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23/05/2011

81 :: ESTAR, AO MENOS UM DIA, EM CÓRDOBA…

por 1000 coisas para fazer antes de morrer

…NA ESPANHA ANDALUZ

{sentido horário: pôr-do-sol na Ponte Romana, chão de pedras e escultura na estrada da Catedral}

Eu não tinha expectativas em relação a Córdoba. Pequena, boa para descansar um pouco… Nada demais.
Lá não aconteceu nenhuma refeição inesquecível, não tomei meu hamman por estar gripada, o hotel na juderia, Los Omeyas, era  honesto para os 70 euros a diária. Não houve nenhum causo a se contar…nada demais. E, mesmo assim, foi mágico.

{um canto típico, perto da cidade murada}

Andamos pelo bairro judeu, entramos em lojinhas, vimos Os Contos de Alhambra, de Washington Irving, em tudo que é idioma. Vimos também vários pátios bem fake, pra turista. Tomamos chá em uma teteria que se saiu uma experiência bem meia boca, pensamos que iríamos ser assaltados mas era um cara nos ajudado a achar um endereço na pura boa vontade. Jantamos em um lugar, o Los Patios, que esqueci a comida tão logo saí (sinal que não foi bom nem ruim) mas que tinha plantas em vasinhos de barro espalhados pelas paredes.
Enfim, uma visita sem pretensões (ah, comprei uma pulseira linda, de prata, que uso muito).

{sentido horário: lembranças, Los Pátios, Salão de Té e Los Pátios e sua geladeira "old-fashioned"}

A visita a Catedral de Córdoba (ou a Mezquita, com z) foi tranquila e sem correrias e lá dentro estava tão fresco, calmo e…tãããooo silencioso. O lugar é realmente incrível. Os embates entre cristãos católicos e muçulmanos aparecem aqui e ali, nas misturas de estilos e no opulento altar católico plantado no meio da mesquita. Os arcos mouriscos em forma de ferradura proporcionam uma sensação de profundidade infinita. Demais.
Vale a pena ler sobre o assunto em um guia, desta maneira sempre se aproveita mais uma visita histórica e neste caso é indispensável.

{o Pátio de los Naranjos ao fundo...}

Na entrada não passe batido pelos Patio de los Naranjos, em outubro está carregado de frutas e em abril (me contaram) florido.

{sentido horário: espeho d'água no Pátio de los Naranjos, entrada da Catedral e o pátio}
{quilos de lutas pelo poder em tintas e adornos}

No final da tarde, depois do banho, andamos mais a pé do nosso hotel até a Ponte Romana, onde vimos um pôr-do-sol enfeitado por revoadas. Com a temperatura caindo levemente sentimos o cair da noite ao mesmo tempo em que as flores de jasmim soltavam seu aroma doce pelas ruas da cidade.

{uma porta que leva à cidade histórica}

Foi inevitável cair no clichê de pensar se este era o mesmo aroma de séculos atrás, quando judeus e muçulmanos pisaram aquelas ruinhas calçadas de pedra de rio.

{onde senti o cheiro forte dos jasmins...}

No dia seguinte, meu marido acordou dizendo ter sonhado que estava andando entre as colunas da catedral, sozinho. De som apenas os seus passos, com um sapato de sola dura, ecoando no vazio. Toc, toc, toc…

{e enfim, o lugar do eco dos sapatos}

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02/03/2011

74 :: SHOW DAS FONTES MÁGICAS…

por 1000 coisas para fazer antes de morrer

…DE MONTJUÏC, EM BARCELONA

Chegada complicada em Barcelona. Uma mala supostamente extraviada, registrada como perdida e encontrada (por mim) em um quartinho obscuro. Lojas fechadas para comprar uma pilha esquecida em casa, e apenas aquele dia para ver o espetáculo de águas na La Font Mágica, que fica nas escadarias e alamedas em frente ao majestoso Museu Nacional d’Art de Catalunya, lá em cima, em Montjuïc. Era o último, aos domingos, antes do inverno.

Desistimos da tal pilha – e de comprar um cartão telefônico para avisar nossos pais da chegada (dado importante em tempos de barradas de brasileiros na entrada à Espanha) e pegamos nosso lugarzinho, no guarda corpo, bem em frente a fonte.

É brega, não vou mentir. Porém, um brega bonito – e bem feito. Tá bom, é uma coisa impressionante.
Imagina. Uma escadaria enorme (uns 200 ou 300 metros, talvez?), repleta de fontes, seguida de um patamar, onde mais gente se aglomera, e enfim a Av. de la Reina Maria Cristina, que tem um canteiro central de fontes e vai dar na Plaça d’Espanya.

SEM A FOTO CERTA FICA DIFÍCIL, MAS DÁ PARA IMAGINAR ESTE CAMINHO TODO ILUMINADO POR FONTES DANÇANTES, COM FORMATOS E CORES DIFERENTES?

A música começa tímida, com umas aguinhas pulando aqui e ali e vai ganhando potência, cor, ritmo…bem sincronizado. É uma pena, eu não tem “a” foto da coisa grandiosa (não tem nada a ver com o shor de águas de Poços de Caldas. Não que eu não adore Poços, mas não é exatamente por seu show das fontes luminosas).
O repertório varia de eruditas a pops e culmina (imagina?) em Barcelona, com Fred Mercury e Montserrat Caballé. Mais clichê impossível, e emocionante. Pense no primeiro soprano, a todo pulmão: “Barceloonnaaaaaaa. BarceloonnaaaaaaaAAAAAAAAAAA”.

Resultado: nó na garganta, os olhos se encheram de lágrimas e eu disfarçando: “Oi, vamos ali, comer umas tapas!” ou então “Olha, o passarinho, que bonito.” ou no clássico “Entrou um cisco no meu olho.”

E meu amor por aquela cidade, que já havia comecado bem, no passeio de fim de tarde em Montjuïc, estava totalmente consolidado.
Sou facinha, facinha…

27/02/2011

73 :: COMER TAPAS NO BAR LAS TERESAS…

por 1000 coisas para fazer antes de morrer

…NO BARRIO SANT CRUZ, A ANTIGA JUDERIA DE SEVILHA

Adoro as comidinhas da Espanha – as comidonas também.
Me acabei nas tapas, as porçõezinhas para se comer antes do tardio almoço espanhol, acompanhada de uma bebidinha…

Nossa estreia com estas porçõezinhas  foi numa conhecida casa de tapas, a Tapa Tapa, em Barcelona.
Foi gostosinho e tal mas me senti no – Mc Donalds, seria demais – Bob’s das tapas. Eu queria algo mais, aquele lugarzinho com cara de tradicional. Acho que é mania de paulistano que adora um boteco fake, copiado dos tradicionais botecos cariocas. Vai entender…

O bar Las Teresas, em Sevilha, foi um prato cheio (oi!), literalmente. Tropeçamos nele meio por acaso mas era aquilo mesmo que a gente queria.

A comida era boa, gostosa. Não lembro se era excepcional mas indicaria como algo honesto, foi honesto sim.
E, não posso esquecer que desta experiência trouxemos algo para o cardápio da nossa casa: pimentões assados em tiras longas e largas, servidos com queijo de ovelha (a gente adapta a falta do queijo certo :d).

Porém, o legal deste bar é a atmosfera, o enredo, a rua estreita no Barrio Sant Cruz, o ambiente de decoração pesada de madeira e ladrilhos, o cardápio sem fim – daqueles que dá náuseas só de pensar que terá que fazer escolhas – e os garçons que te tratam com casca e tudo.

Enfim, a Espanha clássica.

22/02/2011

72 :: TOMAR UM CHÁ DE AMÊNDOAS…

por 1000 coisas para fazer antes de morrer

…EM UM SALÓN DE TÉ EM CÓRDOBA

Sempre digo que costumo imaginar algumas as coisas bem melhores do que elas realmente poderiam ser. Não custa repetir, quem sabe tomo vergonha e perco o hábito.

Um exemplo clássico: noite em Córdoba, pouca vontade de jantar e uma oportunidade para fazer uma daquelas coisas que estava na listinha de turista: tomar um chá em uma teteria andaluz, com doces árabes, clima incrível, odaliscas, véus esvoaçantes, tambores de tribos espanholas nômades falando um raro dialeto marroquino, enfim…minhas viajadas.

Na manga, o Salón de Té, um lugar super bem indicado. Vale a pena entrar no site, a música é tão bonita…

Bem, o lugar era mesmo bonito, tinha uma linda carta de chás e sucos exóticos.
Pena que faltou a música, as dançarinas, os véus, o clima. Faltaram as pessoas também e a boa educação do cara que atendeu. Uma outra coisa que faltou foi o tal suco de romã que meu marido pediu, feito com um tipo de groselha (oi?) mais artificial impossível. Os doces eram assim-assim, normais. Nem de doces árabes eu gosto…mas ele adora, tadinho.

Bem, o chá. Fomos lá para tomar chá, certo? Pedi um chá de amêndoas.
Foi o melhor chá de todos os tempos, de todos os chás conhecidos no mundo mundial. Era o mesmo que encher a boca com uma cápsula morna de amêndoas liquidas. E  o aroma? Divino. Nunca pensei em gastar tantos adjetivos em ervas que ficam de molho em água quente.

O resto foi uma grande roubada. Ainda bem que nosso humor estava estratosférico e tivemos um acesso de risada que custou a passar. Cada puxada de canudinho no suco fake de groselha feita na China (não vi, mas tenho certeza que era feita na China) que meu marido dava era um acesso de risada mais descontrolado, e besta, daqueles de quem não sai de casa só para se dar bem.

Com tudo perdido tiramos muitas fotos (ruins, com dá para perceber) sem vergonha de ninguém já que não tinha ninguém de quem sentir vergonha.

E, pensando bem, esta música do site, que deixei em background, está me deixando enjoada.

 

21/02/2011

71 :: IR DO AEROPORTO, COM UM PIT STOP…

por 1000 coisas para fazer antes de morrer

…NO HOTEL, DIRETO PARA MONTJUÏC, EM BARCELONA

Jogar as malas sobre a cama, se trocar (ou não) e sair a pé, reconhecendo o terreno. É meu ritual na chegada em uma cidade nova. É infalível, seja para um sorvete a meia noite ou um passeio mais elaborado, se o voo chegar cedo.

Chegamos em Barcelona mais ou menos uma da tarde. Dia lindo, temperatura perfeita, próxima dos 20°.
O céu azul de doer nos convidava para começar por Montjuïc, o morro ao sudeste da cidade, que abriga o Museu Nacional d’Art de Catalunya, jardins, museus, um castelo, muita história…e uma vista linda da cidade.

Pequenos trechos a pé, de metrô, de funicular e o simpático teleférico nos levaram rapidinho ao topo da cidade.

Uma visitinha leve ao Castell de Montjuïc e seu telhado de onde ficamos um tempão olhando a cidade…

…o céu e o mar que banha Barcelona.

Em um jardim, de onde se avista um bairro cheio de prédios e um outro monte, compramos duas granitas (a versão catalã da nossa raspadinha) e ficamos curtindo, vendo um grupo de amigos, com suas famílias e filhos pequenos. Eles comiam, tomavam vinho, cantavam e tocavam violão.

Ouvindo aquelas músicas de ritmo cigano fiquei imaginando se alguém da minha família teria habitado aqueles montes em alguma época distante.

Esta foi minha primeira Barcelona.

 

 

 

 

 

09/01/2011

67 :: ANDAR (E COMER) NO MERCADO…

por 1000 coisas para fazer antes de morrer

… LA BOQUERIA, EM BARCELONA

O La Boqueria é bonitão, barulhento, divertido e fica na Rambla que por si só já é bem alto astral.

Tudo bem, é um programa manjado, mas é dos bons para quem gosta de mercadão, de ver comida e tal.

As mercadorias muito bem organizadas, expostas com primor.

Coisa bonita de ver. Limpinho. Os pescados são muito frescos! Nenhum vestígio de cheiro ruim.

Será que eles vendem tudo isso no mesmo dia? Acho que sim, né?

Uma infinidade de tipos de cogumelos.

Frutas variadas, docinhos…

Paraíso dos gourmets e para quem gosta de jamón.


Ah, levamos lascas para fazer piquenique no quarto, a noite.

Enfim, o La Boqueria é mesmo um programão. Se for na hora do almoço, melhor.

Bem que tentamos comer no Pinotxo, bar bem frequentado (Ferran Adriá dá a pinta por lá) mas a comida tinha acabado (tarde demais para o almoço, cedo demais para o jantar…coisas da Catalunha).

É. Não foi uma troca injusta, não consigo imaginar quanto poderia ter sido melhor no bar famoso.
O nome do lugar? Vixe. Não lembro. Olhando com muito esforço e boa vontade na foto tem um “Bon App…” gravado no prato. Não sei se tem a ver com o nome do lugar ou uma saudação educada. Meu Deus, quanta bobagem! Achei o bar. É o Kiosko Universal. Tem até o mapinha do danado, é o 691, bem no pé do mapa.

Bom apetite?! A gente já estava babando com aquele aspargo fresquinho sendo grelhado ali na nossa frente, apenas com sal grosso, com uma tampa de panela por cima, crocante e perfeito. Mais uns peixinhos, camarões (que eu não curto muito não) e uma coisa que eu morria de vontade de comer desde que tinha visto numa foto da Suz, do Segura em desemprego: a navajas, um molusco compridinho e delicioso.

Ah, o cardápio não foi escolhido, era o que tinha. Não tenho do que reclamar.

Almoço sensacional, não chega a ser nenhuma pechincha mas é quase baratinho…hehehe.

O La Boqueria é um prédio histórico simpático (não tão bonitão quanto o Mercadão de São Paulo).
Fica do lado direito, quase no meio da Rambla, para quem desce. E tem o site, né? boqueria.info
Eu iria antes de morrer. E a Espanha é um daqueles destinhos que sempre tem uma promoção ou passagem baratinha.