Posts tagged ‘Itália’

02/07/2011

82 :: UMA MANHÃ DE FESTA…

por 1000 coisas para fazer antes de morrer

…EM MONTALCINO

Ontem à noite, tomando o último dos vários goles do meu Valdorella di Chianti – comprado em supermercado mas com super bom olho do meu marido – fui levada à uma viagem no tempo.

Eu estava em uma das pernas do roteiro de vinhos toscanos, a caminho de Montalcino, a região onde é fabricado o Brunello de Montalcino.

Pausa aqui. Eu realmente não entendo quase nada de vinhos, mas dando um google percebo uma certa competição entre estes dois vinhos que menciono aqui, mas eu realmente não ligo de colocar os dois nomes na mesma frase. Para mim eles estão, juntos, nas minhas lembranças agradáveis de um dia de outono.

Domingão. Estava frio quando saímos da nossa honesta semi espelunca super bem localizada, o Piccolo hotel il Palio em Siena. Pegamos nosso carro, na praça em frente de onde ele deveria ser retirado sempre até as 7 da manhã para não tomarmos multa, e pegamos a estrada eufóricos.
O início do caminho foi cinza, com neblina. Aos poucos ela foi diluindo, virando fiapos brancos e a trilha sonora evoluiu para músicas italianas de gosto duvidoso. Ciprestes apareceram no caminho, vinhedos também, envoltos em brumas tão românticas… Nem parei para fotografar, para que estragar um momento tão mágico se arriscando a um atropelamento nas estradinhas sem acostamento?

Enfim chegamos à Montalcino e já dava para ver a cidade histórica, murada.

Muita gente na rua, dia da Sagra del Tordo, uma festa medieval que iniciava a temporada de caça.
São quatro bairros disputando o prêmio, a “Flecha de Prata”. Azul e amarelo, Riga. Branco e vermelho, Borghetto. Branco e azul, Pianello. Amarelo e vermelho, Travaglio.

Famílias inteiras assistem as apresentações de danças típicas.

Ou alguma competição cujo touro enorme é o centro das atrações.

Crianças comem seus paninis, velhinhos ficam sentados em frente suas casas ajardinadas e velhinhas comentam como a cidade está mais ou menos bonita que nos anos anteriores. O traje medieval é o figurino para os que participarão das encenações.

Tudo acontecendo debaixo de um céu azul, do ar frio que perde força conforme o sol sobe e dos mirantes que mostram emocinantes paisagens toscanas.

Dia de sorte, pura sorte.

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27/04/2011

79 :: SE DEIXAR SER FOTOGRAFADA…

por 1000 coisas para fazer antes de morrer

…DIRIGIDA, DE POSE MESMO.

Acho que não precisa lá de muitas palavras…momento único, feliz, em uma noite chuvosa de outono em Florença.
Estava um frio daqueles e eu tinha perdido minhas luvas de couro falso compradas num barraquinha em Roma (ainda não sabia que tinha perdido, mas tinha), tinha andado o dia todo debaixo da garôa fina e meus pés só não estavam molhados porque estava usando uma bota impermeável, forrada de pêlo de não sei o que, que me deu uma baita dor na canela depois – não era tão confortável a danada, mas na hora parecia que era.
Nesta noite compramos um bicho de pelúcia do Ratatouille para a Thathá, minha sobrinha mais velha das sobrinhas meninas. Ela adorou, ele ainda existe todo encardido e da última vez que o vi morava na casa da gata, que já morreu. Nesta mesma noite entrei em uma loja da M.A.C. e fui mal entendida por uma biba mal humorada e acabei não comprando o lápis que deixaria meus olhos parecidos com os das italianas que tinha visto no metrô. Não lembro se já tinha ido ver a ponte cheinha de coisas de ouro que nem se eu estivesse podre de rica compraria, de tão brega. Não sei também se a gente tinha jantado ou se jantou, esqueci. Mas sei que neste dia a gente se perdeu legal, pegando um certo (errado, na verdade) ônibus que um velhinho meio cego e meio manco nos indicou e que nos fez parar no fim do mundo.
Num destes vais-e-vens vi uns ratos (ratões, não ratinhos) atravessando uma praça, e pior, eu tinha que atravessá-la para pegar o ônibus certo.
Foi, sem dúvida, uma linda noite chuvosa de outono…de verdade. Mesmo que as palavras as vezes digam algo contraditório, como “ratos” e “linda” na mesma frase. Esta foto eternizou o momento mágico, enfeitado com gotinhas douradas no meu guarda-chuva que combinavam com os brilhos da gola rolê da minha blusa recém comprada na José Paulino e com o brilho sintético do meu trench coat (sempre achei que usaria esta palavra chique: trench coat!) comprado não sei onde. É isso que vale :*}
ps. repara, o cenário também é dourado, com a Ponte Vecchio ao fundo.
ps2. eu fiquei bem na foto. Logo eu que mostro a língua, faço caretas e entorto o olho na hora do click!

26/04/2011

78 :: VER A TORRE DE PISA…

por 1000 coisas para fazer antes de morrer

…NEM QUE FOR POR MEIA HORA

Que atire a primeira pedra quem nunca pensou em ver um cartão postal meio brega.
O que seria um cartão postal brega? Não sei explicar direito mas só sei que considero a Torre de Pisa bre-guí-ssi-ma.
Até eles concordam com isso e fazem uns souvenires ridículos demais, bem piores que bolsas em formato de Torre Eiffel, bem piores que imã de geladeira comprado no Caminito, bem piores que caneca com a carinha do Papa, tadinho.

Eu adorei ir à Pisa, foi rapidinho, legal e mais que suficiente para ver e sair correndo.

Lembrei dela hoje, vendo uma notícia na Folha: Restauro na torre inclinada de Pisa termina após 20 anos e juro que me deu saudades deste dia bregão.

Veja só. A gente estava indo de…de onde mesmo? Acho que de Siena para a Ligúria e desviamos nosso roteiro em uns 100 quilômetros só pra ver a tal da torre, tão famosa. Afinal, vai saber quando teríamos a mesma oportunidade, não?
Viemos por uma avenida que bem poderia ser em Florença, com rio, ponte e tudo. E eu me pescoçando toda, imaginando em que hora ela iria aparecer na minha frente…cadê, cadê?

Daí, assim, como quem não quer nada, tcham!!! Lá, depois de um portão, de um muro, de um mar de barraquinhas de tranqueiras e de um monte de gente eu vi aquela forma tão familiar, tão vista em logomarcas vagabundas (e outras nem tanto) de pizzarias – as marcas, não as pizzarias, não todas.

Ahá, não é que ela existe mesmo?! Nesta hora quase fui atropelada por um ciclista – cuidado, os ciclistas de Pisa são loucos. Ou isso ou eu estava acostumada com a vida (curtinha, de turista, uma vidinha mini de borboleta) nas cidadezinhas toscanas e estava meio fora do esquema cidade-mutcho-loca.
Enfim, depois de quase ser atropelada por mais uns dois ou três caras guiando suas bicicletas desvairadas e sem buzina eu fiz aquilo que ninguém deveria fazer mas faz. Eu tirei fotos empurrando, segurando, espalmando a torre. Meninos eu fiz! Fiz, eu fiz, fiz e gostei.

Se faria de novo? Talvez, se estivesse indo para a Ligúria, num dia de sol, com um tempinho para desviar 100 quilômetros do meu caminho…faria sim, e subiria para ver se ela aguenta meu peso.

E ficaria meia hora (de novo), pegaria a mesma estrada de volta, talvez para a Ligúria, para Cinque Terre de novo.

 

06/03/2011

75 :: PIAZZA NAVONA. HISTÓRIA, ARTE…

por 1000 coisas para fazer antes de morrer

…MÚSICA E UM SORVETE ESPECIAL

FONTE DOS MOUROS. BERNINI? SÓ NA ESCULTURA CENTRAL

Há uns meses tive um sonho. Eu estava em uma praça barulhenta, muita gente falando…lugar animado.
No sonho eu me esforçava para entender onde era aquele lugar mas não conseguia ver, apenas ouvir. Estava sentada em um banco e ali fechei os olhos e como um cego me concentrei nos sons e no idioma.

Itália! Eu estava na Itália, em Roma, na Piazza Navona!
No sonho, joguei a cabeça para trás, relaxei e pensei: “Vou ficar aqui, de olhos fechados apenas ouvindo as pessoas falando em italiano.”

E acabou. Pena que era sonho.

A Piazza Navona é conhecida por ser uma das praças mais bonitas do mundo.
O formato da praça – em nave, por isso o nome Navona – é o mesmo do local sobre o qual ela foi construída, o Stadio di Domiziano, nome do imperador que mandou construí-lo no ano 86 d.C. (dizem que tem um buraco meio escondido de onde se vê as ruínas deste estádio).
A praça é circundada por prédios em arquitetura barroca, de uma reconstrução de 1664. Da mesma época são as fontes de Bernini: Del Moro e Dei Quattro Fiumi (em restauração quando eu fui) que simboliza os quatro rios do paraíso – Danúbio, Nilo, Prata e Ganges – e os quatro continentes do mundo conhecido na época: Ásia, África, Europa e as Américas.

Nem sei explicar o motivo pelo qual gostei tanto dela, nem tem jardins…
Acho que são os prédios, o colorido, as pessoas, os artistas, o número de turistas misturados aos velhinhos italianos. Ou talvez tenha sido um golpe de sorte tê-la conhecido em um dia outonal de 20 e poucos graus, céu azul, músicos tocando clássicos italianos em seus acordeons e uma simpática senhora rodopiando em torno de si, pela simples felicidade de estar…feliz? É, ela parecia feliz e meio embriagada.

É isso, esta piazza me deixa feliz.

FONTANA DEI QUATTRO FIUMI, EM OBRAS

E tem um restaurante-café-gelateria, hum…a Tre Scalini, antiquíssima.

Em casa ela é lembrada como o melhor sorvete da vida do meu marido: amarena variegata (nada mais nada menos que sorvete de nata com veios de cereja).

Não sou tão tarada por sorvetes ao ponto de lembrar o sabor do meu mas não resisti e entrei neste link, ó: a webcam na Piazza Novona.

Alguém mais está ouvindo, bem ao fundo, “The Godfather”? Não? Não?

05/02/2011

70 :: PEDIR UM CAFÉ EM UM PAÍS ONDE O…

por 1000 coisas para fazer antes de morrer

…CAFÉ TEM QUASE (QUASE?) A MESMA IMPORTÂNCIA DE UM ESPORTE OLÍMPICO

No mesmo café onde comi meu primeiro cornetto italiano foi onde vi, in loco, o que já tinha visto na animação onde Bruno Bozzetto satiriza as diferenças entre os italianos e o resto da União Europeia.
É uma bagunça danada, um bolo de gente pedindo: caffè normale, latte macchiato caldo, latte macchiato freddo con cioccolata, corto, nero, espresso. Haaaaaaaaaaaaaaa! Socorro.

Bem que fiquei procurando a lista interminável escrita em algum lugar, um quadro destes que tem em São Paulo com os preços do pão com manteiga, sabe? Não tinha. Acho que pedi um cappuccino – ainda bem que era cedo pois fiquei sabendo depois de cappuccino só se pede até as 11:30 (oi?) depois é ofensa.
Logo descobri meu café: café com leite clarinho, dois dedos de espuma, chocolate em pó por cima, sujando o pires que vinha sob o copo alto, de alça e pezinho, uma espécie de xícara-taça. Ou seja: latte macchiato caldo (muito importante, senão vem freddo!) con cioccolata. Agora sei mas antes de descobrir tomei vários que, ora faltava o chocolate, ora a xícara alta de pezinho, ora era escuro demais…

Pedidos que parecem tão especias (con schiuma, sensa schiuma, freddo, calda, ristretto, lungo…) são cantados no bacão onde os atendentes fazem a mágica de desfazer o bolo de gente rapidinho, sem ajuda de bloquinho de anotações, até outra horda esfomeada por doces e cafés invadir o recinto. Por alguns dias observamos os mesmos operários, engravatados, jovens barulhentos, a mulher chique de bicicleta, o homem acompanhado de seu cachorro vira-latas que era a cara do meu médico – o homem, não o cachorro – se acotovelando para o ritual do café antes do dia começar.

E para todos que iam, a saudação: una buona giornata.

Uma lista de um monte de maneiras de pedir café em italiano. Sensacional.
Nota da autora: até hoje meu marido  me faz este leitinho, com a xícara igualzinha que ele comprou aqui  mesmo, em São Paulo.

 

27/01/2011

69 :: COMER SEU PRIMEIRO, SEGUNDO…

por 1000 coisas para fazer antes de morrer

…TERCEIRO, CORNETTO EM ROMA

Croissant, media luna ou cornetto para os romanos – minha versão preferida, um sonho atiçado por uma reportagem que tinha lido, ponto para as reportagens de viagens bem escritas.
Nomes diferentes para uma coisa bem parecida, um clássico folhado de padaria.

Na mordida percebe-se aqueles furinhos tão característicos da massa levemente amanteigada, folhada por dentro e crocante por fora.
O simplezinho, sem nenhum recheio, já satisfaz, lógico. Porém, meu preferido é o recheado com Nutella.
Antes de espalhar (e derreter) pela sua boca, preenchendo cada cantinho com uma mistura incrível de calorias felizes pode-se dizer que ocorre uma sequência de experiências quase espirituais.
Pense num massa fresquinha, delicada, pouco resistente. Agora se imagine mordendo esta coisa boa.
Ouve-se o barulhinho de “creck” da camada crocante da danada cedendo, depois a leve nuvem de açúcar de confeiteiro paira por segundos em frente ao nariz. Logo em seguida vem a travessia da massa folhada macia, levemente amanteigada.

Os dentes e a língua atingem o creme de avelã que, sem prática, pode fugir para os cantinhos da boca – apenas mais uma detalhe para fechar o cenário quase infantil de migalhas e açúcar espalhados pela roupa.
Precisa-se prática para acertar a mordida sem esta sujeira toda e para se conseguir a prática nada melhor que treino. Treina-se também em outras versões  igualmente deliciosas: massa integral com mel, recheado de geleia de diversos sabores, chocolate amargo, creme…

E me lembro do meu primeiro cornetto em um boteco perto do meu Bed and Breakfast numa ruazinha nos arredores do Coliseu – que era só bed e o dono ranzinza dava um vale breakfast para este café da vizinhança. Saímos ganhando, era um lugar bem interessante. O nome? Não sei. Uma foto? Não deu tempo. Talvez, vendo no google? Achei ó: este é o link com a foto meio de lado do bar, onde tem aquela letra T.

É bem provável que em outro boteco meio encardido, num charmoso café ou em um pastifício chiquetoso tenha um bom cornetto te esperando, pronto para ser mordido com…gula? Não, não é este o pecado capital associado a ele. Luxúria cai melhor, muito melhor.


15/08/2010

45 :: CONHECER PERÚGIA…

por 1000 coisas para fazer antes de morrer

…NA ÚMBRIA, A (MINHA) CIDADE MAIS AFRODISÍACA DO MUNDO

Mesmo sem ser envolta em sonhos uma viagem pode virar “aquela” viagem. Assim aconteceu com a minha visita à Perugia, na Úmbria – a irmã menos célebre da Toscana.

Dica: a Perúgia é uma cidade universitária, do chocolate Baci Perugina (aquele que vem embalado com uma mensagem de amor) e da arquitetura com becos de pedra no estilo dos manjados filmes de época de Russell Crowe e Mel Gibson. É também a alternativa para hospedagem cara de Assis, a cidade que de Franciscana nada tem, apenas o nome.

E assim também fomos apresentados a esta cidade, rapidamente e sem muitos detalhes.

A chegada foi meio bagunçada, com chuva.

PARECE OU NÃO UM COMERCIAL DE CARRO? TOCAVA FELICITÁ NO CD

Sem reservas, tivemos um pouco de dificuldade em encontrar nossas opções de hospedagem. Achamos que era um lugar, não era. Achamos que era outro, também não, era uma casa e meu marido teve teve que multiplicar seu italiano para falar pelo interfone.
Acabamos batendo na porta de um hotel 3 estrelas muito jeitoso, fora da cidade histórica e um pouco fora do nosso orçamento, o I Loggi. Sem site (ã?), vai um link do google. A janelinha é exatamente a do nosso quarto).
Em cinco minutos de papo sobre a Fiorentina, Edmundo e sobre o futebol brasileiro o gerente não deixou a gente ir embora. Por sugestão dele ficamos pelo preço que iríamos pagar em outro lugar mais básico, o nosso preço.

I LOGGI

Malas ao quarto (que era um micro AP, com cozinha e tudo) e pegamos o caminho para a rua. Rumo? Cidade histórica, linda lá no alto da colina.

Tivemos uma linda noite em Perúgia. Andamos a pé para conhecer um pouco a pequena cidade para onde estudantes de toda a Itália se mudam para estudar, deve ser divertido morar lá.

Jantamos deliciosamente no Caffè di Perugia, um trio de café, restaurante e vinoteca.
A escolha foi pizza de presunto de parma (frio, colocado depois do forno, como deve ser), salada de rúcula com lascas de pecorino, peras escaldadas em algo doce que não tenho certeza do que é (já criei uma versão caseira com mel e aceto balsâmico), um mítico suflê de castanha do tamanho de uma avelã, quase sem gosto e que nos custou preciosos euros e…e…não lembro o 3º prato, nem a sobremesa. Quem sabe a foto dá a dica, vou ver.

É, ACHO QUE ERA ISSO MESMO: PIZZA, SALADA E O MICRO SUFLÊ

Andamos de mãos dadas, como dois namoradinhos, debaixo de frio e chuva. Paramos para comprar e dar Baci (beijos em italiano). Paramos muitas vezes para ajeitar nosso guarda chuva verde vagabundo (comprado de um camelô) que teimava em virar do avesso a cada rajada de vento.

CENTRO HISTÓRICO, O BACI E A PONTA DO NOSSO GUARDA CHUVA VERDE

O vento e o nosso guarda chuva nos venceram, achamos mais negócio voltar para o hotel, para nosso quarto de pedra (cuja salinha tinha vista para uma colina de oliveiras) para nossa cama, travesseiros e edredons fofíssimos. Encerramos nossa noite no maior estilo romance-barato-de-banca-de-jornal mas não perdemos a hora para o café da manhã (regado a todas as variações possíveis de Nutella) e para a visita à Universidade da Perúgia, com seu lindo horto medieval de ervas e sua basílica de São Pedro, com obra de arte de artistas famosos, como Rafael.

UNIVERSIDADE PERÚGIA

O que estava escrito no nosso papelzinho do bombom? Não lembro. Mas devia ter algo a ver com noite italianas inesquecíveis ou com situações extremamente afrodisíacas. Deve ter sido isso, dizem que o chocolatinho sempre acerta.

01/08/2010

44 :: TER UMA EXPERIÊNCIA GASTRONÔMICA…

por 1000 coisas para fazer antes de morrer

…E EMOCIONAL EM UM RESTAURANTE NOS ALPES

Em verdade vos digo que nem só de piquenique se vive. E digo mais! Uma experiência em um bom restaurante num lugar agradável e com pessoas queridas não pode ser desprezada, nem esquecida.
O La Clusaz, no Valle D’Aosta, Itália, é um bom lugar para para isso.

O dia já tinha sido perfeito depois de acordar na casa da famiglia italiana em Morgex, tomar um café da manhã demorado, conversar à mesa e fazer uma linda caminhada no Parco Nazionale Gran Paradiso, debaixo de um céu absurdo de azul e de um frio danado.

Bem que a gente podia encerrar a noite com um jantar substancioso e quente. Eu tinha pensado no Luca cozinhando, mas foi diferente.

Cansados, cheios de picão nas calças e tênis de caminhada, paramos o carro em frente a uma fachada nada promissora, comunzinha de tudo. Era umas oito da noite, fazia quase zero grau e o Luca e a Serena (nossos anfitriões) tinham reservado, de um jeito meio misterioso, este jantar para comemorarmos nosso reencontro, agora em terras italianas. Um parêntese aqui (acho que preciso explicar melhor quem são eles e a tal famiglia italiana, é uma longa história, mas fica assim só por hoje: a Serena é mais ou menos uma irmã mais velha que eu tenho, uma irmã queridíssima, personagem de uma história de 37 anos de separação e alguns poucos outros de reencontro, mais ou menos como seria numa péssima novela mexicana, com final feliz e tudo).

Assim que atravessamos a porta do restaurante entramos numa atmosfera aconchegante, com iluminação quente. Meu casaco deslizou suavemente do meu corpo para as mãos delicadas de um rapaz que o pendurou em um armário lateral (por um minuto me senti constrangida por estar suja de mato e terra e descabelada, mas passou logo).
O lugar tinha pé direito baixo, decoração rústica com toques de design moderno. Bom gosto.
Fomos silenciosamente conduzidos à nossa mesa com copos recém servidos de prosecco, soltando bolhinhas. E sala era tão bonita, parecia uma gruta.

Eles nos sugeriram um menu desgustação da cozinha típica das montanhas.
Não me pergunte o que comi, nem me lembro mais de tantos detalhes. Foram uma série de comidinhas (massas, sopas, frios) e vinhos tão gostosos que abraçavam meu estômago, tudo em pequenas e lindas porções e em diferentes formatos, texturas e tamanhos de pratos, todos brancos. Delicado isso.

Normalmente eu não bebo mas me empolguei nos vinhos e saí de lá levinha, quase flutuando. Meu marido, que também não bebe, bebeu, muito, mas não a ponto de ficar bêbado. Estava tão feliz e engraçado falando italiano alto (a bebida tem um efeito desinibidor de idiomas nele) que rimos disso até hoje.
E nosso anfitrião e motorista também bebeu bem e nos levou para casa tarde, naquelas estradas íngremes, cheias de curvas, pontes e precipícios dos Alpes. Fomos nos braços de Deus (que tem misericórdia das pessoas que nunca bebem e fazem isso só as vezes e sabem que não se deve dirigir depois de muitas taças de vinho) cantando Caetano Veloso, Pino Daniele e músicas italianas de gosto duvidoso (estas últimas sob protestos do Luca). Enquanto isso Bianca, minha sobrinha, cantava a temperatura do mostrador, torcendo para nevar. Una vera famiglia italiana.

Além de restaurante o La Clusaz é pousada, um charme.
O restaurante fecha as terças o dia todo e as quartas apenas no almoço.
Os preços são bem amigos, muito menos do que se gastaria em São Paulo em um restaurante do mesmo nível, sem neve em estradas alpinas com vista para cidades fofas.
La Clusaz – Locanda Ristorante – Gignod AO
Inn Restaurant – Gignod – Aosta Valley (Italy)
Tel. +39 0165 56075 – Fax +39 0165 56426
info@laclusaz.it

12/06/2010

33 :: CONHECER CINQUE TERRE…

por 1000 coisas para fazer antes de morrer

…UM LINDO CONJUNTO DE VILAS NO NOROESTE DA ITÁLIA

Este post merece uma trilha sonora em homenagem ao dia dos namorados e à breguice, ingrediente sem o qual o amor não sobreviveria por muito tempo.

Cinque Terre, meu amor…
Rola um romantismo, um frio na espinha, quando lembro deste único dia nestas encantadoras – e encantadas – cinco terras emolduradas pelo Mar Mediterrâneo, na Ligúria.

O dia estava lindo, azul e fresco. No som do carro rolavam músicas italianas de gosto duvidoso e no coração felicidade e sobressaltos a cada curva cinematográfica, com vistas pro mar. Meu marido dizia pra eu me preparar pro grande cortiço que estávamos prestes a conhecer e eu imaginando uma versão Sicília ou a Costa Amalfitana no norte da Itália – acho que os dois acertamos.

Assim chegamos em RIOMAGGIORE, a porta de entrada para o Parque Nacional de Cinque Terre (pra quem vem de La Spezia).

Vilinha linda, vida normal, com seus varais nas varandas e alguém gritando Mariooooooo!!!

Para pegar a Via dell’Amore, a trilha que liga RIOMAGGIORE A MANAROLA, passamos por um túnel muito original, revestido de cacos de azulejos…

A Via dell’Amore é um caminho suspenso, leve, lindo, fácil de caminhar e muito (muuuuuuito) romântico.


As mensagens de amor eterno estavam por todos os lados, nas paredes…

…e nos cactos e agaves (mas isso eu achei meio porco).

Com o sol morno batendo no rosto paramos algumas vezes para admirar o mar azul, os penhascos e um ao outro, felizes.

Fomos fotografados por um sujeito com cara de norte europeu que disse que uma cena daquela não poderia ser desperdiçada. Click. The love is in the air…

Dá pra fazer tudo a pé (por trechos de trilhas leves ou mais profissas) ou em pequenos (e rápidos!) trechos de trem.
De MANAROLA até CORNIGLIA fizemos isso…

…e depois subimos uma trilha entre vinhedos até a parte alta da cidade de CORNIGLIA.


Mais um cafezinho, sorvete e pizza.

E continuamos nossa exploração, de trem.

VERNAZZA, a preferida. Linda, com muita vida em torno do píer, onde ficamos um tempão quietos e tomando sorvete – e onde meu marido acha que tomou o melhor café do mundo, um Illy curto, cremoso e a 70 centavos de euros.

E finalmente a última: MONTEROSSO AL MARE que merecia ser explorada com mais tempo. Quem sabe um dia?

Foi só um dia mas não teve clima de correria, foi o dia de 12 horas mais longo de todos os tempos.

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Depois de conhecer um pouco de cada vila, VERNAZZA foi o lugar escolhido para voltar e passar o final da tarde (mas meu marido foi para Riomaggione tirar o carro do estacionamento que fecha as 18, quando resolvemos que iríamos embora naquela noite mesmo para Florença).

Muito a fim do programa de fim de tarde peguei o trem e fui sozinha para Vernazza. Peguei o trem errado por não prestar atenção a tabela de horários e destinos. Eles são pontuais, rapidos e eficientes mas um pouco confusos, porque nem todos os trens param em todas as vilas, tem uns expressos que passam reto por algumas e eu, a pessoa mais desligada do mundo, pirei e fiquei dando voltas.
Mas foi até bom porque tive mais tempo para curtir um novo visual enquanto esperava outro trem. Conversei com um casal no vagão (que tinha cometido o mesmo erro duas vezes) e curti o meu momento, sozinha e feliz.

Quando cheguei em Vernazza o pôr-do-sol mesmo já tinha acontecido e as crianças norueguesas, que nadavam peladas no mar gelado, já tinham ido embora. Os meninos belgas, que caçavam águas vivas, também. Passei sentada uma hora (ou duas) vendo o sol ir embora e pensando na benção de estar ali, ouvindo os pássaros caçando no mar e gritando, histéricos. Um momento de oração, de olhos fechados, agradecendo por respirar aquele ar puro e sentir no rosto o vento, que começava a ficar gelado.

Fotografei um pouco, sem pressa.

E quando começava a bater os dentes de frio meu marido chega, com meu casaco e um abraço quente.
Ali ficamos mais um tempo vendo o céu que há meia hora era laranja, vermelo, roxo, mudar do lusco-fusco pra uma noite escura mas colorida pelas quentes cores das cidades italianas.

Voltamos para Manarola, agora outra cidade, mais vazia e noturna…

…escolhemos um restaurante (inesquecível) no chute, comemos e bebemos incrivelmente bem, pagamos incrivelmente barato e fomos embora incrivelmente tarde para pegar a estrada para Florença. E incrivelmente felizes fomos a pé, pela Via dell’Amore, agora iluminada apenas pelas estrelas e luzes dos barcos de pesca dos moradores destas vilas, que até no jeito de falar parecem estar cantando lindas canções de amor. Ai, o amor…

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Mais fotos de Cinque Terre? Clique aqui.

O Parque Nacional de Cinque Terre comprende tanto a área terrestre das cinco vilas, Riomaggiore, Manarola, Corniglia, Vernazza e Monterosso al Mare, como a área costeira da região. Pode se chegar ao parque vindo de Genova ou de La Spezia, de trem, ônibus ou carro. O ingresso ao parque tem 3 modalidades:

1 Cinque Terre Card que permite o uso dos ônibus do parque, acesso à Via dell’Amore (Caminho do Amor) que liga Riomaggiore a Manarola, todas as trilhas do parque e seus mirantes, ciclovias e áreas de piquenique do Parque. Inclui ainda a entrada para os museus em Manarola, Riomaggiore e Monterosso al Mare, além de dar direito a descontos sobre os produtos adquiridos nos centros de recepção do parque.

2 Cinque Terre Card Treno permite além do que já foi citado, o uso dos trens em Riomaggiore e Monterosso al Mare e vice-versa (trens regionais e inter-regional na 2 ª classe), para viagens ilimitadas durante a validade do cartão escolhido pelo usuário. Aqui cabe uma explicação sobre os trens: Quando se compra o cartão nos dão uma tabela com todos os horários nas cinco estações. É preciso atenção pois nem todos os trens param em todas as estações, mas o tempo de espera é curto e o percurso entre uma cidade e outra é curto e rápido.

3 Cinque Terre Card Battello permite que você use o ferry-boat para viagens ilimitadas dentro da zona marinha protegida Cinque Terre e também todas as permissões do anterior.

O Cinque Terre Card e Cinque Terre Card Treno,  estão disponíveis em versões para adultos, crianças, família, maiores de 70 anos, e podem ser válidos para 1, 2, 3 e 7 dias.

– Para aqueles com mais de setenta pedir a Cinque Terre Card Prata
– Para a família com mais de uma criança perguntar o Cinque Terre Card Família

O Cinque Terre Card Battello está disponível apenas nas versões de adultos e crianças e é válido somente para um dia.

No inverno, por razões de segurança, os caminhos podem ter fechamentos parciais. Portanto, é recomendável entrar em contato com centros de recepção sobre a rota escolhida.

16/05/2010

20 :: FAZER COMPARAÇÕES

por 1000 coisas para fazer antes de morrer

…ENTRE CIDADES E MULHERES

Gostar ou não gostar de um lugar é como se apaixonar por uma pessoa. As vezes, sem nenhum motivo especial pega. Em outras tem tudo pra dar certo, mas não vai pra frente.
Estive pensando nisso, em como as cidades parecem pessoas – mais especificamente com mulheres – com sua vida própria, com suas tensões, interesses, humores, charme e beleza.

ROMA
É uma senhora, das chiques.
Mas não se iluda, esta senhora pode pirar (com a ajudinha de algumas taças de vinho, lógico). Ela não chega a se descontrolar totalmente e nunca perde o charme, qualidade que lhe é nata.
É daquelas senhoras que envelhecem bem, com uns toques muito sutis aqui e ali, só pra dar uma ajudinha para o que já é bonito. O grande cuidado é não deixar claro que houve uma intervenção, afinal, ela acredita que deve-se envelhecer com muita dignidade.
Ela se veste bem, a danada,  e mesmo sendo uma senhora ainda tem aquela cruzada de perna estilo Sophia Loren, só pra não perder o encanto e se lembrar que é (e sempre será) uma bela Donna.

BARCELONA
Uma mulher moderna, não muito velha – nem muito nova.
Ela usa óculos de aro grosso, quadrado e escuro. É meio petista, sabe? Seu único defeito. Tem lá seus ideais e faz o tipo meio anti social em alguns meios (característica polêmica esta).
Talvez você não se apaixone por ela de cara. Ela não chama a atenção pela beleza mas quanto mais você a conhecer mais vai se encantar. Três dias intensos serão o suficiente para nascer uma história de amor ou pelo menos uma paixão. É que esta é uma daquelas inteligentes – e interessantes.
Ela sabe das coisas, se veste de um modo pouco convencional mas só o que lhe cai bem (e mesmo se não lhe caísse não liga muito para a opinião alheia) só não abre mão do seu estilo.
E vou logo avisando, ela pode ser um pouco agressiva a primeira vista, a intenção é mesmo espantar alguns indesejáveis. Mas é uma mulher do mundo e se você se der ao trabalho vai perceber que pode ser bem simpática.
Uma informação muito importante: ela não dorme.

PARIS
Esta mulher é top, top model. Magérrima. Não é falta de confiança (longe disso!) mas ela faz questão de estar dentro de alguns padrões.
É bem possível que você se apaixone de cara pela sua beleza e seus clássicos olhos azuis. Ninguém é perfeito, o defeito dela é ser um pouco superficial mas nem faz questão de ser diferente disso. É bem feliz com o que tem e não inveja nenhum atributo que outra possa ter. Exibida, só pode se dar ao luxo de fazer isso porque é bonita.

MARRAKESH
Esta mulher é bem complicada. Só dá pra conhecê-la se for aplicado. Por baixo de panos e panos existe uma mulher extremamente interessante. Aparentemente é um pouco recatada e tem uma inclinação ao puritanismo, mas é só fachada. Não espere dela grandes noitadas, não é dada a isso por cuidar muito bem de sua imagem.
Aposte em seus temperos picantes, se não for acostumado cuidado, pode até te fazer mal. Mas depois que se acostuma pode virar um vício e um dia você pode se pegar suspirando de saudades dela.

SÃO PAULO
É uma mulher louca, de múltiplas personalidades e bipolar. Uma verdadeira perdição.
Ela muda de cara toda vez que precisa e isso faz dela uma pessoa pouco confiável. Pode ser patricinha, suburbana, perua, sacoleira, chique e barraqueira! Ela só se preocupa com uma coisa: estar na moda. Pronto, São Paulo é uma drag queen!