria e porca) rumo ao bizarro aeroporto de Casablanca (onde nos perdemos um pouquinho e ninguém falava inglês), pegar uma van (mais bizarra ainda), para um hotel (caro demais mas o melhor que conseguimos porque tinha uma convenção não sei do que nas redondezas), lotado de pessoas do norte da África vestidas de um modo muito, muito diferente (isso foi beeem legal), com tocos de cigarro debaixo da cama (nojo), com banheiro novo mas encardido com rejuntes dos azulejos mais encardidos ainda (mais nojo), de onde só saímos no outro dia de tarde pra pegar nosso voo (porque o cara queria nos cobrar 150 euros pra nos levar pra ver a maior mesquita do mundo e algum outro mercado).

Casablanca, eu posso viver sem te conhecer, obrigada.

03/06/2010

28 :: SE MATAR PRA TRAZER UMA…

por 1000 coisas para fazer antes de morrer

…LUMINÁRIA MARROQUINA, DE MARRAKESH

Sabe quando você vê uma coisa numa viagem, pensa em comprar mas tem certeza que ela não vai chegar inteira em casa? Foi este o caso.
A primeira coisa marroquina (de verdade, como eu imaginava) que vi nesta viagem, foram os reflexos de uma luminária parecida com esta na parede do Riad em Fès, um bálsamo para meu corpo moído e meus olhos cansados. Eu juro, lembro do cheiro que acompanhou este momento mágico.

Fiquei com aquilo na cabeça e quando vi uma quase igual (mas enorme) em Marrakesh pensei: impossível.
Não me contive e acabei me dando esta de presente, menorzinha e mais possível de trazer. Depois de hooooras de negociações, saímos de lá com ela e mais um monte de tranqueiras.
Foi meio complicado trazer esta delicadeza, cheia de rendinhas de metal, numa mala lotada de roupa suja – ela mesma lotada de cuecas e camisetas suadas pra evitar um amassado mais grave.

Chegou em casa quase inteira, dei um jeito nisso e tratei de mandar fazer um postinho pra pendurar e fiquei bem feliz com o resultado. Acho até que preciso escrever sobre minha casa estar parecendo um certo lugar em Fès…

16/05/2010

20 :: FAZER COMPARAÇÕES

por 1000 coisas para fazer antes de morrer

…ENTRE CIDADES E MULHERES

Gostar ou não gostar de um lugar é como se apaixonar por uma pessoa. As vezes, sem nenhum motivo especial pega. Em outras tem tudo pra dar certo, mas não vai pra frente.
Estive pensando nisso, em como as cidades parecem pessoas – mais especificamente com mulheres – com sua vida própria, com suas tensões, interesses, humores, charme e beleza.

ROMA
É uma senhora, das chiques.
Mas não se iluda, esta senhora pode pirar (com a ajudinha de algumas taças de vinho, lógico). Ela não chega a se descontrolar totalmente e nunca perde o charme, qualidade que lhe é nata.
É daquelas senhoras que envelhecem bem, com uns toques muito sutis aqui e ali, só pra dar uma ajudinha para o que já é bonito. O grande cuidado é não deixar claro que houve uma intervenção, afinal, ela acredita que deve-se envelhecer com muita dignidade.
Ela se veste bem, a danada,  e mesmo sendo uma senhora ainda tem aquela cruzada de perna estilo Sophia Loren, só pra não perder o encanto e se lembrar que é (e sempre será) uma bela Donna.

BARCELONA
Uma mulher moderna, não muito velha – nem muito nova.
Ela usa óculos de aro grosso, quadrado e escuro. É meio petista, sabe? Seu único defeito. Tem lá seus ideais e faz o tipo meio anti social em alguns meios (característica polêmica esta).
Talvez você não se apaixone por ela de cara. Ela não chama a atenção pela beleza mas quanto mais você a conhecer mais vai se encantar. Três dias intensos serão o suficiente para nascer uma história de amor ou pelo menos uma paixão. É que esta é uma daquelas inteligentes – e interessantes.
Ela sabe das coisas, se veste de um modo pouco convencional mas só o que lhe cai bem (e mesmo se não lhe caísse não liga muito para a opinião alheia) só não abre mão do seu estilo.
E vou logo avisando, ela pode ser um pouco agressiva a primeira vista, a intenção é mesmo espantar alguns indesejáveis. Mas é uma mulher do mundo e se você se der ao trabalho vai perceber que pode ser bem simpática.
Uma informação muito importante: ela não dorme.

PARIS
Esta mulher é top, top model. Magérrima. Não é falta de confiança (longe disso!) mas ela faz questão de estar dentro de alguns padrões.
É bem possível que você se apaixone de cara pela sua beleza e seus clássicos olhos azuis. Ninguém é perfeito, o defeito dela é ser um pouco superficial mas nem faz questão de ser diferente disso. É bem feliz com o que tem e não inveja nenhum atributo que outra possa ter. Exibida, só pode se dar ao luxo de fazer isso porque é bonita.

MARRAKESH
Esta mulher é bem complicada. Só dá pra conhecê-la se for aplicado. Por baixo de panos e panos existe uma mulher extremamente interessante. Aparentemente é um pouco recatada e tem uma inclinação ao puritanismo, mas é só fachada. Não espere dela grandes noitadas, não é dada a isso por cuidar muito bem de sua imagem.
Aposte em seus temperos picantes, se não for acostumado cuidado, pode até te fazer mal. Mas depois que se acostuma pode virar um vício e um dia você pode se pegar suspirando de saudades dela.

SÃO PAULO
É uma mulher louca, de múltiplas personalidades e bipolar. Uma verdadeira perdição.
Ela muda de cara toda vez que precisa e isso faz dela uma pessoa pouco confiável. Pode ser patricinha, suburbana, perua, sacoleira, chique e barraqueira! Ela só se preocupa com uma coisa: estar na moda. Pronto, São Paulo é uma drag queen!

24/04/2010

10 :: A EXPERIÊNCIA DE UM HAMMAM…

por 1000 coisas para fazer antes de morrer

…OU O BANHO MAIS BEM TOMADO DO MUNDO

Hammam, este nome sempre me deixou meio excitada.

Esta palavrinha me levava à ambientes mágicos, com teto em forma de cúpula, com furinhos em formato de estrelas dando vista diretamente pra um céu mais estrelado ainda…

Crédito: Mossaiq/Guillén Pérez, Flickr

Crédito: Carolina Naftali/Flickr

…grandes balcões de mármore quente e banho coletivo lógico.

 Crédito: la_imagen/Dietmar, Flickr

Tudo isso embalado por uma trilha sonora das arábias.

Este seria meu The Truman show.
Eu só tinha um micro medinho do lance do choque térmico (o banho quente e frio, frio e quente, aparentemente uma coisa tradicional) e de cair num Hamam nada “de família”, mas não parecia tão fácil evitar, e não é mesmo.

O mais perto que tinha chegado foi na Andaluzia mas uma gripe muito forte adiou os planos. Mas, uma vez no Marrocos, porque não experimentar?  Em Marrakesh fiquei sapeando uns dias, uns panfletos aqui, outro ali…medo. Tudo parecia meio suspeito. Mas finalmente, depois de um banho de chuva fenomenal em um final de tarde, resolvi aceitar a sugestão do Antoine da Riad Aguerzame e fazer um Hamam num lugar indicado por ele, o Riad 107 que fica no número (adivinha?) 107 da rua.

Ele me levou até lá, já que depois das nove da noite não pega muito bem uma mulher sair sozinha na rua. Nem fiquei surpresa quando a porta (numa rua feinha que dói) se abriu e apareceu um pátio bonito, meio moderno mas com inspiração árabe, com um tanque para banhos. Só achei muito…como vou dizer? Muito Spa. Lounge demais pra mim.

Vou pegar umas fotos do site deles, não fotografei.

Conversei um pouco com a dona do lugar, que logo me mandou para um quarto lindo, trocar minha roupa pelo biquini.

De lá fui levada pro lugar do banho, privado (?).

Era uma sala pequena, com paredes, balcões e bancos de cimento queimado branco, muito bonito mas nem de longe se parecia com o Hamam tradicional que sonhei. Desapeguei e resolvi curtir a coisa, que aliás era muito bem paga por aquelas bandas, o equivalente a 50 euros (!).

A saga, propriamente dita, começa mesmo quando chega a mulher que vai me “dar” o banho. É isso. Sabe que eu nunca tinha pensado neste ponto? Alguém vai te dar um banho e desde uns 5 anos de idade que isso não acontecia, a gente perde o costume não é?
E a mulher (vestida de bermuda ciclista e camiseta) chega animada, dando um banho pra valer, me ensaboando inteira. Éramos nós duas,  naquele calor do caramba, suando hor-ro-res! Foi nesta parte que comecei a entrar em conflito sobre a situação social dela e que provavelmente ela ganhava muito mal pra me dar aquele banho de madame. Me senti estranha, principalmente nas horas que ela reclamava do calor absurdo e de como aquele banheiro não tem ventilação.

Mas ela parece ter um certo gosto naquilo. Ela parece gostar de esfregar. É sabão, esponja, esfrega, esfrega, esfrega.
Quando você já se sente a pessoa mais limpinha do mundo pra ela a coisa só está começando e vai ficando cada vez mais constrangedora e dolorosa.
Depois a mulher saca de um pote com uma pasta arenosa e manda ver numa esfoliação hardcore – eu já disse que até aí a parte de cima do biquini já tinha ido? Muito a contra gosto, mas foi.
Quando sua pele está toda vermelha e fininha como papel ela vem e…adivinha? Te suja (ã?) com um banho de lama, lambuzando cada centímetro quadrado de pele exposta. E eu me agarrando ferozmente a minha última peça de roupa, a calcinha do biquini. Eu segurava e ela puxava, dizendo em “mimiquês” que assim não dava, que um bom banho só pode acontecer pelada mesmo. Me despedi de minha calcinha me sentindo a pessoinha mais vulnerável do globo terrestre e me entreguei pro banho de lama.
Mas ela não estava feliz. Aumentou a temperatura e me mandou deitar na laje quente e esperar um pouco.
Nem o vapor úmido foi capaz de evitar que aquela argila toda começasse a retrair e repuxar minha pele e me fazer pensar o que seria de mim se ela me esquece lá.
Mas ela não esqueceu e na volta veio com uma esponja mais light, pra ela lógico, porque pra minha pele aquilo era o máximo das agressões. Mas admito que estava relaxada…ou quase isso.
Banho de novo, enxagua, esfrega, lava mais uma vez (com um sabão ambar, muito comum no Marrocos que me lembra alguma coisa da infância mas não consigo me lembrar o que e acabei esquecendo de perguntar pra alguém).
Enfim veio o enxague com algo cheiroso, macio, morno e calmante.
Ela termina enxaguando minhas roupas e me entregando junto com os objetos de tortura, um souvenir (eu falei que ela até passou uma pedra nos meus pés? Ficou parecendo pé de recém nascido, juro. Tenho a pedra, feita de tijolo, pra provar)

Enquanto ela me enfia num roupão fofo pergunto do banho frio (aquele que deveria ser no tanque, no centro do jardim) e ela responde com um ar de malícia (tudo isso em mímica): “Não, isso poderia te deixar doente ou te matar!”

Então tá.

E minha experiência termina com um chá, almofadas e uma massagem muito boa com óleo de laranja, morno e refrescante ao mesmo tempo. Tudo empacotado com laços de cetim cor de rosa de uma música em estilo árabe.

Mais umas fotinhos do site.

Antes de sair dei tchau pra Donaesfregadeiracomgosto (quase não a reconheci vestida a la Marrocos, com lenço e tudo) e voltei pra jantar com Antoine e meu marido, feliz, flanando pelos becos vazios de Marrakesh…

…me sentindo limpa, leve e nascida de novo (e escorregando dentro da roupa e chinelos de tão lisinha que fiquei).

Não foi o que eu esperava mas foi uma experiência para se ter ANTES DE MORRER.