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14/06/2010

35 :: DEIXAR DE VISITAR…

por 1000 coisas para fazer antes de morrer

…CASABLANCA

Um vídeo que não tem a ver com Casablanca (não, eu não tenho fotos de Casablanca. Nenhuminha :()

Eu “pulei” Casablanca quando fui pro Marrocos. Era fim de viagem, nosso voo saía de lá e estávamos em Marrakesh. Simples, tem um trem de Marrakesh para Casablanca e a vinda de trem de Fès para Marrakesh tinha sido bem boa – se for possível excluir a falta do prometido (e pago) ar condicionado da 1ª classe.

Pensando agora até parece simples mas no fim de uma viagem de mais de 20 dias, com uma mala cada um – mais uma estepe cheia de tranqueiras compradas em souks – isso começa a complicar.  A falta de escadas rolantes, informações seguras de ondem baldear e de alguém que fale inglês, começa a pesar. A troca de trens no caminho, a dúvida sobre qual estação de Casablanca desembarcar (tem duas, seja lá o que isso quer dizer), o banheiro sujo do trem e o piriri que ainda não acabou totalmente podem te fazer chegar a um tipo de histeria boba e feliz, nem sei porque feliz mas eu estava exatamente assim quando vi a feia cena de Casablanca noturna passando pela janela do nosso trem de 2ª classe (o melhor que conseguimos)  e comecei a cantar coisas irritantes pro meu marido no ritmo de As time Goes by.

“O trem está passando, a sujeira tá colando, os “cara” estão olhando…
E o nosso fim de linha amor…estamos ferrados siiiimmm”.
(E ele bufava)

“Você me avisou, Marrocos é primeiro, mas eu não quis assim…
Eu quis Espanha antes amor e agora estamos cansados demais, pra curtir”
(Uma olhada feia dele pra mim)

“A cidade é muito feia, a gente já sabia, mas eu não quis sabeeeer.
Eu quero Casablanca o filme amor, eu quero agora sim…”

“Fui até ali, fazer o meu xixi mas não tive coragem.
O banheiro está transbordando amor…acho que desisti…”

“O xixi está saindo, o banheiro está ali, mas tenho medo dele
Não vai dar pra evitar amor, porque agora tenho um piriri…”

“Você disse Califórnia, fui que inventei, estas férias das arábias…
Você tinha razão amor…a Golden Gate deve ser mais linda sim, e laranja!
(Nesta parte achei que ele iria me socar)

E Casablanca passava, a uns 80 por hora no vidro embaçado do trem, triste, escura, quente e desconfortável, como se nunca tivéssemos nos programado para estar ali.
E assim fomos, eu e meu amor (irritado) a som da clássica trilha do filme (numa versão própria e porca) rumo ao bizarro aeroporto de Casablanca (onde nos perdemos um pouquinho e ninguém falava inglês), pegar uma van (mais bizarra ainda), para um hotel (caro demais mas o melhor que conseguimos porque tinha uma convenção não sei do que nas redondezas), lotado de pessoas do norte da África vestidas de um modo muito, muito diferente (isso foi beeem legal), com tocos de cigarro debaixo da cama (nojo), com banheiro novo mas encardido com rejuntes dos azulejos mais encardidos ainda (mais nojo), de onde só saímos no outro dia de tarde pra pegar nosso voo (porque o cara queria nos cobrar 150 euros pra nos levar pra ver a maior mesquita do mundo e algum outro mercado).

Casablanca, eu posso viver sem te conhecer, obrigada.

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12/06/2010

34 :: FAZER COISAS BREGAS…

por 1000 coisas para fazer antes de morrer

…NO DIA DOS NAMORADOS

Ai, o Dia dos namorados…é brega mesmo, né? E necessário, pra aliviar as tensões.
É um dia onde alguns conceitos tiram férias e algumas coisas são permitidas.
É o dia, em que o amor – e todas as coisas necessárias (ou não) que o acompanham – nos fazem colocar em prática, mais descaradamente e sem vergonha, coisas fofas como flores, bombons, cartões, filas em restaurantes “românticos” ou um jantar com velhos e novos amigos, para festejar o conforto da tampa (nem que for tortinha) da panela…

Ao meu amor uma música.
Sim, eu posso ser muito brega se quiser. A melhor parte é a do gelo pegando fogo!

Mais um vídeo, destes que fãs gravam em shows, com gritos de uhúúúúúúúúúú ao fundo.
Mas não é esta a questão, a questão é: tem tensão sexual aí?

12/06/2010

33 :: CONHECER CINQUE TERRE…

por 1000 coisas para fazer antes de morrer

…UM LINDO CONJUNTO DE VILAS NO NOROESTE DA ITÁLIA

Este post merece uma trilha sonora em homenagem ao dia dos namorados e à breguice, ingrediente sem o qual o amor não sobreviveria por muito tempo.

Cinque Terre, meu amor…
Rola um romantismo, um frio na espinha, quando lembro deste único dia nestas encantadoras – e encantadas – cinco terras emolduradas pelo Mar Mediterrâneo, na Ligúria.

O dia estava lindo, azul e fresco. No som do carro rolavam músicas italianas de gosto duvidoso e no coração felicidade e sobressaltos a cada curva cinematográfica, com vistas pro mar. Meu marido dizia pra eu me preparar pro grande cortiço que estávamos prestes a conhecer e eu imaginando uma versão Sicília ou a Costa Amalfitana no norte da Itália – acho que os dois acertamos.

Assim chegamos em RIOMAGGIORE, a porta de entrada para o Parque Nacional de Cinque Terre (pra quem vem de La Spezia).

Vilinha linda, vida normal, com seus varais nas varandas e alguém gritando Mariooooooo!!!

Para pegar a Via dell’Amore, a trilha que liga RIOMAGGIORE A MANAROLA, passamos por um túnel muito original, revestido de cacos de azulejos…

A Via dell’Amore é um caminho suspenso, leve, lindo, fácil de caminhar e muito (muuuuuuito) romântico.


As mensagens de amor eterno estavam por todos os lados, nas paredes…

…e nos cactos e agaves (mas isso eu achei meio porco).

Com o sol morno batendo no rosto paramos algumas vezes para admirar o mar azul, os penhascos e um ao outro, felizes.

Fomos fotografados por um sujeito com cara de norte europeu que disse que uma cena daquela não poderia ser desperdiçada. Click. The love is in the air…

Dá pra fazer tudo a pé (por trechos de trilhas leves ou mais profissas) ou em pequenos (e rápidos!) trechos de trem.
De MANAROLA até CORNIGLIA fizemos isso…

…e depois subimos uma trilha entre vinhedos até a parte alta da cidade de CORNIGLIA.


Mais um cafezinho, sorvete e pizza.

E continuamos nossa exploração, de trem.

VERNAZZA, a preferida. Linda, com muita vida em torno do píer, onde ficamos um tempão quietos e tomando sorvete – e onde meu marido acha que tomou o melhor café do mundo, um Illy curto, cremoso e a 70 centavos de euros.

E finalmente a última: MONTEROSSO AL MARE que merecia ser explorada com mais tempo. Quem sabe um dia?

Foi só um dia mas não teve clima de correria, foi o dia de 12 horas mais longo de todos os tempos.

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Depois de conhecer um pouco de cada vila, VERNAZZA foi o lugar escolhido para voltar e passar o final da tarde (mas meu marido foi para Riomaggione tirar o carro do estacionamento que fecha as 18, quando resolvemos que iríamos embora naquela noite mesmo para Florença).

Muito a fim do programa de fim de tarde peguei o trem e fui sozinha para Vernazza. Peguei o trem errado por não prestar atenção a tabela de horários e destinos. Eles são pontuais, rapidos e eficientes mas um pouco confusos, porque nem todos os trens param em todas as vilas, tem uns expressos que passam reto por algumas e eu, a pessoa mais desligada do mundo, pirei e fiquei dando voltas.
Mas foi até bom porque tive mais tempo para curtir um novo visual enquanto esperava outro trem. Conversei com um casal no vagão (que tinha cometido o mesmo erro duas vezes) e curti o meu momento, sozinha e feliz.

Quando cheguei em Vernazza o pôr-do-sol mesmo já tinha acontecido e as crianças norueguesas, que nadavam peladas no mar gelado, já tinham ido embora. Os meninos belgas, que caçavam águas vivas, também. Passei sentada uma hora (ou duas) vendo o sol ir embora e pensando na benção de estar ali, ouvindo os pássaros caçando no mar e gritando, histéricos. Um momento de oração, de olhos fechados, agradecendo por respirar aquele ar puro e sentir no rosto o vento, que começava a ficar gelado.

Fotografei um pouco, sem pressa.

E quando começava a bater os dentes de frio meu marido chega, com meu casaco e um abraço quente.
Ali ficamos mais um tempo vendo o céu que há meia hora era laranja, vermelo, roxo, mudar do lusco-fusco pra uma noite escura mas colorida pelas quentes cores das cidades italianas.

Voltamos para Manarola, agora outra cidade, mais vazia e noturna…

…escolhemos um restaurante (inesquecível) no chute, comemos e bebemos incrivelmente bem, pagamos incrivelmente barato e fomos embora incrivelmente tarde para pegar a estrada para Florença. E incrivelmente felizes fomos a pé, pela Via dell’Amore, agora iluminada apenas pelas estrelas e luzes dos barcos de pesca dos moradores destas vilas, que até no jeito de falar parecem estar cantando lindas canções de amor. Ai, o amor…

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Mais fotos de Cinque Terre? Clique aqui.

O Parque Nacional de Cinque Terre comprende tanto a área terrestre das cinco vilas, Riomaggiore, Manarola, Corniglia, Vernazza e Monterosso al Mare, como a área costeira da região. Pode se chegar ao parque vindo de Genova ou de La Spezia, de trem, ônibus ou carro. O ingresso ao parque tem 3 modalidades:

1 Cinque Terre Card que permite o uso dos ônibus do parque, acesso à Via dell’Amore (Caminho do Amor) que liga Riomaggiore a Manarola, todas as trilhas do parque e seus mirantes, ciclovias e áreas de piquenique do Parque. Inclui ainda a entrada para os museus em Manarola, Riomaggiore e Monterosso al Mare, além de dar direito a descontos sobre os produtos adquiridos nos centros de recepção do parque.

2 Cinque Terre Card Treno permite além do que já foi citado, o uso dos trens em Riomaggiore e Monterosso al Mare e vice-versa (trens regionais e inter-regional na 2 ª classe), para viagens ilimitadas durante a validade do cartão escolhido pelo usuário. Aqui cabe uma explicação sobre os trens: Quando se compra o cartão nos dão uma tabela com todos os horários nas cinco estações. É preciso atenção pois nem todos os trens param em todas as estações, mas o tempo de espera é curto e o percurso entre uma cidade e outra é curto e rápido.

3 Cinque Terre Card Battello permite que você use o ferry-boat para viagens ilimitadas dentro da zona marinha protegida Cinque Terre e também todas as permissões do anterior.

O Cinque Terre Card e Cinque Terre Card Treno,  estão disponíveis em versões para adultos, crianças, família, maiores de 70 anos, e podem ser válidos para 1, 2, 3 e 7 dias.

– Para aqueles com mais de setenta pedir a Cinque Terre Card Prata
– Para a família com mais de uma criança perguntar o Cinque Terre Card Família

O Cinque Terre Card Battello está disponível apenas nas versões de adultos e crianças e é válido somente para um dia.

No inverno, por razões de segurança, os caminhos podem ter fechamentos parciais. Portanto, é recomendável entrar em contato com centros de recepção sobre a rota escolhida.

09/05/2010

18 :: FAZER UMA EXCURSÃO PRO SAARA…

por 1000 coisas para fazer antes de morrer

…AS CEGAS

Foi em uma viagem ao Marrocos…

Não sei quanto tempo fazia que não entrava num esquema de excursão. As vezes é necessário, como neste caso, mas admito que não gosto muito, acaba toda a autonomia. Mas a gente não teve peito de ir de carro até Merzouga (a cidade base) e depois tocar pro Saara. Não sem falar árabe nem francês…

Chegamos cedo, todo mundo com cara de sono na porta da “operadora de turismo” que iria nos levar ao deserto. Esperamos. Informação zero.
Daí um cara grita: “Three days, two nights!”. Opa, deve ser com a gente! Jogamos a mochila numa van quase branquinha, quase nova e quase com ar-condicinado.

Entramos. Ninguém se apresentou, nem o motorista. E a viagem começou ali, sem nenhuma palavra.
Depois de horas sacamos que o motorista era motorista e guia, sendo que a segunda ocupação ele não exerceu em nenhum momento. O infeliz só ia parando e mandando a gente descer quando ele queria.
Com jeito e aos poucos fomos conhecendo o grupo, que não podemos chamar exatamente de animado.

Éramos nós, um casal catalão que depois ficou simpático, outro casal japonês também simpático, um outro de Cingapura (podemos chamar de Cingapurenses, Cingapurianos? Esquisitos, pronto! Pelo menos o homem era), um menino brasileiro (médico recém-formado que estava com infecção intestinal e mau humor), uma japonesa com o cabelo pintado de loiro milho, uma coreana super-hiper-mega-vaidosa-pati com a digital que no clic soltava um latido (?!) e um israelense tipão com cara de professor-inteligente de universidade.
Vamos descomplicar como os marroquinos: chamar as pessoas pelo nome do seu país.

Achei muito azar estar numa excursão cheia de orientais de cabelos lisos sabendo que iríamos dormir e acordar no deserto sem água para baixar minha juba. Mas estas coisas a gente não escolhe. Ou escolhe?

Uns 40 minutos de perifa, uns povoados e logo a gente entra nas montanhas Atlas.

Ninguém disse nada mas eu sabia, a gente estava lá! Que Deus nos guarde das curvas e precipícios, dos guard-rails recém destruídos por algum acidente e das ultrapassagens muito loucas do motorista-guia. Mas ele bem que parecia que sabia o que estava fazendo e a estrada era boa de verdade, mas as curvas eram tantas que tinha hora que quase dava pra ver o nosso próprio rabo pela janela. E um hit marroquino rolava na vitrola…(vitrola não mas era toca fitas!)

A buzina da van era um capítulo a parte, era uma musiquinha parecida com aquelas de amolador de faca, e soava a cada ultrapassagem, fosse ela sobre um carro, bicicleta ou pedestre (engraçado, todo mundo faz isso lá).

E a gente começava a se sentir como naquele filme…como era mesmo o nome? Ah, Babel!

Deve ser isso que as revistas de viagem dizem quando escrevem “visão de perder o fôlego”.

Mas a van quase não parava pra apreciar nada 😦
A gente não sabia, mas tinha um programa apertado atravessando as cidades desérticas Saarianas. Detalhe: sem guia, sem informação, sem falar o idioma, sem quase nada. Apenas a vontade de viver e fazer 1000 COISAS ANTES DE MORRER, torcendo pra não ser exatamente ali…

05/04/2010

2 :: CHORAR VENDO UM FILME…

por 1000 coisas para fazer antes de morrer

…(OU COMERCIAL DE MARGARINA, TANTO FAZ)

Mandei um e-mail pro Roger (amigo querido e talentoso, sem dúvida um amigo pra ter antes de morrer).
Foi um pedido de ilustração pro blog. Mais ou menos assim ó: “O blog é este, faz o que você quiser.”

Resposta: “Donana, Veja se te agrada. Quando li o título, a primeira coisa que veio na minha cabeça foi a cena do outono no começo do UP (animação da Pixar). Era uma metáfora muito bonita com o fim da vida da esposa do Carl. Se vc ainda não viu, vale a pena!…”

(É, este menino tem sensibilidade, um verdadeiro poeta. Sim, o coração dele já tem dona, uma dona linda)

Bom, eu não tinha visto o filme. Fui voando ver o no youtube. Chorei. Mostrei pro meu marido. Chorou. E agora estou dizendo aqui pra mais gente chorar e não deixar de fazer muitas coisas antes de morrer!


Não me pergunta porque está em italiano, já vou dizer; foi o único inteiro que achei e sou ruim de achar coisas na net.

Ana Claudia ou Ellie (mas com final feliz, Deus me livre ter meu álbum de aventuras em branco lá na frente, na hora H)

Como é bom viver!